segunda, 19 junho 2017 23:05

Cores e sabores da Feira de Espinho Destaque

Classifique este item
(3 votos)

A proliferação das grandes superfícies comerciais é uma das causas do desaparecimento das chamadas feiras tradicionais. A Feira de Espinho, que se realiza à 2.ª feira na Avenida 24, "já teve dias melhores", como alguns feirantes afirmaram ao "ONDAS DA SERRA".

História da Feira de Espinho

A Feira de Espinho está a comemorar 123 anos de existência. Só a partir de 1914 é que este mercado de rua passou a ser semanal, atraindo muitos visitantes àquela cidade do litoral para comprarem vestuário, calçado, flores, pão, fruta, hortaliça, peixe, carne, cerâmica, ferramentas, animais (coelhos, patos, galinhas), entre outras coisas. 

Os fregueses das cidades vizinhas chegam à feira de carro ou de comboio, e as ruas de Espinho fervilham de vida neste dia da semana. À entrada do recinto de venda é uma azáfama, com os vendedores de fruta a apregoarem a doçura da bela cereja: "Eu estou maluco, eu estou maluco", grita um vendedor, dando a provar a sua fruta. "Aqui é tudo muito baratinho", garante o feirante.

O "ONDAS DA SERRA" foi de banca em banca, como se pode comprovar nas 20 fotos que lhe oferece na galeria.

As simpáticas senhoras do fumeiro e dos queijos, dos nabos, da louça de barro (onde não pode faltar o galo de Barcelos), confessaram-nos que a Feira de Espinho "devia de ser mais acarinhada". Mas foi a senhora dos balões que colocou o dedo na ferida: "As feiras bateram no fundo. Não há poder de compra!". A senhora dos balões, como é conhecida na feira a Sr.ª Maria das Dores, afirmou, sem papas na língua, que a maioria dos emigrantes chegam a Portugal "tesos" e que alguns "ainda vêm comer o pouco que os familiares têm". Sinais dos tempos!

A Feira de Espinho, apesar de já não ser a feira de antigamente, ainda continua a deliciar os forasteiros e os turistas que por lá passam, principalmente nesta época do ano em que o sol brilha e a praia está ali mesmo ao lado. Mergulhe o olhar nas cores e sinta os cheiros deste afamado mercado ao ar livre. Vai ver que não se vai arrepender! Se tiver sorte, ainda encontra a senhora que vende "balões com som". Pergunte-lhe o que é que ela mete dentro dos balões para fazer aquele barulhinho que atrai a clientela...

Mais uma coisa: não fique apenas pelo COMEÇO do mercado, conheça também "o FIM da feira", onde passa o "Vouguinha", um comboio como este lugar... De outro tempo!

Vídeo sobre a Feira de Espinho

Lida 1279 vezes

Autor

Fernando Pinto

Fernando Manuel Oliveira Pinto nasceu no dia 28 de junho de 1970, em Ovar. Jornalista profissional, fotógrafo e realizador de curtas-metragens de vídeo. Escreve poesia e contos. A pintura é outra das suas paixões. Colaborador do "Ondas da Serra".

Itens relacionados

Ria de Aveiro: Conheça belo trilho escondido para BTT

As margens da extensa laguna da Ria de Aveiro, oferecem aos amantes da natureza, birdwatching, caminhadas e BTT, inúmeros locais paradisíacos para explorar. Alguns destes percursos estão já devidamente referenciados, mas há outros menos conhecidos que permitem viajar na companhia da ria, pelo lado lunar, por trilhos em terra batida, taludes ou passadiços. O Ondas da Serra ao longo do tempo foi explorando estes recônditos caminhos, catalogando e unindo alguns percursos menos conhecidos. Neste artigo vamos dar-lhe a conhecer um trilho entre Ovar e Aveiro, com mais de 80 quilómetros, pelo lado nascente da ria, assinalar cais, ribeiras e esteiros, pontos de interesse, fauna e flora. Vamos também disponibilizar os arquivos de tracking para os seus aplicativos de desporto, de forma a poderem também seguir a nossa exploração.

Janarde bela vista do Rio Paiva e Icnofósseis de Mourinha

Janarde em Arouca foi abençoada com uma luxuriante natureza e vista soberba sobre o vale do Rio Paiva, preservando ainda algum do seu casario em xisto e socalcos agrícolas que outrora davam pão ao povo. É também uma velha terra com milhões de anos gravados na história geológica das suas rochas. O espírito de Deus ao pairar sobre as águas deu à luz a vida, tendo a sua criação moldado seres de todas as formas e feitiços, que foram vivendo e morrendo ao longo de milhões de anos. Muitos foram aqueles que nos deixaram provas da sua existência, através dos restos fossilizados dos seus corpos ou icnofósseis das pistas por onde passaram, existindo aqui um importante geossítio do Arouca Geopark, onde poderá admirar marcas deste passado. A nossa curiosidade levou-nos a fazer um pequeno trilho para conhecer esta terra, paleontologia, icnofósseis, meandros, cocheiros e biblioteca do Rio Paiva.

Aprenda como se ensinava no Museu Escolar Oliveira Lopes

A história dos irmãos Oliveira Lopes de Válega que construíram uma escola

Esta é a história de dois irmãos do Cadaval – Válega que no começo do século XX, resolveram combater a expensas próprias o analfabetismo e mandaram erigir uma escola na sua terra que marcou tantos homens e mulheres e que comprova a importância do saber para elevar o ser humano. Naquele tempo não havia ensino obrigatório e universal, existiam poucas escolas, mestres e os alunos andavam desnutridos, mal vestidos e calçados.

Na sessão camarária de 29 de Janeiro de 1908 foi presente um ofício do subinspector escolar José de Castro Sequeira Vidal comunicando que José de Oliveira Lopes e seu irmão Manuel José de Oliveira Lopes, do lugar do Cadaval, da freguesia de Válega, ofereciam-se para custear todas as despesas com a construção dum edifício para as escolas oficiais e habitação dos respetivos professores dessa freguesia, pelo que pedia a cedência gratuita do terreno necessário para aquele construção que, concluída, seria oferecida ao Estado pelos citados beneméritos.” Lamy, A. (1977). Monografia de Ovar - volume 2 (1st ed., p. 376). Ovar [Portugal].