Pateira de Fermentelos | Uma idílica viagem à tranquilidade Pateira de Fermentelos - Foato tirada a partir de Óis da Ribeira

Pateira de Fermentelos | Uma idílica viagem à tranquilidade

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Um destes domingos com sol radioso fomos explorar a Pateira de Fermentelos ou de Espinhel como é também conhecida, localizadas em Águeda. Partimos à aventura em Oís da Ribeira, tendo começado o percurso junto ao seu parque de lazer. Como guia para a nossa caminhada seguimos o PR1, que passa também junto aos rios Cértima e Águeda.

Várzea do rio ÁguedaA Pateira é a maior lagoa natural da península ibérica, repartindo a sua localização pelos concelhos de Águeda, Aveiro e Oliveira do Bairro, antes da confluência do Rio Cértima com o Rio Águeda. É ladeada pelas freguesias de Óis da Ribeira, Fermentelos, Espinhel e Requeixo.

A Pateira é um local privilegiado para os amantes de birdwatching, o próprio nome remete para a abundância de patos nas suas águas. Há sua volta existem inúmeros caminhos em terra batida ideais para caminhadas e BTT, sempre acompanhados por várias espécies de árvores, salgueiros, loureiros, choupos e caniços.

O sussurro reinante é interrompido pelo chilrear dos pássaros ou matraquejar dos bicos das cegonhas em rituais de acasalamento, que por aqui são às centenas. Nas margens vêem-se muitas bateiras que são impulsionadas por varapaus e estão em harmonia com a natureza, mas muitas devem já ter perdido os seus donos, estando semi-submersas nas águas, numa morte lenta e dolorosa.

Este é uma rota circular e seguimos em direção a sul. Paramos para apreciar “A pedreira de rocha vermelha” que se avista nessa encosta e fazia parte de uma antiga faixa de rocha que circunda os vales dos rios Vouga e Águeda e se extraiu o conhecido “Arenito de Eirol”, que se encontra em abundância nesta zona, antigamente muito usado em construções de habitações ou no porto de Aveiro. A sua formação terá ocorrido no Triássico Superior, 213 a 219 milhões de anos, quando os dinossauros ainda habitavam o planeta e o ser humano não tinha sido moldado com barro e insufladas as suas narinas pelas mãos do criador. Não saímos deste local sem sentir com o tacto a superfície rugosa da rocha, que já existia sem a nossa presença e quem sabe se perdurará depois de nós.

Seguimos o percurso paramos no parque de merendas da Pateira de Espinhel. Aqui destacamos dois observatórios que entram pela pateira dentro, construídos em madeira e que propiciam um local privilegiado para o céu ver refletida a sua formosa figura, ou simplesmente como uns jovens motociclistas darem por ali umas voltas. Se quiser subir para ver ainda melhor, ali existe uma torre de observação. A invasão de jacintos de água é um problema que afeta esta lagoa e os rios Águeda e Cértima. Aqui existe uma máquina para os limpar, mas que será porventura insuficiente para resolver o grave problema.  

A próxima contemplação foi no Rio Cértima e seguimos para Espinhel onde visitamos a sua Igreja. Quando começavam a caminhar junto à várzea do rio Águeda, encontramos a vir do campo apoiada numa bicicleta e transportando grelos a senhora Vitoria com 78 anos, que ao ver-nos tirar fotos pensou que queríamos comprar algum terreno. Desfeitas as dúvidas e esclarecidos os nossos motivos, sempre com reservas, disse-nos com orgulho que ainda conduzia o seu automóvel.

Chegamos ao centro de Óis da Ribeira, entrando na localidade junto à sua rica Igreja Matriz, gostamos muito duma coleção de azulejos que estavam escondidos junto a uma paragem de autocarros ali perto, passamos à sede da sua Associação Filarmónica e regressamos às margens do rio.

Já era tarde e o sol já se estava a recolher, oferecendo coloridos alaranjados ao rio e à pateira, as sombras projetadas começavam a esconder a criação que tínhamos estado a contemplar.

Este percurso tem cerca de 14 quilómetros, se o fizer a caminhar de inverno, irá encontrar eventualmente muita lama nos trilhos. Os parques de lazer de Óis da Ribeira e Espinhel estão um pouco abandonados e a precisar de manutenção. Foi triste também ver algum lixo amontoado junto aos caminhos e algumas das margens do Rio Águeda cobertas por restos de plásticos que é um problema ambiental que urge combater à escala global.

Leia também: Percursos pedestres/bicicleta em Aveiro

 

 

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Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social periódico, distribuído electronicamente, que visa através da inserção de notícias, promover a identidade regional, o turismo, e a divulgação/defesa do património natural, arquitectónico, pessoas, animais e tradições, dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, nomeadamente: Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca e do forma mais geral dos restantes municípios do distrito.

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