Ondas da Serra

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Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social periódico, distribuído electronicamente, que visa através da inserção de notícias, promover a identidade regional, o turismo, e a divulgação/defesa do património natural, arquitectónico, pessoas, animais e tradições, dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, nomeadamente: Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca e do forma mais geral dos restantes municípios do distrito.

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A terra deu à luz o Parque Nacional da Peneda-Gerês, que nasceu com belezas até onde a vista alcança. Para aqueles mirantes que gostam de sentir o respirar montanhoso e prostrar-se com humildade perante tão arrepiantes paisagens de frios penedos, calorosos céus, profundos vales e longínquos horizontes, o homem ofertou-lhes altares com conhecidos miradouros. Neste artigo vamos conhecer aqueles que nos cativaram e abraçaram o sentimento, porque o Gerês é todo ele um miradouro para percorrer sem pressas, com respeito e devoção, respeitando o solo sagrado e os seres que lá vivem.

O Parque Nacional da Peneda-Gerês, com meio século de vida possui riquezas e sabedorias ancestrais ainda por desvendar. Este vasto território estende-se por Portugal e Espanha, montes e vales, ribeiras e albufeiras. Neste artigo vamos desbravar este território, conhecer os seus municípios, portas de entrada, história, icónicas aldeias, miradouros de arrepiar, santuários para rezar e caminhadas de encantar. Vamos, contudo, alertar para os problemas que o afetam e como o proteger da invasão desenfreada, no meio de um país queimado pelos fogos e plantado anarquicamente por eucaliptos.

A história vareira de Ovar está profundamente enredada na pesca artesanal, onde grossos mares reclamaram tantas vidas. As suas varinas saindo de canastra à cabeça, vergadas pelo jugo do peso, caminhando descalças muitas léguas sem fraquejar ou reclamar, apregoavam com rouca marítima voz, “Sardinha do nosso mar”, pelos cantos recônditos do nosso distrito e arredores, levando o seu vozeirão até à longínqua Régua. As companhas de pesca às centenas, pescando cegamente com Arte Xávega, foram morrendo e hoje neste concelho são menos que os dedos da mão. Um destes dias ainda com noite fechada, arremetemos pelo formoso mar, navegando com os pescadores da “Companha Jovem”, a única sobrevivente da praia do Furadouro. É esta história que vamos contar, as vivências destes robustos pescadores, com as suas glórias e angústias, últimos representantes duma arte tradicional que merecia mais atenção, para não deixar morrer a nossa memória, porque nem tudo são cantigas ou distribuição anárquica de subsídios. 

A Praia Fluvial do Castelo, fica localizada na freguesia de Fornos em Castelo de Paiva, sendo banhada pelas amenas águas do Rio Douro. O Rio Paiva aqui desagua em frente à sua amada Ilha dos Amores, que outrora fortificada defendia cristãos de ataques de muçulmanas gentes e ajudou a fundar a Lusitânia Pátria. O seu enquadramento natural, desportos náuticos e infraestruturas oferecidas fazem dela uma das melhores da região. Este é também um lugar para gente jovem, que atravessa a nado até à ilha e do cimo de temerosos penedos se precipitam como loucos, em saltos vertiginosos, para as tranquilas águas do rio. Durante o verão, aos fins-de-semana há uma grande azáfama de embarcações a motor, por vezes fazendo perigar a segurança dos banhistas. As ondas arremetem para a praia, à passagem dos grandes cruzeiros, com turistas a ver as vistas das arribas do Douro, que acenam alegremente, mas lançando invejosos olhares ao povo que se refresca na praia.

Meitriz em Arouca é uma terra profundamente longínqua, que brotou do fundo do Vale do Rio Paiva e que conserva ainda a sua traça tradicional, recebendo a distinção de Aldeia de Portugal. O rio por ela se enamorou, fazendo-lhe uma vénia ao chegar e oferecendo-lhe uma praia fluvial para se perfumar. Ela deu-lhe volta à cabeça, ele deu-lhe voltas ao rio, tão recortadas de pasmar, não podendo ficar partiu, dando lágrimas ao lugar. Por estas terras se reconquistou e perdeu território para o Sarraceno, Almançor por aqui atemorizou, mas este povo sempre lutou e como em Moldes igrejas sempre edificou. 

As margens da extensa laguna da Ria de Aveiro, oferecem aos amantes da natureza, birdwatching, caminhadas e BTT, inúmeros locais paradisíacos para explorar. Alguns destes percursos estão já devidamente referenciados, mas há outros menos conhecidos que permitem viajar na companhia da ria, pelo lado lunar, por trilhos em terra batida, taludes ou passadiços. O Ondas da Serra ao longo do tempo foi explorando estes recônditos caminhos, catalogando e unindo alguns percursos menos conhecidos. Neste artigo vamos dar-lhe a conhecer um trilho entre Ovar e Aveiro, com mais de 80 quilómetros, pelo lado nascente da ria, assinalar cais, ribeiras e esteiros, pontos de interesse, fauna e flora. Vamos também disponibilizar os arquivos de tracking para os seus aplicativos de desporto, de forma a poderem também seguir a nossa exploração.

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