Pedalando por Murtosa e Pardilhó

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Um destes dias fomos pedalar para Pardilhó e Murtosa e deixamos que o vento insuflasse as nossas velas e nos indicasse a navegação. Estas localidades são especiais porque sofrem a influência e absorvem a cultura da ria, muitos dos seus habitantes ainda são agricultores, pescadores e criam animais. Por todo o lado se encontram, vacas, cavalos, ovelhas ou burros a pastar.

A zona é plana, a poente temos a ria e a nascente as serras, muitos dos habitantes descolocam-se de bicicleta ou em carroças.  Quem pretender vir de comboio pode sair em Ovar, Válega, Avanca ou Estarreja para vir conhecer estas áreas. Muitas destas localidades são servidas pela ciclovia ou têm percursos da BioRia. O som é diferente, ouve-se o cantar dos pássaros, a planície não tem prédio a obstruir a visão. 

Mas vamos então ao percurso que fizemos, saímos de Ovar e fomos em direção a Pardilhó, pela Rua Dr. José Eduardo Sousa Lamy. A primeira paragem que fizemos foi na Capela de S. Gonçalo no Bunheiro, “Este edifício foi construído no último quartel do século XIX, em 1886. Sendo o centro de devoção local e regional do S. Gonçalo, santo a quem o povo recorria (e recorre) para se aliviar dos cravos e verrugas. S. Gonçalo era expedito em livrar os fieis das maleitas, pelo que, depois da cura, era necessário pagar a promessa, ato que, incluía, tradicionalmente, mostrar ao santo uma parte do corpo habitualmente ocultada”, (Fonte: Percursos NaturRia).

Ainda nesta localidade fizemos uma visita ao Café Patrão, bem nosso conhecido e com uma bonita história quando fizemos o evento “Ondas na Ria”. Aqui tomamos o nosso café matinal e trocamos dois dedos de conversa com o proprietário, António Madaleno, com 68 anos.

Passamos pela Igreja Paroquial do Bunheiro, que tem como orago S. Mateus.  A Igreja atual foi reedificada no segundo terço do século XVIII. "Segue o plano costumado; torre à direita da fachada, porta principal de duas travessas; arcos cortados nas paredes e destinados a altares, sendo dois arcos colaterais ao arco-cruzeiro e dois nos flancos; duas janelas na capela-mor (estas posteriormente ampliadas) e seis no corpo, além das duas da fachada; sendo todas rectangulares." GONÇALVES, António Nogueira - Inventário Artístico de Portugal. Lisboa: Academia Nacional de Belas Artes, 1981. Fonte: CM Murtosa.

Na freguesia do Monte podemos admirar a sua Igreja Paroquial, "Começada em 19 de julho de 1926, benzida a 29 de agosto de 1929 e inaugurada no dia seguinte." Está situada na Avenida Santo António do Monte que liga as freguesias do Monte ao Bunheiro. GONÇALVES, António Nogueira - Inventário Artístico de Portugal. Lisboa: Academia Nacional de Belas Artes, 1981. Fonte: CM Murtosa.

Ao chegar à Murtosa deparamos no cemitério, com uma árvore que nos despertou a curiosidade pela sua majestosidade e mãos dirigidas ao céu como ligação entre o profano e o divino. Alcançamos finamente o Cais do Chegado, com a ria sempre pela nossa direita fomos fazer o Percurso das Ribeiras de Veiros, que será tratado noutro artigo.

 

 

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Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social periódico, distribuído electronicamente, que visa através da inserção de notícias, promover a identidade regional, o turismo, e a divulgação/defesa do património natural, arquitectónico, pessoas, animais e tradições, dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, nomeadamente: Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca e do forma mais geral dos restantes municípios do distrito.

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