O regresso do Vouguinha à ‘Linha do Vale das Voltas’ Destaque

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É debruçado num varandim sobre o tempo que o Vouguinha percorre a via-férrea estreita de Aveiro. O comboio histórico tem como destino Macinhata do Vouga, no concelho de Águeda. A sua última viagem está marcada para 30 de Setembro. As três carruagens do início do século XX estarão de regresso em 2018 com a promessa de muitas mudanças.

O regresso do Comboio Histórico do Vouga

É impossível não pensar em quem inventou o comboio enquanto se aguarda pela hora de partir. A locomotiva a diesel serpenteia 35Km entre as 13h40 e as 19h08, exclusivamente aos Sábados. O regresso ao passado inclui uma visita ao museu ferroviário de Macinhata do Vouga, a oferta de produtos regionais e animação musical sob responsabilidade do Grupo Folclórico e Etnográfico de Macinhata do Vouga. O teatro realizado no interior das carruagens e Museu Ferroviário de Macinha do Vouga está a cargo do grupo de teatro TEMA - Teatro Espontâneo de Macinhata do Vouga, pertencente ao Clube Macinhatense.

O azul vibrante da locomotiva, fabricada no País Basco em 1964, reflecte uma época em que os comboios revolucionaram a sociedade, com a indústria e a tecnologia a serem movidos a todos o vapor. A composição é ainda estruturada por três carruagens com nacionalidades distintas: uma foi construída na Bélgica em 1908, outra na Alemanha em 1925, e outra em Portugal em 1923. Os varandins exteriores permitem viajar à janela e alimentar a curiosidade dos passageiros apaixonados por comboios históricos.

Leia também: ‘Vouguinha’ - O Único Comboio de Via-Férrea Estreita Que Prossegue Viagem

Eduardo Ribeiro, residente no Porto, não se senta um minuto. Prefere estar nos varandins, a espreitar para todos os lados e a absorver o que consegue. Comprou o bilhete na expectativa de reviver tradições e de conhecer sítios que apenas visitou de carro: “São iniciativas como a da CP – Comboios de Portugal que permitem conhecer aquilo a que se chama de Portugal profundo”, refere com um sorriso rasgado. Em comum com vários ocupantes das três carruagens tem o facto de já ter viajado na linha do Douro, um percurso com uma beleza invejável.

As curvas do Vouguinha pela linha do ‘Linha do Vale das Voltas’

O regresso ao passado apenas ficará completo com a concretização do projecto de trazer o vapor de volta ao Vouga. A limpeza das bermas da via férrea é um dos principais motivos para a suspensão da ideia para 2018. O investimento de 140 mil euros realizado pela CP na reabilitação das carruagens e da locomotiva a diesel é uma forma de dinamizar a região de Aveiro, com destaque para os concelhos Águeda e Albergaria-a-Velha.

Paula Delgado, de Gafanha-da-Nazaré, aproveitou o Sábado de 23 de Setembro para celebrar o aniversário com a família de uma forma pouco convencional. O desejo de conhecer a única linha de via estreita de Portugal concretizou-se num passeio por um dos mais charmosos passeios ferroviário do nosso país.

Christina escolheu a carruagem três para fazer o percurso histórico do Vouguinha. Aos 70 anos de idade, a californiana tomou a decisão de se mudar para Portugal e descobrir o país durante um ano. A viver há menos de um mês no Norte, não se arrepende da decisão radical na sua vida. “Ouvi falar da viagem da internet”, refere a norte-americana. 

O Comboio Histórico do Vouga resulta de uma parceria entre a CP- Comboios de Portugal, a Câmara Municipal de Águeda e a Junta de Freguesia de Macinhata do Vouga. Conhecida por “Linha do Vale das Voltas”, este percurso turístico dos tempos modernos é o único troço ferroviário português de via estreita em funcionamento.

Apesar do desconforto denunciado por Jorge, de apenas 12 anos, os momentos que o comboio proporciona e a oportunidade única de conhecer um dos símbolos da região de Aveiro durante o século XX fazem a viagem valer a pena.

Vídeo do Comboio Histórico do Vouga

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Vídeos do Comboio Histórico do Vouga

 

 

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Autor

Ricardo Grilo

Histórias capazes de entrar em contacto com as emoções de quem as lê justificam a minha paixão pelo jornalismo. Natural de Santa Maria da Feira, acredito no potencial de um concelho em ensaios para escrever a sua autobiografia. Aos 24 anos, e enquanto colaborar do ‘Ondas da Serra’, procuro a beleza em escrever sobre uma terra tão especial.

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