Rota dos Moinhos em Paraduça aldeia da broa de milho PR 6 - Rota dos Moinhos - Paraduça - Arões - Vale de Cambra, Moinho das Bouças, Natividade Portinha Ondas da Serra
sexta, 28 dezembro 2018 16:55

Rota dos Moinhos em Paraduça aldeia da broa de milho

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O percurso pedestre, PR6 – Rota dos Moinhos, fica localizado em Paraduça – Vale de Cambra. O seu trajeto é caracterizado pela passagem por esta aldeia, marcadamente rural, por cinco moinhos de rodízio recuperados. A maior parte deles ainda trabalha moendo o milho para a laboração da sua conhecida broa, dinamizado pela Associação de Desenvolvimento Turístico e Promoção Cultural de Paraduça. Esta terra é rodeada de altas montanhas, rios e ribeiras naturais que lhe conferem grande beleza.

PR6 – Rota dos Moinhos em Paraduça, aldeia rural da broa de milho

Gentes de Paraduça: Belarmino Rodrigues, 68 anos, Maria Rosa Portinha, 75 anos, Irene Rodrigues, 66 anos e Isaura Rodrigues, 74 anos

Começamos esta aventura junto da Escola Primária, o relógio eletrónico da capela fez soar as nove horas e grunhidos da matança do porco. Esta é uma questão delicada, há argumentos fortes a favor e contra estas práticas ancestrais. Nós achamos que não temos o direito de julgar a cultura de pessoas que já o fazem há centenas de anos, que subsistem com dificuldades no interior abandonado do país e não o fazem por desporto, mas por necessidade.

Descrição do PR 6 - Rota dos Moinhos 1

"Paraduça é uma pequena aldeia da freguesia de Arões, concelho de Vale de Cambra, situada entre as Serras da Arada e do Arestal, no cimo de um monte onde corre a Oeste a Ribeira de Paraduça e a Nordeste a Ribeira de Agualva. Ambas as Ribeiras confluem com o Rio Teixeira que corre a leste da aldeia.

Os vales encaixados e a impressionante biodiversidade destes cursos de água em contraste com os desníveis do maciço montanhoso criam um cenário de excelência, no qual se destacam alguns recantos como a cascata do Poço do Linho, localizada à entrada da aldeia, na Ribeira de Paraduça; as margens do Vale da Ribeira de Agualva, que alberga uma das mais belas florestas da região, ou os vários Poços do Rio Teixeira, considerado um dos rios mais bem preservados da Europa. Para visitar estes locais consulte mais informações no site da Rota da Água e da Pedra (www.rota-ap.pt).

Em 2004 foram recuperados 5 dos moinhos que serviam a aldeia de Paraduça (o Moinho do Cabo, o das Bouças, o da Cavada, o do Burmeiral e o do Castelo). Todos eles são alimentados pela mesma levada de água, com origem na Ribeira de Paraduça, localizando-se a Noroeste da Aldeia, em área agrícola.

Quando foram recuperados, pela Associação de Desenvolvimento Turístico e Cultural da aldeia, os moinhos estavam, na sua grande maioria abandonados e em acelerado estado de degradação. Atualmente quatro desses moinhos encontram-se em funcionamento, sendo regularmente utilizados pela população, e um quinto moinho foi exteriormente recuperado, no entanto não possui sistema de moagem." 

Ficha Técnica do PR 6 - Rota dos Moinhos - Paraduça

  • Início: Junto da Escola Primária de Paraduça - Vale de Cambra;
  • Tipologia do percurso: Circular;
  • Distância: 9.5 quilómetros;
  • Altitude máxima: 540/458 m;
  • Desnível acumulado: 270 m;
  • Nível de dificuldade: Difícil;
  • Época aconselhada: Todo o ano;

Pontos de interesse do PR 6 - Rota dos Moinhos - Paraduça

  • Aldeia de Paraduça - Vale de Cambra;
  • Associação de Desenvolvimento Turístico e Promoção Cultural de Paraduça. Esta associação promove com regularidade mostras da confeção da tradicional da Broa de Milho de Paraduça, produzida no seu forno;
  • Moinhos de rodízio;
  • Ribeiro Escuro;
  • Vale da Ribeira de Agualva;
  • Cabeço Redondo;
  • Hortas em socalcos;
  • Rio Teixeira, um dos menos poluídos da Europa;

O Moinho de Rodízio das Bouças ainda trabalha à moda antiga

Moinho de Rodízio das Bouças - Paraduça - Vale de Cambra

Tínhamos começado o trilho quando vimos à nossa frente, uma mulher que se dirigia para o Moinho das Bouças. Esta senhora de nome Natividade Portinha, utiliza como muitos habitantes aquele moinho comunitário para moer o milho que cultiva e com a farinha fazer broa para a sua família comer na consoada de Natal. Disse-nos que durante o inverno este moinho é utilizado por toda a aldeia, porque é o melhor para fazer broa, já que a farinha fica mais fina.

Não se considera uma especialista e precisou da ajuda da prima, que foi lá na véspera deixar umas cunhas que são usadas para obter determinadas espessuras de farinha. Quando chegou, bastou-lhe ir buscar a água a uma levada ali perto, conhecida como o “Cubo do Moinho”, para fazer mover o rodízio que impulsiona a pedra circular da mó.

O Rio Teixeira, um dos menos poluídos da Europa

Continuando o caminho, fomos surpreendidos agradavelmente por uma floresta bem tratada de pinheiros, com vista para o vale onde corre o Rio Teixeira e vimos algumas áreas que andam a ser reflorestadas. Nós que já vimos muitas terras por aqui devastadas pelos incêndios, ficamos contentes e esperemos que continuem a recuperar o património natural.

Os fortes agricultores de Paraduça e os seus trabalhos à chuva

Agricultores de Paraduça - Vale de Cambra: Belarmino Rodrigues, 68 anos, Maria Rosa Portinha, 75 anos, Irene Rodrigues, 66 anos e Isaura Rodrigues, 74 anos

Quando tínhamos já dado a volta ao trilho e nos encontrávamos novamente na aldeia, encontramos um grupo de agricultores, que se pela manhã maldiziam a chuva, tiveram mesmo assim de improvisar material impermeável, para a água não lhes chegar aos ossos. O grupo era composto pelo Belarmino Rodrigues, 68 anos, Maria Rosa Portinha, 75 anos, Irene Rodrigues, 66 anos e Isaura Rodrigues, 74 anos. Um pouco mais tarde vimos a mais velha deste grupo a transportar fortemente à cabeça um grande molho de folhagem de milho, que devia fazer corar de vergonha certas gentes mais novas.

Antes de terminarmos ainda vimos uma carcaça de porco pendurada numa arrecadação, à espera do resto do desmanche. O resto das miudezas estavam espalhadas por recipientes de várias formas e tamanhos.

A cozedura da broa de milho em Paraduça - Vale de Cambra

Broa de milho em Paraduça - Vale de Cambra

Perguntamos às pessoas e lá conseguimos saber quem dali cozia broa de milho e fomos encontrar a trabalhar com afinco, Lucinda e Napoleão Tavares, ambos sexagenários, com três filhos maiores casados, já sendo avós de quatro netos.

O casal sempre trabalhou na agricultura e criam animais, têm uma vaca, dez ovelhas, cinco cabras, porcos e galinhas. No dia anterior cozeram onze broas de milho no seu forno e mostraram-nos a masseira, onde guardam algumas e ofereceram-nos amavelmente duas para a nossa consoada.  A broa é feita com o seu cereal, moído no moinho acima referido, este ano conseguiram produzir cerca de 150 alqueires.

De uma forma resumida a senhora explicou o processo de fabrico, peneiram a farinha na masseira e abrem um buraco na mesma, colocando sal e água fervida, misturam os ingredientes, juntam o fermento e amassam bem. Depois deixam levedar cerca de uma hora e só então levam ao forno previamente aquecido para as cozer. A senhora antes de as levar ao forno faz com a mão um gesto ancestral sobre a massa, em forma de cruz, para benzer o pão e pedindo graças para que coza bem.

A matança do porco para consumo próprio

O porco que criaram tinha cerca de duzentos quilos e com a sua carne vão fazer rojões, chouriços e outros preparos habituais. Ainda usam uma salgadeira para preservar as carnes, disse o homem com satisfação, “Depois a gente come e os filhos levam alguma que são emigrantes, é para o que a gente trabalha, para ter uma casa mais ou menos farta.

O natal duma família em Paraduça

O seu natal iria ser passado em casa, com os filhos, noras e netos. Na sua ceia vão comer as suas carnes de porco, cabrito, borrego, e beber do seu vinho verde e usar do seu azeite. Os mesmos vivem da agricultura e são quase autossuficientes, rematando o homem para final de conversa, “A agricultura não dá para nada, dá para nós comermos e bebermos, os filhos, tirando o mais novo, é que foram obrigados a emigrar que isto não dava nada.

Despedimo-nos destas simpáticas gentes, que nos receberam tão bem e prometemos regressar porque há ainda muito para contar.

 

Paraduça 1

Localização da Paraduça - Aldeia Rural de Arões - Vale de Cambra

Paraduça - Aldeia Rural de Arões - Vale de Cambra

Paraduça é uma pequena aldeia da freguesia de Arões, concelho de Vale de Cambra, situada entre as Serras da Arada e do Arestal, no cimo de um monte onde corre a Oeste a Ribeira de Paraduça e a Nordeste a Ribeira de Agualva. Ambas as Ribeiras confluem com o Rio Teixeira que corre a leste da aldeia.

A biodiversidade da aldeia de Paraduça

Biodiversidade da aldeia de Paraduça - Arões - Vale de Cambra - Vale do Rio Teixeira

Os vales encaixados e a impressionante biodiversidade destes cursos de água em contraste com os desníveis do maciço montanhoso criam um cenário de excelência, no qual se destacam alguns recantos como a cascata do Poço do Linho, localizada à entrada da aldeia, na Ribeira de Paraduça; as margens do Vale da Ribeira de Agualva, que alberga uma das mais belas florestas da região, ou os vários Poços do Rio Teixeira, considerado um dos rios mais bem preservados da Europa. Para visitar estes locais consulte mais informações no site da Rota da Água e da Pedra.

A recuperação de cinco moinhos em Paraduça

Moinho de rodízio em Paraduça - Arões - Vale de Cambra

Em 2004 foram recuperados 5 dos moinhos que serviam a aldeia de Paraduça (o Moinho do Cabo, o das Bouças, o da Cavada, o do Burmeiral e o do Castelo). Todos eles são alimentados pela mesma levada de água, com origem na Ribeira de Paraduça, localizando-se a Noroeste da Aldeia, em área agrícola.

Associação de Desenvolvimento Turístico e Cultural de Paraduça

Quando foram recuperados, pela Associação de Desenvolvimento Turístico e Cultural da aldeia, os moinhos estavam, na sua grande maioria abandonados e em acelerado estado de degradação. Atualmente quatro desses moinhos encontram-se em funcionamento, sendo regularmente utilizados pela população, e um quinto moinho foi exteriormente recuperado, no entanto não possui sistema de moagem.

Caminhe no distrito de Aveiro e pedale de bicicleta pelo norte de Portugal

O distrito de Aveiro tem dezenas de caminhadas e percursos pedestres muito bonitos, na serra, junto do mar, ria e rios, que pode aproveitar para os conhecer. No norte de Portugal há muitas ciclovias, ecovias e ecopistas que se pode percorrer, a caminhar ou de bicicleta, muitas delas por antigas linhas ferroviárias, agora convertidas em pista para as pessoas passearem.

Créditos e Fontes pesquisadas

Texto: Ondas da Serra com exceção do que está em itálico e devidamente referenciado.
Fotos: Ondas da Serra.
1 - Câmara Municipal de Vale de Cambra 

Vídeo do percurso do PR6 - Rota do Moinhos - Paraduça - Vale de Cambra

Vídeo do Moinho das Bouças - Paraduça - PR6 - Rota dos Moinhos - Vale de Cambra

Galeria de fotos do PR6 - Rota dos Moinhos - Paraduça - Vale de Cambra

Lida 2337 vezes Modificado em quarta, 02 novembro 2022 10:45

Autor

Ondas da Serra

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