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Concelhos

O projeto “Ondas da Serra” pretende através de conteúdos originais promover a identidade regional e turismo dos concelhos de Espinho, Ovar, Santa Maria da Feira, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca e duma forma mais geral os restantes municípios do distrito de Aveiro, Águeda, Albergaria-a-Velha, Anadia, Aveiro, Castelo de Paiva, Estarreja, Ílhavo, Mealhada, Murtosa, Oliveira do Bairro, Sever do Vouga e Vagos.

No nosso projeto colocaremos sempre as pessoas em lugar de destaque e sempre que seja possível nas nossas andanças pelas ondas do mar e da serra falaremos com os pescadores, agricultores, pastores e simples trabalhadores como a nossa equipa. Nesta nossa “nobre” missão respeitaremos sempre o espaço destas gentes e dos seus locais.

Não somos mais um “site”, somos um órgão de comunicação social que vai às raízes profundas das terras longínquas do nosso distrito e da génese do nosso povo para resgatar as suas historias antes que se percam nas brumas do tempo.

Henrique Araújo, independente do Movimento 2030, apresenta-se como um homem que não é profissional da política, que gosta de fazer o bem pela causa pública, dizendo que é apelidado com frequência de megalómano, mas que a história por vezes transforma em visionários. A razão principal desta entrevista foi a destruição do Perímetro Florestal das Dunas de Ovar, que depois duma suspensão para avaliação, recomeçou novamente no talhão 74. Os factos apresentados não deixam grandes dúvidas dos atropelos que se cometeram, numa floresta que passou de proteção, para conservação e acabou em produção e que está em investigação judicial, para apuramento se foram cometidos crimes. Nós quisemos também ouvir que propostas este movimento tem para o concelho de Ovar.

Meitriz em Arouca é uma terra profundamente longínqua, que brotou do fundo do Vale do Rio Paiva e que conserva ainda a sua traça tradicional, recebendo a distinção de Aldeia de Portugal. O rio por ela se enamorou, fazendo-lhe uma vénia ao chegar e oferecendo-lhe uma praia fluvial para se perfumar. Ela deu-lhe volta à cabeça, ele deu-lhe voltas ao rio, tão recortadas de pasmar, não podendo ficar partiu, dando lágrimas ao lugar. Por estas terras se reconquistou e perdeu território para o Sarraceno, Almançor por aqui atemorizou, mas este povo sempre lutou e como em Moldes igrejas sempre edificou. 

As margens da extensa laguna da Ria de Aveiro, oferecem aos amantes da natureza, birdwatching, caminhadas e BTT, inúmeros locais paradisíacos para explorar. Alguns destes percursos estão já devidamente referenciados, mas há outros menos conhecidos que permitem viajar na companhia da ria, pelo lado lunar, por trilhos em terra batida, taludes ou passadiços. O Ondas da Serra ao longo do tempo foi explorando estes recônditos caminhos, catalogando e unindo alguns percursos menos conhecidos. Neste artigo vamos dar-lhe a conhecer um trilho entre Ovar e Aveiro, com mais de 80 quilómetros, pelo lado nascente da ria, assinalar cais, ribeiras e esteiros, pontos de interesse, fauna e flora. Vamos também disponibilizar os arquivos de tracking para os seus aplicativos de desporto, de forma a poderem também seguir a nossa exploração.

Janarde em Arouca foi abençoada com uma luxuriante natureza e vista soberba sobre o vale do Rio Paiva, preservando ainda algum do seu casario em xisto e socalcos agrícolas que outrora davam pão ao povo. É também uma velha terra com milhões de anos gravados na história geológica das suas rochas. O espírito de Deus ao pairar sobre as águas deu à luz a vida, tendo a sua criação moldado seres de todas as formas e feitiços, que foram vivendo e morrendo ao longo de milhões de anos. Muitos foram aqueles que nos deixaram provas da sua existência, através dos restos fossilizados dos seus corpos ou icnofósseis das pistas por onde passaram, existindo aqui um importante geossítio do Arouca Geopark, onde poderá admirar marcas deste passado. A nossa curiosidade levou-nos a fazer um pequeno trilho para conhecer esta terra, paleontologia, icnofósseis, meandros, cocheiros e biblioteca do Rio Paiva.

Arouca entrou a caminhar por este milénio decidida aproximar as pessoas do seu território, distante passado geológico e magníficas criações da sua natureza. O Criador num dia de inspiração e bons humores, com magnificência criou o Vale do Paiva, deu-lhe apaziguamento, mas deixou-lhe o carácter do maior rio de águas bravas de Portugal. Arouca com a criação dos Passadiços do Paiva em 2005 oferece aos seus hóspedes a capacidade de deslumbramento e contemplação destas obras de arte divinas. Para os mais afoitos em 2021, subiu aos céus sem limites criando a “Maior Ponte Pedonal Suspensa do Mundo”. Todos os que a visitam concordam que voar como Ícaro por entre nuvens, contemplando o abrupto abismo é façanha de meter medo e fora do alcance de comuns mortais. É esta aventura de arrojadas pessoas que lhe vamos contar, oriundas de diversos continentes, línguas e culturas. Estes homens, mulheres e crianças, algumas com medo, outros com ousadia, usaram um dia se enfrentarem e escrever seu nome nos anais das suas epopeias, porque o que é fraco para uns é forte para outros.   

O Rio Caima pula como uma criança pela Serra da Freita abaixo, brincando por montes e vales desde Albergaria da Serra em Arouca até à foz no Rio Vouga. Ao chegar à Frecha da Mizarela lança-se incauto no abismo, mas vai ganhando carácter com o crescimento ao passar por terras de Vale de Cambra e Oliveira de Azeméis. Em Ossela é já um confiante e belo jovem por cujas damas se enamoram. Para o agradar, Palmaz em 2011 ofereceu-lhe nas suas margens uns passadiços, muito aclamados pelo povo. Este é um local agradável para caminhar pelos recônditos trilhos, rodeados de frondosa vegetação, escutando a sinfonia dos pássaros, sussurro das águas e zumbidos das abelhas. Contudo passado mais de uma década desde a sua requalificação o espaço carece de atenção e de obras de manutenção, para relançar todas as suas potencialidades e recolocar o velho rio no seu usurpado trono.

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