Descubra na Serra de São Macário três aldeias de arrepiar Serra de São Macário - São Pedro do Sul Ondas da Serra

Descubra na Serra de São Macário três aldeias de arrepiar Destaque

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Fomos conhecer a Serra de São Macário, onde meditou o ermita, penitenciando-se pelos pecados e vida boémia que viveu, enclausurado em serrados e impenetráveis penedos, longe da vista humana. No fundo do vale o povo erigiu com xisto a Aldeia da Pena, com vista para a Livraria da Pena, onde se pode ler na curiosa geologia e restos fossilizados da passagem de trilobites a história do ordovício há 480 milhões de anos. A rota da Cabra e do Lobo de São Pedro do Sul começa nesta Aldeia de Portugal, caminha por paisagens que a elevação humana não abarca, passando pelas igualmente formosas aldeias de Covas do Monte e Covas do Rio. É esta odisseia pelo passado que lhes vamos contar neste artigo, onde vimos cabras e até um lobo fugidio.  

Serra de São Macário – São Pedro do Sul

Serra de São Macário – São Pedro do Sul

Viajamos para São Pedro do Sul em direção à Serra de São Macário, para desvendar a rota da Cabra e do Lobo e conhecer três das suas mais belas aldeias em xisto, Pena, Covas do Monte e Covas do Rio. Aproximamo-nos temerosos porque pela manhã os tímidos montes não se queiram revelar e escondiam-se atrás duma espessa neblina. Quando chegamos aos seus domínios, o Santo ermita sabendo dos nossos bons desígnios recebeu-nos com boa ventura e depressa convidou o sol a raiar e invocou as ventanias para abrirem as maravilhas da paisagem e apresentarem os profundos precipícios.  

O monte de São Macário integra a Serra da Arada, com 1052 metros de altitude máxima, ficando localizado a cerca de 10 km a norte de São Pedro do Sul. O seu nome com origens sagrada foi inspirado na vida do Santo São Macário. A Lenda de São Macário: "Diz-se que S. Macário levou uma vida boémia e extravagante antes de ser santo. Gostava de festas e de caçar, mas num acidente matou o pai com uma seta e nunca mais recuperou. Tornou-se um eremita que se dedicava à oração e à proteção dos animais." 4

Aldeia da Pena – São Pedro do Sul

Aldeia da Pena – São Pedro do Sul

Para alcançar a aldeia da Pena é necessário descer o Monte de São Macário, por uma estreita e sinuosa estrada não aconselhada a gente temerosa a vertigens. O próprio caminho é uma aventura, pelas paisagens que apresenta e perigos que enfrenta. Os mais rijos olham os escassos metros que os separam da tragédia contemplando os profundos abismos. Repentinamente, rasgando a neblina e sombras da manhã, nasce como por magia, no regaço da protetora montanha, esta aldeia em xisto. Esta aparição necessita de alguns momentos de reflexão para admirar a sua beleza. Por ser um local especial faz parte das “Aldeias de Portugal”, esperemos que esta classificação lhe traga prosperidade e proteção da autenticidade.   

Património Cultural da Aldeia da Pena | Lenda do “Caminho do morto que matou o vivo”1

“A aldeia da Pena faz parte da rede de Aldeias de Portugal®”, e é um lugar com casario de xisto e ardósia bem preservado, aninhado no regaço apertado do vale, e envolto por leiras de lameiros e grandiosas fragas.

A lenda do “Caminho do morto que matou o vivo” conta a história do caixão que, ao ser transportado para o cemitério de Covas do Rio pelo carreiro abaixo, resvalou, levando com ele um dos carregadores.”  1   

Biodiversidade da Aldeia da Pena1

Flores Campanários - Serra de São Macário - São Pedro do Sul

“No vale que liga as aldeias da Pena e de Covas do Rio cresce uma grande diversidade de espécies de grande porte, contando-se mais de 20 espécies de árvores e arbustos: azevinho, aveleira, azinheira, sobreiro, carvalho-negral, carvalho-alvarinho, lódão-bastardo, nogueira, loureiro, sabugueiro, choupo-negro, freixo, amieiro, bétula, borrazeira-preta, azereiro, salgueiro, cerejeira, castanheiro, pinheiro, abrunheiro-bravo, sanguinho, pilriteiro e tramazeira formam uma densa floresta que dificulta a chegada da luz ao solo.

Junto ao rio são muitas as espécies que se podem encontrar, como a salamandra-lusitânica e a rã-ibérica. O heléboro, planta rara na região, é aqui frequente e os quartzitos são ainda habitat de plantas rupícola, como os campanários e o pólio-das-rochas.” 1

As Fragas Rochosas do Jardim Mágico da aldeia da Pena1

As Fragas Rochosas do Jardim Mágico da aldeia da Pena

“Percorridos os campos de cultivo da Pena, abrem-se aqui, numa estreita passagem entre duas fragas rochosas, as portas para um “jardim mágico”. Um vale profundo e luxuriante onde mistérios e lendas se conservam na verticalidade avassaladora das paredes rochosas, encantados pela toada incessante da ribeira de Pena e pelos cantos da avifauna residente. Com um microclima muito particular, húmido e sombrio, são imensas as espécies vegetais que aqui encontraram refúgio e prosperam, das árvores de grande porte aos pequenos líquenes, das flores e fetos aos arbustos.” 1

O Abade de Ribolhos escreveu sobre a Pena1

“A Pena é um diamante bruto que a serra parece esconder avaramente no seu seio (…) Fiquei deslumbrado, fascinado, enfeitiçado (…) Há no estrangeiro muitas coisas que o reclamo e apregoa e que o turista snob admira boquiaberto, que não valem a Pena

Assim escreveu, com manifesta paixão e um pequeno toque de acidez ao turista de massas, o antigo Abade de Ribolhos sobre a Aldeia da Pena, em agosto do já distante ano de 1940. Enquanto os ideias progressistas tomavam conta das grandes urbes do país, a Pena aqui permanecia escondida, agarrada às garras da Serra de São Macário, indiferente ao tempo e às grandes revoluções e convulsões do século XX. Muitos aqui se deram conta das limitações da linguagem, tão difícil é transforma em palavras o que se vê e o que se senta. Lendas antigas povoam o imaginário e tornam fantástico o lugar, com cobas gigantes derrotadas por aldeões ou mortos que mataram vivos em caminhos tão inóspitos quanto deslumbrantes.”  1

Aldeia da Pena – Pontos de Interesse

Aldeia da Pena - São Pedro do Sul - Casas em xisto

  • Circuito da aldeia
  • Capela
  • Livraria da Pena
  • Geossítio - Icnofósseis de Trilobites
  • Parede de escalada
  • Percurso pedestre
    • Rota da cabra e do lobo
    • Rota da água e da pedra

Geossítio A12 - Livraria da Pena - Rota da Água e da Pedra

Geossítio A12 - Livraria da Pena - Rota da Água e da Pedra

O geossítio A12, Livraria da Pena faz parte da Linha A – Arada, da Rota da Água e da Pedras, das Montanhas Mágicas.

“A Livraria da Pena é acessível a partir de um caminho antigo justamente chamado “Caminho do morto que matou o vivo”, e que segue ao longo do Ribeiro da Pena até Covas do Rio, num percurso de 3 km bastante abrupto. À saída da Pena erguem-se imponentes fragas dispostas verticalmente que lembram monumentais livros apertados uns contra os outros.

Cada “livro” corresponde a um estrato quartzítico que data do Ordovício, há cerca de 480 milhões de anos atrás, e alguns deles registam a passagem ancestral de trilobites e outros animais nas areias das margens pouco profundas do paleocontinente Gondwana. Estes animais deixaram rastos que se podem observar hoje nas lajes viradas a sul, formando icnofósseis.” 1

Rota da Cabra e do Lobo – Uma relíquia natural, geológica e humana2

Bode na Serra de São Macário - São Pedro do Sul

“Há caminhos que nos ficam na memória e a Rota da Cabra e do Lobo é um deles. Uma viagem que se transforma numa genuína imersão num mundo tão inimaginável quanto surpreendente. Tudo aqui se expressa de forma inesperada, com a brutalidade e a subtileza dos lugares míticos do imaginário greco-romano.

As rochas, tal como os nossos ancestrais humanos, parecem buscar a verticalidade; os estratos altamente transfigurados ou dobrados quase nos permitem compreender a dimensão das forças tectónicas; a natureza, tanto se apresenta selvagem e antiga, como magnificamente moldada pelas populações que aqui se mantêm, num isolamento tão profundo quanto os vales onde se instalaram; as aves de rapina vigiam os céus, lá no alto; os pássaros, chilreiam desenfreadamente; o gado bovino pasta livremente e a restante fauna continua alerta aos passos humanos. No caminho ao longo da ribeira da Pena houve até uma cabra que matou um lobo!” 2

  • Aldeia da Pena;
  • Parede de Escalada;
  • Covas do Monte;
  • Vista panorâmica;
  • Covas do Rio;
  • Livraria da Pena;
  • Ribeira da Pena;

“Embora o percurso tenha início na pitoresca aldeia da Pena, a estrada que lhe dá acesso pode já ser considerada parte desta viagem, levando-nos às profundezas da terra, onde então encontramos esta aldeia erguida em xisto e guardada por maciças encostas. Rumo a noroeste, o caminho sobe a Serra de São Macário, primeiro em área florestada e mais acima num mundo pedregoso, onde recomendamos especial atenção às vertentes íngremes.

Até à aldeia de Covas do Monte as paisagens são maiores que o mundo, sobretudo nas vertentes norte e este e, ainda no alto, somos impressionados pela geometria dos terrenos de cultivo desta aldeia que iremos atravessar. Segue-se nova subida hercúlea, sempre imerso na vastidão montanhosa, até ao longe já se avistar a aldeia de Covas do Rio, à qual chegamos depois de alguns ziguezagues pela área florestal que a envolve. Agora em direção a sul, o ex-libris do percurso, o caminho onde o morto matou o vivo. Sobre xisto, caminhamos com a riba da Pena ao fundo e um conjunto florístico autóctone de rara riqueza. Sucedem-se pequenas cascatas e lagoas, o caminho transforma- -se numa escadaria e eis que surge a Livraria da Pena, mesmo antes do retorno quase milagroso à aldeia da Pena.” 2

  • Pólio-das-rochas
  • Azevinho
  • Salamandra-lusitânica
  • Heléboro
  • Rá-Ibérica
  • Campanários
  • Cruziana rugosa

O começo do trilho na Aldeia da Pena

Jornalista Rosa Maria - Diretora do Ondas da Serra - Aldeia da Pena - São Pedro do Sul

Depois de termos contemplado o vale por onde corre a Ribeira da Pena e as imponentes fragas, deambulamos pelas ruelas da Pena, entre casario de xisto, ouvindo nos redis os cabritos a balir e os galos em acesa disputa para afirmarem o seu domínio, se bem que um metia dó, pela idade ou falta de talento.  

O percurso em formato circular pode ser feito nos dois sentidos, contudo há uma bifurcação onde pode escolher ir em direção a Covas do Monte ou Covas do Rio. Nós decidimos pela primeira opção, mas o percurso é longo, nós pelos motivos habituais atrasamo-nos, fotos, provas gastronómicas e conversas com as gentes, acabamos por chegar já com pouca luz à Livraria. O nosso conselho é fazerem um percurso ao contrário de nós, indo primeiramente em direção a Covas do Rio e visitar a Livraria logo pela manhã com muita luz.

O trilho que no leva até à aldeia de Covas do Monte, é experiência de arrepiar, pela beleza profunda montanhosa das paisagens e fundos vertiginosos. Irá passar por manchas florestais duma riqueza que outrora cobria a grande parte do nosso território. Encontramos grandes ossos, que nos pareceram ser de bovino, não somos especialistas, mas podemos especular se seria de algum animal que os lobos devoraram.

Aldeia de Covas do Monte - São Pedro do Sul

Aldeia de Covas do Monte - São Pedro do Sul

“Enclausurada entre a Serra de São Macário e a Serra da Arada, no vale que dá para o rio Deilão, a aldeia de Covas do Monte poderia passar despercebida como algumas outras, escondidas ou camufladas nestes recantos serranos de infindáveis surpresas e cores. Tal não acontece porque muito antes de nos darmos conta do alinhado casario em xisto coberto com telhados de lousa negra, saltam à vista os verdejantes e viçosos campos agrícolas da povoação, num mosaico recortado pintado de tons verdes e amarelos que mais não poderiam contrastar com a austeridade arbórea destas encostas despidas e dominadas por coloridos arbustos como urze, o tojo, a carqueja ou a giesta.

Hoje com poucos habitantes, a existência de uma antiga escola primária agora restaurante da aldeia, permite-nos imaginar um passado agitado pelo alvoroço das crianças numa aldeia há muito conhecido pelo seu extenso e peculiar rebanho comunitário de cabras que, diz-se, terá contado com mais de 2500 animais, e que, não raras vezes, o saúda durante a sua visita.”  1 

As ovelhas da aldeia de Covas do Monte - São Pedro do Sul

Ovelhas na aldeia de Covas do Monte - São Pedro do Sul

Só bem próximo da aldeia de Covas do Monte as serras revelam os seus domínios, fazendo jus ao seu nome. Os campos são verdejantes, bem torneados, cuidados e com ares de bem lavrados. Reza a história que por estas ruas caminhavam no passado centenas de rebanhos de ovelhas, agora são poucas, mas vieram na mesma receber-nos com aquele ar alcoviteiro, curioso e metediço. Habituadas a verem as mesmas caras depressa ficam enamoradas pelos viajantes e quiçá até se iriam embora com eles, as desavergonhadas.

Pontos de interesse da aldeia de Covas do Monte

Capela de Santa Bárbara - aldeia de Covas do Monte - São Pedro do Sul

  • Portal do Inferno;
    • “Estreito local de passagem entre as vertentes ingremes que dão para o vale de Drave e vale de Covas do Monte, onde se podem obter as mais espetaculares vistas da região.” 1
  • Capela de Santa Bárbara;
  • Azenha Comunitária de Covas do Monte;
  • Moinho;
  • Cruzeiro
  • Campos de cultivo;
  • Circuito da aldeia;
  • Projeto LIFE WolfFlux – Conservação do lobo ibérico

Projeto LIFE WolfFlux – Conservação do lobo ibérico3

Lobo ibérico

“A subpopulação portuguesa de lobo ibérico a sul do Rio Douro encontra-se atualmente em perigo de extinção, fragmentada e altamente isolada do resto da população ibérica, devido a barreiras geográficas, ecológicas e sociais. O projeto LIFE WolfFlux visa promover as condições ecológicas e socioeconómicas necessárias para apoiar a viabilidade desta subpopulação.” 3

Área do projeto LIFE WolfFlux

“O lobo desempenha um papel fundamental no bom funcionamento dos ecossistemas. Para além disso, o lobo é também uma espécie icónica que pode trazer outas vantagens às áreas onde ocorre:

    • Controle das populações de presas silvestres, como javali, veado e corço;
    • Atração de turismo para a área;
    • Controle de doenças infeciosas através da predação de presas silvestres debilitadas;
    • Valorização de produtos locais;” 3
“O projeto vai trabalhar para melhorar os desafios que o lobo ibérico e as populações locais enfrentam, através das seguintes medidas:
  • Falta de presas silvestres
    • Restauro de habitat para presas silvestres do lobo;
    • Plano de gestão cinegético para presas silvestres do lobo;
    • Promoção do aumento de presas silvestres do lobo;
  • Destruição de habitat por incêndios
    • Equipa de vigilância para prevenir incêndios rurais;
  • Impacto na pecuária
    • Implementação de medias de prevenção de prejuízos, como cães de gado e vedações;
    • Apoio técnico a criadores de gado;
  • Valorização do território
    • Aumentar o valor de produtos locais que promovem a coexistência com a vida selvagem e lobo ibérico através da marca;
    • Promover turismo da natureza associado ao lobo, melhorando economias locais” 3

Pessoas no trilho

Artur Martins e Fernando Pena - Serraco - São Pedro do Sul

A caminho da aldeia de Covas do Rio, no sítio do Serraco, ao passar um azevinho, apoiado num canastro, encontramos a mirar o tempo, Artur Martins, com 74 anos. Este camionista reformado, apoiado numa bengala, pensaria na vida que teve, lá dizia Winston Churchill, "Quando nos falta a juventude que nos valha a sabedoria". Durante 30 anos foi camionista de longo curso, vivia em Marvila – Lisboa. Problemas de saúde obrigaram-lo a regressar à sua terra para junto filho, mas tem saudades de Lisboa, onde deixou amigos e tinha sempre coisas para ver e fazer. Passado algum tempo, veio fazer-lhe companhia, Fernando Pena, com 85 anos, que a brincar nos foi dizendo que podia ser agora com a foto da reportagem arranja-se uma mulher que é solteirão.

Lixo na Rota da Cabra e do Lobo

Entre as aldeias de Covas do Monte e Covas do Rio foi alargado um estradão, para permitir a passagem de viaturas, sendo o entulho resultante lançado na encosta. Em alguns locais está a ser depositado lixo composto por velhos pneus, plásticos de vários tipos, garrafões, garrafas e entulho de obras. Ainda pensamos colocar aqui uma foto, mas um artigo tão bonito e um local tão espetacular não mereciam esta afronta. Nós esperamos as pessoas tomem consciência e deixem de praticar estas infrações e crimes ambientais por puro desleixo e comodismo. Por aquilo que sabemos há locais próprios para os depositar e se forem apanhados pelas autoridades serão devidamente punidos. Nós se virmos podem ter a certeza que os denunciaremos, já o fizemos no passado e voltaremos a fazê-lo sem qualquer hesitação.  

Aldeia de Covas do Rio – São Pedro do Sul

Serra de São Macário - Ao fundo a aldeia de Covas do Rio - são Pedro do Sul

“É a sede da freguesia que engloba os territórios ocupados pelas Aldeia da Pena e Covas do Monte, e a povoação sobre qual nos chegam mais informações sobre o passado distante deste território. Instalada numa encosta defronte da base norte da Serra de São Macário, é recortada pela ribeira de Deilão, que é alimentada pela ribeira de Covas do Rio, e que daqui segue viagem rumo a ocidente e ás águas do rio Paiva.

Diz-se que poderá ter sido construída sobre um primitivo povoamento do período lusitano-romano, embora sejam escassas as evidencias além de alguns registos vestigiais de mamoas feitos por Amorim Girão no séc. XX. Certo é que alguns topónimos deste território são mencionados desde pelo menos os inícios da formação de Portugal, nomeadamente num documento de 1096, no qual Sisnando, um monge de Arouca, faz doação ao mosteiro de bens que detinha in Penafiel de Covas do Rio. Outro topónimo presente em documentos dos séculos XI e XII é Pennafidele, muito possivelmente relacionado à origem do topónimo Pena.” 1

Vale da Ribeira de Deilão

“De Covas do Rio são deslumbrantes as vistas para o verdejante vale da ribeira de Deilão, curso de água afluente do rio Paiva.” 1

Socalcos agrícolas de Covas do Rio

“Orientada para sudoeste, a aldeia e os seus campos agrícolas em socalcos tiram partido da privilegiada exposição solar.” 1

Pontos de interesse da aldeia de Covas do Rio

Coreto da aldeia de Covas do Rio - São Pedro do Sul

  • Fonte
  • Coreto
  • Igreja Paroquial de Covas do Rio
  • Campos de cultivo
  • Circuito da aldeia
  • Ribeira de Deilão

Espantalhos no "Caminho do morto que matou o vivo"

Espantalhos no 'Caminho do morto que matou o vivo'

Ao sair de Covas do Rio, com o sol a morrer e as sombras abaterem-se sobre os incautos caminhantes, começamos a ficar perplexos com os espantalhos que nos foram ladeando, qual exército das trevas, com formas bizarras de soldados de Belzebu, aspeto facínora, com cordas estranguladoras retesadas no pescoço, cornos na cabeça e trajes pretos com ossos.

Contudo um destes rapazes destoava porque ostentava ao pescoço o cachecol do clube de futebol inglês, Manchester United, deve-se ter enganado no jogo. Só depois fizemos associação à lenda, por via das dúvidas não tocamos em nenhum. Uma ocasião chegamos bem cedo à Cascata da Cabreia na Silva Escura e durante a noite tinham ali feito uma estranha cerimónia que o povo apelida de "bruxaria", tendo sido deixadas frutas dispostas em formato circular com um charuto apagado no centro. Uns dedicam-se à pesca, outro à caça e outros ao oculto, quem somos nós para julgar.

E foi assim que tivemos por companhia até à subida para a Livraria do Paiva estas fantasmagóricas silhuetas que a coberto da escuridão que rapidamente se abatia, poderiam ganhar vida e fazer-nos parecer por baixo dum caixão. O vale que passa pelas fragas é duma beleza sufocante, já não tínhamos luz e tempo para desfrutar em pleno, mas vamos regressar só para estudar a fundo esta livraria e tentar ver os icnofósseis. 

A noite abateu-se sobre a Pena

Aldeia da Pena à noite - São Pedro do Sul

Entramos já noite serrada na Aldeia da Pena, fomos acolhidos como em Covas do Monte, por algumas ovelhas, não vimos pessoas e ficamos a pensar se não pensariam ser a terra só delas. Estes animais olhavam-nos desconfiados, será que ponderavam a necessidade de chamar a guarda para os intrusos?

Fomos para o carro para regressar Ovar e ouvimos chocalhos aproximarem-se, no breu da escuridão calculamos que vacas e bois desciam a estrada. Aguardamos pela sua passagem da melhor forma com a máquina pronta para tirar fotos que uma delas quase nos abalroava, surpreendida pela nossa presença, como nós não devem ver muito bem no escuro. Lá passaram todas, terminando o cortejo com a carrinha do dono.

Partimos para casa de carro ainda a tempo na subida de cruzar-nos com uma vaca retardada que se assustou. Mas o melhor ficou para o fim, quando um veloz e fugidio lobo nos passou à frente do carro e as luzes dos faróis iluminaram a sua inconfundível silhueta, andaria ele no encalço da tresmalhada vaca? Predadores há em todo lado, sempre à espreita duma oportunidade ou fraqueza para atacar a vitima, não tivéssemos nós feito a “Rota da Cabra e do Lobo”.

Saímos da Pena com o sentimento expresso no poema que lemos afixado numa casa em xisto, pelo poeta popular e artesão local, António Almeida Arouca.

"Vale a Pena vir à Pena

E ficar com a saudade

Escrever-lhe uma quadra

Dizer Adeus à cidade!..."   

Créditos e Fontes pesquisada:

Texto: Ondas da Serra com exceção do que está em itálico e devidamente referenciado.
Fotos: Ondas da Serra.  

1 - Rota da Água e da Pedra – Montanhas Mágicas - Município de São Pedro do Sul
2 - visitlafoes.pt/rota-da-cabra-e-do-lobo/
3 - Projeto LIFE WolfFlux
4 - ensina.rtp.pt

Galeria de fotos da Rota da Cabra e do Lobo  - São Pedro do Sul

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Autor

Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social periódico, distribuído electronicamente, que visa através da inserção de notícias, promover a identidade regional, o turismo, e a divulgação/defesa do património natural, arquitectónico, pessoas, animais e tradições, dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, nomeadamente: Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca e do forma mais geral dos restantes municípios do distrito.

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