Ilídio Fernandes de Tebilhão Ilídio Fernandes de Tebilhão
quarta, 31 janeiro 2018 02:45

Ilídio Fernandes de Tebilhão Destaque

Classifique este item
(1 Vote)

Nos nossos caminhos pela Rota do Carteiro em Arouca, que liga Rio de Frades a Tebilhão, fomos encontrar uma casa que no meio das outras de pedra granítica, em tons pardos e montanhosos se destacava pela cor dos azulejos colocados que embelezavam as suas fachadas. Ficamos curiosos, batemos à porta na esperança de não sermos corridos à força e tivemos sorte, já que o proprietário interrompeu o seu almoço para nós falar. No interior da casa um fogão a lenha aquecia o lar, cá fora reinava o frio. As paredes estavam cobertas por retratos da sua vida e artefactos pitorescos.

Ilídio Fernandes de Tebilhão

Entrevista a Ilídio Fernandes de Tebilhão - Arouca

Ilídio Fernandes, conta já com 70 anos, nasceu e fez-se homem nesta aldeia Tebilhão, mas as fracas oportunidades levaram-no como outros a emigrar para a França durante a maior parte da sua vida, onde fez um pouco de tudo, mas regressou quando se reformou em 2007. Nunca casou e mantêm-se solteiro, tem seis irmãs espalhadas por Portugal e estrangeiro. Aqui nestes locais isolados é quase obrigatório ter como ele, uma boa relação com os vizinhos para se ajudarem e protegerem mutuamente.

Em relação aos azulejos disse que enfeitou a casa porque gosta e explicou-nos o seu significado; O azulejo com a inscrição “Casa do Sapateiro”, foi colocado porque foi o avô que a construiu, não soube dizer donde veio esse apelido já que ele apenas foi pedreiro. Outro painel tem o nome do local “Praça do Reboleiro” e duas são da Nazaré, colocadas apenas para embeleza. Um painel com um rebanho de ovelhas remete para o facto dele antes de ir para França, ter sido pastor e andar pelos montes apascentar os animais. A fachada tem também motivos religiosos, como não podia deixar de ser, a Nª Srª dos Emigrantes, por motivos óbvios.

Uma vida de emigrante em França

Para passar o tempo vai por vezes à França e caminha pelas serras em redor. Sobre a sua terra disse “Cada vez mais estão a desaparecer as pessoas, há 30 anos que não nasce cá uma criança, aqui já teve 25 raparigas solteiras, agora estão todas para o estrangeiro”. No local só vivem cerca de vinte pessoas, “De setenta anos sou eu e outro, cinco homens e quatro mulheres com menos de sessenta, o resto tem oitenta e noventa anos”.

Na sua aldeia realiza-se no dia 12 de agosto a festa de Santa Barbara, alguns emigrantes vêem de propósito para os festejos da sua padroeira. Ele é muito religioso por isso tem um azulejo com a Nª Srª de Fátima na chaminé.

Mostrou-nos um candeeiro que usava quando era novo para regar o milho, naquele tempo ainda não havia eletricidade, em 1965 quando foi para a França ainda não tinha sido colocada.

O outro candeeiro preto que nos mostrou servia para alumiar as minas de onde se retirava estanho em Rio de Frades e Chãs, onde também trabalhou o seu pai.

Deixamos este homem acabar o seu almoço de massa, batatas e frango e continuamos a caminhar para ali próximo junto a uma fonte encontrarmos três mulheres em alegre cavaqueira. A mais velha disse não estar vestida para a ocasião e foi-se rapidamente embora. As que ficaram foram a Fátima Teixeira, com 65 anos e Avelina Teixeira, com 66 anos.

Já no regresso e ao sair da aldeia deparamos com a idosa Albertina Aires, 84 anos, a transportar a Sagrada Família, que segundo apuramos fica dois ou três dias em cada casa.

Leia também: Rio de Frades - Rota do Carteiro

Galeria de fotos

 

Lida 1278 vezes

Autor

Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social periódico, distribuído electronicamente, que visa através da inserção de notícias, promover a identidade regional, o turismo, e a divulgação/defesa do património natural, arquitectónico, pessoas, animais e tradições, dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, nomeadamente: Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca e do forma mais geral dos restantes municípios do distrito.

Itens relacionados

Dr. Ricardo Jorge: O que é assédio laboral e como se defender

Castelo de Paiva viu nascer, há 47 anos, Ricardo Jorge, um homem amante da terra onde ganhou raízes e semeou uma grande carreira e vida familiar. O Rio Douro serpenteia por estes vales, que ele seguiu até ao Porto, onde se formou em direito. Fomos conhecer este advogado, que irradia serenidade, sabedoria e uma energia que emprega na defesa de causas legais, associativismo, andar de bicicleta ou jogar futsal com os amigos. Nesta entrevista deu-nos a conhecer as suas paixões e valores que defende. Falamos sobre a sua carreira, advocacia, direito administrativo e estado da justiça. Falamos também do direito laboral e aprofundamos a questão do assédio laboral e de que forma os trabalhadores se podem defender e quais são os seus direitos. Estas vítimas podem fazer queixa para o comportamento dos seus superiores hierárquicos ser avaliado judicialmente para eventualmente serem julgados e sancionados a nível contraordenacional ou criminal.

Meitriz aldeia de xisto com bela praia fluvial no Rio Paiva

Meitriz em Arouca é uma terra profundamente longínqua, que brotou do fundo do Vale do Rio Paiva e que conserva ainda a sua traça tradicional, recebendo a distinção de Aldeia de Portugal. O rio por ela se enamorou, fazendo-lhe uma vénia ao chegar e oferecendo-lhe uma praia fluvial para se perfumar. Ela deu-lhe volta à cabeça, ele deu-lhe voltas ao rio, tão recortadas de pasmar, não podendo ficar partiu, dando lágrimas ao lugar. Por estas terras se reconquistou e perdeu território para o Sarraceno, Almançor por aqui atemorizou, mas este povo sempre lutou e como em Moldes igrejas sempre edificou. 

Janarde bela vista do Rio Paiva e Icnofósseis de Mourinha

Janarde em Arouca foi abençoada com uma luxuriante natureza e vista soberba sobre o vale do Rio Paiva, preservando ainda algum do seu casario em xisto e socalcos agrícolas que outrora davam pão ao povo. É também uma velha terra com milhões de anos gravados na história geológica das suas rochas. O espírito de Deus ao pairar sobre as águas deu à luz a vida, tendo a sua criação moldado seres de todas as formas e feitiços, que foram vivendo e morrendo ao longo de milhões de anos. Muitos foram aqueles que nos deixaram provas da sua existência, através dos restos fossilizados dos seus corpos ou icnofósseis das pistas por onde passaram, existindo aqui um importante geossítio do Arouca Geopark, onde poderá admirar marcas deste passado. A nossa curiosidade levou-nos a fazer um pequeno trilho para conhecer esta terra, paleontologia, icnofósseis, meandros, cocheiros e biblioteca do Rio Paiva.