Conheça a faina da típica Praia dos Pescadores de Angeiras Bairro Piscatório de Angeiras - Lavra - Matosinhos Ondas da Serra

Conheça a faina da típica Praia dos Pescadores de Angeiras Destaque

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Levou-nos a bruma da maré à Praia dos Pescadores de Angeiras - Lavra - Matosinhos. No extremo norte deste concelho, na praia de Angeiras, subsiste uma das últimas comunidades de pesca artesanal da região. Fundeamos neste reino quando navegávamos pedalando por marítimos passadiços entre Porto e Vila do Conde. Ao entrar no seu portinho, deparámo-nos com grande reboliço de lobos do mar, trabalhando desalmadamente nas artes de pesca que atascavam o caminho, alheios ao ocioso forasteiro. As afoitas gaivotas voavam e aterravam sem pudor para roubar pescado, nas barbas de pescadores desinteressados da ofensa. As embarcações nidificavam no areal, olhando temerosas o mar revolto que as pode tragar, mas que a bonança e preces a santos populares as fazem quase sempre regressar. Neste artigo vamos conhecer um pouco desta típica vila piscatória, alguns dos seus valentes homens, o seu portinho, rica história e o local escavado na rocha onde romanos salgaram peixe.

Praia dos Pescadores de Angeiras – Lavra – Matosinhos1

Praia dos Pescadores de Angeiras - Lavra - Matosinhos

A Praia dos Pescadores de Angeiras é uma típica vila piscatória, onde ainda se vai ao mar de forma artesanal, podendo o tempo devorar esta vila, coberta por colorido casario. As suas areias têm resistido com valentia à especulação imobiliária e assalto do altivo urbanismo, que lança suas poderosas garras desenfreadas pela periferia da Área Metropolitana do Porto.

O Portinho de pesca de Angeiras com os seus barcos tradicionais

Praia dos Pescadores de Angeiras - Lavra - Matosinhos

O portinho fica situado a poente da Avenida da Praia de Angeiras, onde as embarcações tradicionais de pesca chegam exauridas pela manhã, deixando custosas as águas e galgando as areias da praia. A sua história, construção e arquitetura estão profundamente ligadas a faina do mar. O local é um típico portinho de pesca, desfasado da realidade das grandes industriais portuárias vizinhas, qual Hércules contra Golias.

"Este quebra-mar tem 448 metros de cumprimento e permite proteger os pescadores na saída e regresso da faina, através da redução do efeito da agitação marítima nas embarcações, na área de varagem na praia e, em particular, na travessia dos Leixões do norte e do sul." 1

O porto sendo pequeno tem grande alma, partilhando o exíguo espaço com paciência e mestria. No areal e caminho, jazem todo o tipo de artes de pesca, parecendo que ali foram largadas por um tempestuoso e irado Adamastor. Os barcos, covos, redes, cordas e âncoras, impregnados da marítima salitre, lutam por lhe cair em cima a qualquer momento. Os negrumes dos invernosos céus, trovejar das ondas, sibilantes ventos, arruaceiras gaivotas, tonalidades do bairro e cavernosas vozes, estão sempre presentes, lembrando-lhe que pode embarcar a qualquer momento para a próxima safra. 

Estes tolerantes pescadores não se chateiam por verem o seu espaço tomado por alegres turistas, fotógrafos, jornalistas, comensais e diferentes desportistas, com bicicleta, a correr ou caminhar. Que pensamentos lhes viram à cabeça quando à força do suor retiram o sustento do mar e olham esta invasão de gente que "não tem mais nada melhor para fazer".

A forte Faina no Portinho de Angeiras

Praia dos Pescadores de Angeiras - Lavra - Matosinhos

Os pescadores de Angeiras partem para a faina pela madrugada, entre as 00h00/02h00, dependendo das artes que vão usar, tipo de pescado que vão capturar, distância de terra e outras avaliações. As embarcações regressam normalmente entre as 08h00/09h00, sendo a melhor altura para as ver, arrastadas pelo areal acima ou ajudadas por potentes tratores.

Em outros séculos a rudeza da vida era sacrificada no mar e seus séquito rochosos, onde à força da intempérie e ameaça de morte o pescador sorria. Estes instantes sagrados, olhados por aprofundadas e apaixonadas vistas humanas focavam-se na beleza da sua luta e formas de vida. As belas mulheres ficavam na praia vendo partir os seus homens sempre receosas duma tragédia. No meio da criação da vasta prole sobrava-lhes ainda tempo para partirem carregadas de peixe à cabeça por esses caminhos fora, com um sorriso no rosto sem queixumes.   

"Os tipos mais grosseiros das moças ruivas e sardentas, molhadas, trespassadas de sol e de salitre, que correm as estradas de Matosinhos, como as de calcanhar rachado que pisam os caminhos de Esposende e as ruas de Gontinhães, cheirando a peixe, a alga e a sargaço, com a canastra à cabeça e a perna nua à mostra. E entre todas elas, uma de pele doirada, com um pique a maresia, que dava um instantâneo: esvoaçavam-lhe os cabelos loiros, e o riso aflorava-lhe à boca sem querer, como se toda ela fosse riso: — Viva da costa."  Brandão, R. (1923). Os Pescadores (2018th ed.). Neolivros.

Rui Rodrigues – Quarta geração de pescadores de Angeiras

Pescador Rui Rodrigues - Praia dos Pescadores de Angeiras - Lavra - Matosinhos

Navegávamos pelo emaranhado das artes e embarcações de pesca, quando encontramos a lavar uns covos para o polvo e faneca, Rui Rodrigues, que nos contou um pouco da sua vida e comunidade.

Este homem confidenciou-nos orgulhoso fazer parte da quarta geração de pescadores desta terra. Cedo lhe manifestou o bichinho da pesca, começando esporadicamente a contragosto do pai, com 11 anos andar ao mar, embora passa-se as primeiras viagens a dormir.

Com 22/23 anos optou naturalmente por esta profissão, que felizmente ainda não lhe trouxe tragédias à família, o mesmo não se pode dizer de outras.

O seu barco “Novo São Pedro”, está ancorado em Matosinhos, que opera com o pai, com 26 e 66 anos respetivamente. Estes homens pescam no mar de Angeiras e vão descarregar a Matosinhos. O barco antigamente possuía dois motores fora de borda, quando o modificaram para um central deixaram de conseguir subir o areal do seu portinho. No mar de Angeiras pescam durante todo ano polvo, faneca, congro e algum marisco. Por vezes as condições da pesca e época do ano permitem capturar outro tipo de pescado como o camarão da costa ou o robalo.   

O novo portinho de pesca de Angeiras – Reivindicação com meio século

Portinho de pesca de Angeiras

Em relação ao novo “Portinho de Angeiras”, disse-nos que foi construído há cerca de dois anos, depois de meio século de revindicações dos pescadores. Ele considera que esta obra veio melhorar duma forma geral as condições da safra e proteção das embarcações.

Esta comunidade de pescadores é composta atualmente por cerca de 17 embarcações, mas o seu número tem decrescido ao longo dos anos. No tempo do seu avô chegou a ter entre 120 a 150 barcos.

Tem uma filha e se tivesse um rapaz não se importava que fosse a 5 geração a continuar esta tradição familiar, mas realçou que iria tentar dar-lhe toda a educação possível, só sendo ele pescador por sua vontade porque, “Está mais que visto que neste pais e vida que temos, só temos alguma coisa se trabalharmos”.

Assim terminamos esta conversa com este pescador, habituado às agruras do mar e deitar mãos ao trabalho para alimentar a sua família e não ficar à espera que sejam outros a pagar a sua subsistência.

Eduardo (Xouxa) - Antigo pescador

Eduardo (Xouxa) - Antigo pescador - Angeiras


Fomos encontrar o antigo pescador Eduardo (Xouxa), numa das ruas interiores de Angeiras, em lugar do leme, a virar o grelhador de um restaurante, onde preparava um respeitoso robalo e sardinhas, que a honestidade mandava dizer que eram congeladas. Com o seu chapéu de palha e farfalhudo bigode fez-nos lembrar o Quim Barreiros, de quem disse "ser parente pelos calcanhares". Curioso foi que em Viana do Castelo, no distante ano de 1992, comprou num stand sem saber, uma carrinha do homem da "Cabritinha" e que tinha sido utilizada nas deslocações para os espetáculos.

Os clientes passavam sondando, fungando os aromas, olhando vorazmente, aproveitando ele para lhes lançar o anzol com toda a espécie de jocosos comentários. O peixe contudo não mordia, resmungando o homem entre dentes impropérios para os que não lhe ligavam, dizendo com alguma mágoa que cada vez há mais gente deste tipo. As pessoas estão cada vez mais viradas para si próprias esquecendo que fazem parte duma comunidade, que por ter crescido demasiado fez o homem esquecer as suas raízes.

Disse-nos que nesta terra os homens são mais conhecidos pela alcunha que nome de batismo, sendo o seu Xouxa. A mãe trouxe-o ao mundo há 65 anos, nesta praia em cima duma rede de sardinhas. Com 11 anos foi trabalhar para a confeção, mas a polícia foi buscá-lo para fazer a 5 classe.

Muito mais tinha para nos contar, mas teve que ir levar o peixe acabado de grelhar e nós com os sentidos estimulados, ficamos com capacidade de trabalho e atenção reduzidas, por isso fomos também almoçar um respeitável robalo.

História da Praia dos Pescadores de Angeiras – Lavra – Matosinhos1

 “O topónimo primitivo deste lugar era "Praia da Forcada". Até ao inicio do século XX registava uma ocupação sazonal em articulação com as Casas do Mar, onde as grandes casas de lavoura da região desenvolviam atividades marítimas complementares à agricultura (alguma pesca costeira, recolha de sargaço e pilado....).

A partir de então esta praia começará a registar uma ocupação permanente crescente de uma comunidade de pescadores, que fez com que este areal se passasse a designar como "Praia dos Pescadores".

Actualmente é um importante núcleo de pesca artesanal, de espécies como a faneca, o robalo ou o polvo. A sardinha e o camarão da costa de Angeiras são considerados como um dos melhores do país. Inicialmente usavam-se ainda as embarcações a remos e vela, denominadas "catraias" e "miranços", sendo posteriormente substituídas por embarcações mais modernas a vapor.” 1

Bairro Piscatório de Angeiras

Bairro Piscatório de Angeiras

O Bairro Piscatório de Angeiras fica localizado em frente à sua praia, sendo constituído por casas térreas, enfeitadas com as artes de pesca na frontaria, engalanadas por coloridas faixas amarelas, azuis e vermelhas, fazendo lembrar a Costa Nova de Aveiro.

Mercado Municipal de Angeiras

Mercado Municipal de Angeiras

Não deixe Angeiras sem visitar o seu mercado onde vai encontrar além dos produtos tradicionais, como vegetais, fruta, pão quente, charcutaria, vestuário, grande quantidade de peixe e marisco, com grande qualidade e vindos diretamente da lota. É neste local que muitos dos restaurante adquirem os seus produtos que confecionam em deliciosos pratos.

"Quando ainda não existia lota de peixe, os pescadores levavam o peixe diretamente para o Mercado de Matosinhos em carrinhas de caixa aberta que entravam pela porta oeste e saíam pela porta este. Os pescadores "leiloavam" o peixe às peixeiras no centro do mercado.” 2

O encerramento do Mercado Municipal de Angeiras pelo COPCON2

“O Mercado Municipal de Angeiras tinha por hábito abrir aos domingos. No entanto, depois do 25 de abril, a policia COPCON3 obrigou o mercado a fechar sábado às 13h para descanso dos comerciantes. Com o fecho do mercado aos domingos, os comerciantes deixaram de poder receber o compasso no mercado no dia de Páscoa, como era tradição. 2

Horário e morada do Mercado Municipal de Angeiras

Horário: Segunda-feira: 7h – 14h | Terça-feira-Sábado: 7h-16h | Domingo: 7h-13h

Morada: Avenida Praia de Angeiras 60, 4455-204 Lavra

Tanque Romanos para a Salga do Peixe - Angeiras1

Tanque Romanos para a Salga do Peixe - Angeiras

Algumas dezenas de metros para sul do portinho de pesca de Angeiras, junto aos passadiços, foram descobertos antigos tanques romanos para a salga do peixe, que estão bem preservados e nos lembram a grande influência que este antigo império teve na nossa história.  

“Dispersos por 600 metros pela Praia de Angeiras, encontram-se seis núcleos de tanques, num total de 32 exemplares, escavados nos afloramentos rochosos durante a época romana (séculos III-IV d.c.). Estas cavidades, de formato retangular, mas apresentando profundidade diversa, destinar-se-iam à salga de peixe e à produção de outros tipos de conservas de peixe, incluindo o afamado “garum”. Junto a alguns destes tanques foram também identificadas estruturas constituídas por pavimentos compostos por seixos e barro e delimitados por pequenos muretes. São vestígios das salinas onde se extraia o sal necessário para a produção da salmoura dos tanques. Pela sua raridade e importância, este conjunto industrial romano encontra-se classificado desde 1970 como Monumento Nacional.” 1 

Garum - O condimento romano

“O Garum era um condimento muito utilizado na Antiguidade, especialmente na Roma Antiga, feito de sangue, vísceras e de outras partes selecionadas do atum ou da cavala misturadas com peixes pequenos, crustáceos e moluscos esmagados; tudo isto era deixado em salmoura durante cerca de dois meses ou então aquecido artificialmente.” 1

Casas do Mar de Angeiras1

Casas do Mar de Angeiras

“As Casas do Mar de Angeiras fizeram parte, até meados do século XX, da arquitetura tradicional da região e são testemunhos das atividades agromarítimas que marcaram a identidade de Lavra até inícios do séc. XX. Estas estruturas pertenciam às grandes casas de lavoura da região, que também praticavam a pesca de mar como atividade sazonal e complementar da agricultura. Os “moços do mar” guardavam aqui o barco e os utensílios para a faina e para a apanha do sargaço e do pilado (caranguejo pequeno), usados tradicionalmente como indispensável fertilizante dos campos.” Na zona da Ria de Aveiro estes restos de peixe, misturados com caranguejos era chamado de escaço." 1

A Recolha do Sargaço1

Recolha do Sargaço - OIA - Pontevedra - Espanha

“A apanha do sargaço, um fertilizante abundantemente utilizado pelas populações costeiras que se dedicam à agricultura, assumiu durante séculos relevante importância nos areais de Lavra, devido à facilidade de colheita das algas marinhas bem como a abundância das mesmas nestas praias.

A atividade exercida pelas sargaceiras, que utilizavam a graveta para recolher as algas e as transportar para o local onde deveriam secar ao sol durante três dias, antes de serem utilizadas, juntamente com o pilado (caranguejo pequeno) para fertilizar os campos agrícolas da freguesia. O facto de ser, desde épocas remotas e por decisão real, um produto livre de pagamento de qualquer tipo de imposto, contribuiu igualmente para a popularidade desta atividade. Nos nossos dias continua a ser praticada e destina-se maioritariamente às industrias farmacêuticas e de cosméticos.” 1

Como não conseguimos fotos da apanha do sargaço em Angeiras, apresentamos as que recolhemos quando fizemos a nossa terceira viagem a Santiago de Compostela, pela costa e encontramos em Espanha, pessoas a recolhê-lo na baía da Praia de OIA, no lugar de "O Arrabal" OIA - Pontevedra, em frente ao Mosteiro de Santa María de OIA. No fim de contas todos somos ibéricos, navegando nesta jangada de pedra e esquecendo as divisões psicológicas fronteiriças, habitantes deste pequeno planeta azul. 

Leia também: Partindo do Porto com fé a Caminho de Santiago pela Costa

Rio Onda a separar Matosinhos de Vila do Conde1

Rio Ondas - Angeiras - Lavra - Matosinhos

O Rio Onda, localizado a norte de Angeiras, cujo nome remete para o nosso projeto, faz a separação entre Matosinhos e Vila do Conde. Sobre este rio foi construída uma bonita ponte em madeira, que faz a ligação dos passadiços entre os dois concelhos.

“O Rio Onda, também chamado de Donda, Calvelhe, Labruge ou da Foz, separa as freguesias de Lavra (Matosinhos) de Labruge (Vila do Conde). Tem cerca de 11,8 Km de extensão e drena uma área de 48,58 Km2. Atravessa maioritariamente terrenos agrícolas e florestais e apresenta índices bióticos de reduzida biodiversidade. Em tempos, foi conhecido pelas boas pescarias e pela intensa atividade moageira.” 1

Praias de Angeiras Norte e Sul

Praia sul de Angeiras - Lavra - Matosinhos

A norte e a sul de Angeiras ficam localizadas duas praias com um extenso areal, passadiços de acesso e para passear, estacionamento, sendo as suas águas um pouco frias, a costa recortada por pequenos rochedos e mar pouco revoltoso.

A gastronomia de peixe e marisco

Não deixe Angeiras sem comer peixe de boa qualidade, da nossa costa, num dos seus inúmeros restaurantes, mas tenha a atenção que à segunda-feira é um dia onde não há tanta abundância, sendo aconselhável reservar com antecedência.   

Para os amantes do marisco a autarquia em conjunto com alguns restaurantes, realiza em fevereiro o evento "Degustar Matosinhos", estando a decorrer a segunda edição, onde às quintas-feiras pode degustar por preços pré-determinados diversas espécies e confeção de mariscos. 

Créditos e Fontes pesquisada

Texto: Ondas da Serra com exceção do que está em itálico e devidamente referenciado.
Fotos: Ondas da Serra. 

1 - Câmara Municipal de Matosinhos
2 - Câmara Municipal, M. (2021, November). Curiosidades. Vida de Mercado.
3 - O Comando Operacional do Continente (COPCON) foi um comando militar para Portugal continental criado pelo Movimento das Forças Armadas

Galeria de fotos da Praia dos Pescadores de Angeiras

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Autor

Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social periódico, distribuído electronicamente, que visa através da inserção de notícias, promover a identidade regional, o turismo, e a divulgação/defesa do património natural, arquitectónico, pessoas, animais e tradições, dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, nomeadamente: Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca e do forma mais geral dos restantes municípios do distrito.

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