Maçores - Torre de Moncorvo: Terra do São Martinho Maçores - Torre de Moncorvo Ondas da Serra

Maçores - Torre de Moncorvo: Terra do São Martinho

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A aldeia transmontana de Maçores pertence ao município de Torre de Moncorvo e cresceu no sopé do Monte Ladeiro, cujo corpo é povoado por oliveiras e amendoeiras e ervas rasteiras de urzes, estevas, giestas, espinheiros e carquejas. Foi no meio desta idílica paisagem que um pastor de ovelhas da raça autóctone Churra contou-nos a sua Odisseia. Neste artigo vamos conhecer a história desta terra, património natural e arquitetónico, gastronomia, festas, tradições e economia. Vamos destacar alguns dos seus monumentos naturais e criados pelas artes modernas e rupestres, festa do São Martinho e percursos pedestres. Conhecemos a Comissão de Festas do São Martinho que nos recebeu na sua mesa com saborosas carnes e odoríferos vinhos. Aqui ainda se perpetuam antigos rituais pagãos de adoração aos elementos da terra, pão e do vinho que celebramos fazendo libações aos deuses para agradecer a nossa chegada a Ítaca.

Maçores - Torre de Moncorvo

Conhecemos esta aldeia transmontana de Maçores em Torre de Moncorvo quando fomos em fevereiro fazer a Rota das Amendoeiras em flor que começa na aldeia vizinha da Açoreira. Este trilho, ao contrário do que seria aconselhado, passa ao largo desta terra e, por isso, nós ficamos com vontade de voltar para a conhecer. No dia seguinte, pela manhã, fomos passear pelos seus caminhos e acabamos a seguir um pastor que ia com o seu rebanho para o Monte Ladeiro.

Conhecemos o Presidente e membros da Comissão de Festas do São Martinho de Maçores e almoçamos no Salão Polivalente da Junta de Freguesia de Maçores. Durante a tarde, calcorreamos as suas calçadas que serpenteiam pelo meio de um antigo casario em pedra e visitamos os seus monumentos religiosos e de arte moderna.

Pode ler esta reportagem na totalidade ou clicar no título abaixo inserido para um assunto específico: 

Salão Polivalente da Junta de Freguesia de Maçores

Salão Polivalente da Junta de Freguesia de Maçores

Ao caminharmos nessa ensolarada manhã por Maçores, fomos encontrar uma grande azáfama junto do Salão Polivalente da Junta de Freguesia de Maçores, inaugurado em 1997. Uma espreitadela para a cozinha revelou que os cozinheiros/as coziam carnes e cortavam legumes, e no exterior outros homens preparavam o lume para os grelhados. Calculamos com acerto que ia haver festa rija.

Carlos Fonseca na preparação do almoço da Comissão de Festas do São Martinho de Maçores

Foi um dos homens presentes no local de nome Ricardo Fernandes, que soubemos depois ser o Presidente da Comissão de Festas do São Martinho de Maçores há mais de vinte anos, que nos explicou que o Salão Polivalente da Junta de Freguesia de Maçores é usado pela Associação Cultural, Desportiva e Recreativa de Maçores e que ali iria decorreu um almoço de convívio para as pessoas da terra. Segundo o mesmo, esta associação está sem direção desde 2016, mas que iria ser reativada brevemente. Neste espaço de tempo o dinheiro proveniente do bar e destes eventos nestas instalações tem como objetivo ajudar à realização das festas São Martinho.

Almoço no Salão Polivalente da Junta de Freguesia de Maçores

Almoço na Associação Cultural, Desportiva e Recreativa de Maçores

Foi-nos explicado também que este almoço começou por ser mensal, mas de forma a conseguirem mais verbas para a festa do São Martinho e a pedido das pessoas da terra, passou a ser realizado com mais frequência, quase semanalmente ao domingo. Este encontro é aproveitado para os seus conterrâneos para conviverem e aproveitarem o resto da tarde para ficarem no salão a jogar às cartas ou na cavaqueira ao sol no exterior.

Voluntários da Comissão de Festas do São Martinho de Maçores

Voluntários da Comissão de Festas do São Martinho de Maçores: Presidente Ricardo Fernandes, Pedro Vieira, Emílio Pires, Sónia Teixeira, Diana Fonseca, Marlene Teixeira, Fernando Pereira e Carlos Fonseca

Foto: Voluntários da Comissão de Festas do São Martinho de Maçores: Presidente Ricardo Fernandes, Pedro Vieira, Emílio Pires, Sónia Teixeira, Diana Fonseca, Marlene Teixeira, Fernando Pereira e Carlos Fonseca (da esquerda para a direita).

O repasto foi confeccionado por voluntários da Comissão de Festas do São Martinho de Maçores e composto por pratos tradicionais portugueses, sopa, cozido, carnes grelhadas e sobremesas acompanhados por bom vinho duriense. Foi-nos permitido participar neste convívio que nos encheu a alma e foi uma forma magnífica de conhecermos o povo de Maçores e alguns dos seus usos e costumes. Aproveitamos também para ver as fotografias espalhadas pelas paredes do tradicional São Martinho de Maçores, que nos despertou a curiosidade para o vir conhecer e participar nos seus rituais.

Pastor transmontano de ovelhas da raça Churra de Maçores 

Pastor transmontano António Pereira, de ovelhas da raça Churra de Maçores

Conhecemos o alegre pastor transmontano António Pereira de Maçores em Torre de Moncorvo quando andava com as suas ovelhas a pastar no Monte Ladeiro, desde o começo do dia até à noite findar. O seu rebanho da raça autóctone Churra é um dos últimos da sua aldeia e tem mais de setenta e cinco animais. Pela manhã tira ovelhas da corriça e com ajuda dos cães leva-as para pastar.

Os seus animais descendem dos primeiros rebanhos que começou a criar há mais de trinta anos, que conhece pelos sinais e diz conseguir identificar a todos no meio de rebanho alheio. Para este homem, as forças já foram como grossos mares, mas como o granito das serras aguenta com estoicismo a severidade de Trás-os-Montes. Estivemos à conversa com este pastor que nos concedeu uma entrevista e nos permitiu passar uma bela manhã na sua companhia no meio do nosso ambiente de serras, ovelhas e cães.

Amendoeiras em flor com cinco pétalas brancas ou rosáceas

Amendoeiras em flor - Maçores - Torre de Moncorvo

Nos arredores da aldeia, há alguns núcleos de amendoeiras que nos meses de fevereiro de março ficam mais bonitas. Sentem a chegada da Primavera e florescem com as suas cinco pétalas de cores branca e rosadas num espetáculo luminoso, perfumado e atrativo, que emudece o mais irrequieto espírito.

Caracterização de Maçores - Torre de Moncorvo1 

"Atualmente com 169 habitantes, a aldeia de Maçores encontra-se protegida pelas fraldas do Monte Ladeiro, tendo os ribeiros de Grava e Santa Marinha a rodeá-la. Segundo o Abade de Baçal, o topónimo Maçores formou-se a partir do vocábulo "Masores" que exprime o sentido de executores de testamentos e mandas, de que derivou "Massores", seguindo-se Maçores. No que diz respeito à onomástica "Mosoores" derivou de "Mosores", palavra associada a moleiros, o que faz sentido pelo facto de terem existido nesta povoação vários moinhos que moíam o cereal na Ribeira de Santa Marinha (in: Fernandes, Ilda – Maçores, Minha terra minha gente, ed. CMTM, 2003, pp. 29-30)."

Património natural de Maçores - Torre de Moncorvo

"No termo da antiga freguesia de Maçores, é de realçar o Monte Ladeiro e as Fragas da Maceira, do Pindão, do Arco e da Costa."

"Em Maçores, destaca-se a Igreja Matriz e a Capela de Santa Cruz. O conjunto rural da aldeia de construção em xisto, aliado aos notáveis palheiros, muitos deles de planta semicircular, são motivos para uma visita a esta localidade. É igualmente de mencionar a Quinta do Guapo Velho e a Quinta do Gandona."

"Fumeiro, queijo de ovelha e cabra."
"S. Martinho (11 de Novembro) – festa muito típica e peculiar, com caraterísticas únicas da região. Além de castanhas assadas a população bebe de um caldeiro cheio de vinho que é transportado numa vara levada ao ombro por dois homens.

Tradições: Tecelagem (tapetes e colchas de lã), ferrador, rendas."

"Agricultura (olivicultura, amendoal e vinha) e pastorícia"

União de Freguesias de Felgueiras e Maçores - Torre de Moncorvo

As aldeias de Felgueiras e Maçores fazem parte da mesma freguesia portuguesa do município de Torre de Moncorvo, com 38,93 km² de área. Para além de Felgueiras e Maçores, a União de Freguesias é composta por mais uma aldeia da antiga freguesia de Felgueiras - Quintas do Corisco, que tem a agricultura como atividade principal e comemora a Nª Sraª de Fátima no último fim-de-semana de maio.

A festa do São Martinho de Maçores

"Maçores, freguesia do município de Torre de Moncorvo, celebra-se, por tradição, o seu produto de excelência – o vinho. É uma celebração muito antiga, talvez de origem pagã, que terá sido cristianizada, instituindo São Martinho como seu patrono. A 11 de novembro realiza-se a festa, com um magusto comunitário, distribuição de castanhas assadas e provas de vinho novo, com um ritual apropriado e único. " (Tiza, 2014-2015)

"Ao falar da festa de São Martinho de Maçores estamos justamente a referir-nos a uma celebração semi-pagã e celta e semi-cristã: “a festa mais típica do concelho de Torre de Moncorvo (…) que se celebra a 10 e 11 de Novembro”. Estaremos, porventura, perante resquícios das antigas celebrações pagãs nesta região – o culto ao vinho como produto de excelência desta terra, desde a Antiguidade, o espirituoso néctar dos deuses. É que “muitas das vezes, são celebrações cristãs de mistura com inúmeras reminiscências pagãs e torna-se, por vezes, difícil separar umas das outras” .

Também o Abade de Baçal confirma estas suspeitas de paganismo: “estes festejos do São Martinho correspondem às Bacanais ditas Antestérias e Oscofórias pagãs, celebradas pelos dionisíacos no princípio de novembro em honra de Semele, em reconhecimento das uvas chegadas ao lagar”3 . Partindo, então, do princípio de que se trataria de prestar culto ao vinho, uma vez cristianizada a festa, passou São Martinho a concentrar as celebrações e, consequentemente, a assumir as funções de patrono e “santo amigo dos bons bebedores” .

A prova desta conotação de cariz popular está no vasto conjunto de adágios e provérbios que a ela associam o santo. Alguns exemplos:

Em dia de São Martinho, prova o teu vinho;
No dia de São Martinho, vai à adega e prova o vinho;
No dia de São Martinho, lume, castanhas e vinho;
Pelo São Martinho fura o teu pipinho.
Pelo São Martinho, todo o mosto é bom vinho.

(Tiza, 2014-2015)

Marcos do São Martinho de Maçores, "vinho na caldeira, as castanhas e o gaiteiro

  • Gaiteiros, "Vindo de Terras de Miranda, o gaiteiro chega na véspera do dia festivo. Se o gaiteiro anuncia a festa, a sua chegada é anunciada com o ribombar de foguetes. Outrora, fazia-se um sorteio entre os mordomos para se apurar quem devia recebê-lo em sua casa naquela noite. Hoje em dia, este ritual deixou de se realizar. Aliás, os mordomos na actualidade são dirigentes da Associação Cultural e Recreativa de Maçores, que assumiu a organização da festa, em parceria com o executivo autárquico da freguesia." (Tiza, 2014-2015)

  • Gaita de foles, "A festa de São Martinho de Maçores exige, como condição sine qua non, a música da gaita de foles. Digamos que, tal como nas festas tradicionais do ciclo de inverno do distrito, não há festa sem gaita nem gaiteiro Pode até acontecer que sejam contratados dois ou três gaiteiros que, tocando em uníssono, conferem um brilhantismo acrescido aos rituais. Também este elemento nos remete para a influência da cultura celta nestas terras transmontanas.

    Esta é a música sagrada da festa de São Martinho: “há três coisas que não faltam na festa”, refere o padre Joaquim Manuel Rebelo, citando um ancião da terra, “o vinho na caldeira, as castanhas e o gaiteiro”
    " (Tiza, 2014-2015)

  • Prova do vinho, "A festa começa mesmo na véspera à noite, como sempre. Juntam-se uns quantos voluntariosos à volta do gaiteiro e logo dão umas rondas para fazerem as provas de vinhos, supostamente para que o gaiteiro possa fazer os ensaios mínimos das cantigas que deve executar no dia seguinte." (Tiza, 2014-2015)

  • Missa solene e procissão, "Sendo São Martinho o orago de Maçores, a componente religiosa e católica integra forçosamente os elementos da festa: missa solene e procissão com o andor do santo em grande destaque, abrilhantada pela céltica música da gaita de foles. A componente profana e pagã vem mais tarde: “é uma festa imbuída de grande originalidade, onde o sacro e o profano se misturam e completam numa simbiose perfeita”10. O arraigo do povo a esta festa sui generis fez com que ela se tivesse mantido, com ambos os elementos em convivência harmoniosa, até aos nossos dias." (Tiza, 2014-2015)

  • A Caldeira, "A caldeira é um recipiente de uso doméstico no meio rural. Trabalhada em latão, também se pode designar de lato; aliás, é justamente a partir deste termo que se formou a designação dos profissionais que fabricam os utensílios desta gama – os latoeiros. As caldeiras são cilíndricas, têm uma asa de ferro e redonda por cima da abertura e que serve para as dependurar no cadeado sobre a fogueira. São usadas para a confeção das viandas do gado suíno e das bestas, em geral. Nelas se cozem as batatas, os nabos, as beterrabas, as couves ou as folhas de negrilho.

    Festa do São Martinho de Maçores

    A caldeira usada na festa nunca foi usada; é novinha em folha, uma vez que a do ano anterior foi adquirida por algum entusiasta que a guarda como uma verdadeira relíquia. Na feira da vila, do dia 8 de novembro, os mordomos “compram adrede uma caldeira nova para o vinho”; de outra forma não poderia ser e tudo tem de estar em conformidade: para vinho novo, caldeira nova. São dois jovens que transportam a caldeira, enfiando uma vara com cerca de dois metros de comprimento na asa de ferro e segurando cada um deles em sua extremidade.

    Vão recolhendo vinho, que despejam na caldeira, à passagem pelas casas dos lavradores que o produzem em quantidade e qualidade. Mas logo se vai consumindo, porque toda a gente tem de beber diretamente do caldeiro, os que participam no cortejo festivo e os transeuntes locais ou forasteiros. A caldeira torna-se, nesta altura, o centro de todas as atenções: por um lado, nunca o vinho nela pode faltar e, por outro, todos dela devem beber. A “procissão” também não pára; gaiteiro à frente, “toca-se, canta-se e dança-se e dá-se de beber a quem passa.
    " (Tiza, 2014-2015)

  • O Magusto, "O magusto constitui o momento convivial mais marcante da festa, o sacrifício quase litúrgico do qual todos deviam comungar; acontece na tarde do primeiro dia, no largo das Eiras. Trata-se, de facto, de um espaço amplo, capaz de acolher todo o povo e os forasteiros. O combustível da fogueira é simplesmente colmo de centeio (denunciador da cultura deste cereal na localidade e no município); estacionada no largo, encontra-se uma camioneta carregada de palha comprida para assar castanhas; é que os moradores do povo e os visitantes fazem um bom ajuntamento.

    Braçadas de colmo são colocadas no centro do largo, que é das eiras, onde até há poucos anos se faziam as malhas e se amontoava a palha em graciosos medeiros. Era, por isso, que aqui mesmo que se encontrava a palha feita combustível, em dia de São Martinho. Mesmo que a chuva tivesse vindo a cântaros, a palha assim acondicionada mantinha-se seca no interior dessas pirâmides de palha. Hoje as eiras já não têm medeiros nem palha. Mas a tradição mantêm-se, sendo que, para isso, a palha ou vem de fora do lugar ou os mordomos (leia-se associação cultural) procederam à sua recolha segundo os processos tradicionais." (Tiza, 2014-2015)

  • As Castanhas, "As castanhas são atiradas para o monte de palha que, num instante, se incendeia. Com paus compridos, remexe-se aquela mistura incandescente; o fogo vai assando as castanhas e aquecendo a multidão envolvente. O combustível é de pouca duração; faz um lume de festa, mais rápido ainda que o de giesta; quase a extinguir-se, removem-se as castanhas que já têm a cor negra do fumo; porém, falta mais fogo para que se possam dar por assadas.

    Alguns chegam-se à frente para tirar a prova. Mais um pouco de calor, mais palha para a fogueira. Agora sim, todos vão levantar a sua ração de castanhas assadas. Todos se agacham, homens e mulheres, jovens e crianças; chegam-se à frente e logo recuam com as mãos cheias. Vão comendo e bebendo, dando e repartindo por uns e outros, consoante as simpatias ou os amores declarados ou pretendidos; são gestos resultantes da libação que acaba por criar o espírito de festa, propício à libertação das ansiedades e à manifestação dos sentimentos contidos: in vino veritas.
    "  (Tiza, 2014-2015)

    Festa do São Martinho de Maçores

  • Garrafões de vinho clarete e jeropiga, "Circulam por entre o ajuntamento garrafões de vinho clarete e jeropiga. Bebe-se, em quantidade. Mas o fogo do magusto não pode parar; há muita castanha para assar para os presentes e os ausentes que, por motivos que só a eles dizem respeito, ficaram em casa. Então, lançam-se mais braçadas de palha comprida de centeio, mais sacadas de castanhas que outros vão revolvendo, com o auxílio das varas; mais e mais palha, castanhas na fogueira, mais garrafões a circular por entre o povo e mais vinho a escorrer pelas gargantas." (Tiza, 2014-2015)

  • Cara enfarruscada com cinza a marca do fogo sagrado, "Nesta altura, a brincadeira instala-se no recinto das Eiras, entre todos, novos, velhos e crianças. É preciso que todos recebam a marca do magusto, o selo do fogo sagrado com que se assaram as castanhas. Cada um dá e recebe; para isso, basta meter a mão na massa das cinzas, (a parte restante do fogo há de ter também utilizações rituais), e enfarruscar o rosto dos presentes com a marca do fogo sagrado que ali aconteceu e ao qual todos assistiram, um sacrifício sagrado-pagão feito comunhão de todo um povo. É a marca inegável e visível da participação de cada um e de todos no magusto – a martineja, “o tributo pago, pelo São Martinho em Trás-os-Montes”. " (Tiza, 2014-2015)

    Festa do São Martinho de Maçores

  • A genuflexão , o ritual de beber o vinho, "A genuflexão para venerar o produto de excelência da terra. O ato ritual de beber o vinho é simples, mas tem que ser observado. Os mordomos colocam a caldeira no chão. Então, o devoto de São Martinho que foi convidado ou, se necessário, intimado, ajoelha-se; faz uma profunda vénia à caldeira, de maneira a introduzir o rosto nela; toca com os lábios no vinho e bebe; levanta-se como se fosse um homem novo.

    Na verdade, o devoto desobrigou-se por este ano, cumpriu o seu dever pelo sacrifício da libação sagrada e purificante. Outros levantam a caldeira e, suportando-a com a força dos próprios braços, bebem de pé, pousando nela os lábios como se fosse o bordo de um jarro. Cumpriu igualmente o seu dever; todos participaram na libação e, por isso, receberam a bênção do santo.
    " (Tiza, 2014-2015)

Fotos: As fotos acima exibidas da Festa do São Martinho de Maçores estão afixadas no Salão Polivalente da Junta de Freguesia de Maçores

Monumento da Celebração do São Martinho de Maçores

Monumento da Celebração do São Martinho de Maçores

O monumento denominado "Celebração do São Martinho de Maçores" fica situado na Rua da Fonte - Maçores - Torre de Moncorvo. Esta obra foi criada pelo artista, Joaquim Álvares de Sousa, a pedido da Comissão de Festas de 2019, com a colaboração da União de Freguesias de Felgueiras e Maçores e do Município de Torre de Moncorvo. Este monumento foi inaugurado em 09 de novembro de 2019, sendo constituído por três esculturas metálicas estilizadas de homens, onde se destaca um homem deitado sobre um recipiente que representa a genuflexão, a seguir descrita, que se realiza durante os festejos deste santo, para venerar o vinho produto de excelência da terra.

A genuflexão para venerar o vinho da terra

"O ato ritual de beber o vinho é simples, mas tem que ser observado. Os mordomos colocam a caldeira no chão. Então, o devoto de São Martinho que foi convidado ou, se necessário, intimado, ajoelha-se; faz uma profunda vénia à caldeira, de maneira a introduzir o rosto nela; toca com os lábios no vinho e bebe; levanta-se como se fosse um homem novo. Na verdade, o devoto desobrigou-se por este ano, cumpriu o seu dever pelo sacrifício da libação sagrada e purificante. Outros levantam a caldeira e, suportando a com a força dos próprios braços, bebem de pé, pousando nela os lábios como se fosse o bordo de um jarro. Cumpriu igualmente o seu dever; todos participaram na libação e, por isso, receberam a bênção do santo." (Tiza, 2014-2015) 

Festa de Verão em honra do Mártir São Sebastião e Emigrante

A Festa do Mártir São Sebastião e Emigrante realiza-se em agosto e é onde não podem faltar as celebrações religiosas, música moderna e tradicional com folclore, porco no espeto e uma curiosa volta às cubas de bicicleta.

Igreja Matriz de São Martinho de Maçores

Igreja Matriz de São Martinho de Maçores

"Datável do séc. XVIII, a sua arquitetura é singela, harmoniosa e elegante, é uma pequena igreja composta por nave única e capela-mor. A fachada apresenta um frontispício que é rematado com uma guarnição em granito, e no centro por torre sineira, que termina com uma cruz. O interior possui seis altares, contendo vários painéis pintados e esculturas de interesse."1

Capela de Santa Cruz de Maçores

Capela de Santa Cruz de Maçores

"Fundada em 1601 por Domingos Afonso Pinheiro para nela se celebrar missa e fundar uma confraria de invocação a Santa Cruz. De arquitetura simples, construída em xisto, possui frontispício que termina na torre sineira encimada pela cruz de malta. No interior possui um único altar de talha dourada com a imagem de Nossa Senhora da Glória."

Foto: Câmara Municipal de Torre de Moncorvo

Capela de Maçores - Torre de Moncorvo

Capela de Maçores - Torre de Moncorvo

"A Capela de Maçores fica inserida no seio de um amendoal junto do campo de futebol de Maçores."2

Palheiros de Maçores - Torre de Moncorvo

Palheiros de Maçores - Torre de Moncorvo

"Os palheiros de Maçores são umas construções tradicionais construídos em xisto de planta retangular ou excecionalmente, arredondada, apenas com abertura para a porta. Estes palheiros distribuem-se em redor do largo das eiras e por um arruamento do lado poente da aldeia. Servem de cenário a uma peculiar festa de S. Martinho, realizada a 11 de Novembro de cada ano."1

Gravuras Rupestres do Pé Quente - Maçores

Gravuras Rupestres do Pé Quente - Maçores

"Damos a conhecer com carácter preliminar o sítio arqueológico inédito do Pé Quente, localizado na freguesia de Maçores, concelho de Torre de Moncorvo. Trata-se de uma nova estação de arte rupestre, integrada por três rochas e vários painéis nos quais foram gravados por picotagem e/ou abrasão diversos motivos, entre eles cinco podomorfos, a silhueta de duas mãos, um antropomorfo, um semicírculo “ferraduriforme”, uma data e outros elementos de identificação menos evidente." (d'Abreu, 2021)

"O núcleo de gravuras rupestres do Pé Quente, localiza-se na confluência da Canada da Meca com a Ribeira da Gravata, a cerca de 3,5 km do centro da aldeia. Trata-se de um arqueossítio inédito, não obstante a sua proximidade ao Parque Arqueológico do Vale do Côa e ao Baixo Sabor, zonas que foram alvo de intensas prospeções arqueológicas e nas quais se identificaram numerosas estações de arte rupestre e até abundante arte móvel." (d'Abreu, 2021)

Foto: museudamemoriarural.pt/revistamemoriarural

Percursos pedestres PR14 – Rota das Amendoeiras - Aldeias de Açoreira e Maçores

O percurso pedestre PR14 - Rota das Amendoeiras tem início e fim na aldeia da Açoreira, passando também pela aldeia de Maçores, em Torre de Moncorvo. Nos meses de fevereiro e março, este trilho fica enfeitiçado pelas amendoeiras em flor, com os montes cobertos por mantos brancos e rosados. Pelos seus braços, avista-se o Rio Douro e os socalcos vinhateiros, a Serra do Reboredo, a aldeia de Maçores e a sua capela no meio do olival. Os viandantes são recebidos por fileiras de amendoeiras, oliveiras e por vezes centenários carvalhos. Cruzámo-nos com a Rota das Pipas, feitiços, um cão de gado transmontano e horizontes longínquos montanhosos que é onde gostamos de estar.

Percurso pedestre PR16 - Rota das Fragas - Aldeia de Maçores

"A Rota das Fragas com início em Maçores é marcada por várias formações xistosas das quais se destacam a Fraga do Arco e a Fraga da Maceira, invulgares monumentos do património natural. Durante o percurso podem ser apreciadas as paisagens sobre a aldeia de Maçores, Urros, Peredo e o Rio Douro."1

Créditos e Fontes pesquisadas

Texto: Ondas da Serra com exceção do que está em itálico e devidamente referenciado.
Fotos: Ondas da Serra.
1 - www.cm-moncorvo.pt
2 - Flyer da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo

Referências bibliográficas

Peixoto, A. (1916). Minha terra e minha gente. F. Alves.

TIZA, A. P. Maçores. A festa de São Martinho. Publicación Ibérica de Antropología y Culturas Populares 2014-2015 n. º 21, 101.

d'Abreu, C., Ladra, L., & Velasco, A. M. (2021). Memória Gráfica dos Pastores Raiano-Durienses Notícia Preliminar das Gravuras Rupestres do Pé Quente (Maçores, Torre de Moncorvo). Revista Memória Rural, (4), 184-207.

Agradecimentos

Rosa Maria do Ondas da Serra - Aldeia de Maçores - Torre de Moncorvo

O Ondas da Serra agradece à Comissão de Festas do São Martinho de Maçores a forma como nos recebeu e esperamos no futuro fazer uma reportagem dos seus festejos tradicionais. 

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Autor

Rosa Maria

Rosa Maria, é Diretora/Editora do Orgão de Comunicação Social, Jornal Online, Ondas da Serra, inscrito na ERC - Entidade Reguladora para a Comunicação Social, registo nº 126907 de 16-FEV-2017, com o Cartão de Equiparada a Jornalista n. TE-734 A, cofundadora da marca Ondas da Serra, registada no INPI - Instituto Nacional da Propriedade Industrial, processo nº 567314, publicado no Boletim de Propriedade Industrial nº 190/2016, de 30 de Setembro 2016.

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