José Martins - Nadador-Salvador José Martins - Nadador-Salvador
sexta, 28 julho 2017 19:45

José Martins - Nadador-Salvador

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A nossa equipa visitou esta semana a praia fluvial de Burgães em Vale de Cambra, um local pouco conhecido do nosso distrito e que convidamos vivamente a visitarem. Esta praia tem todas as infraestruturas necessárias para proporcionar um agradável dia sem descurar a segurança já que a mesma é vigiada por nadadores-salvadores.

José Martins - Nadador-SalvadorNo dia em que lá estivemos estava de serviço José Martins, jovem com 27 anos de idade, que trabalha neste local quatro dias por semana e que aceitou conversar com o Ondas da Serra, mas com a postura de um felino esteve sempre em alerta não fosse ter que intervir a qualquer momento. Vamos ficar a conhecer que laços da sua infância o ligam a este local e porque é que afirma “Eu conheço esta praia dos dois lados”.

Bom dia poderá explicar-nos em que consiste a sua atividade profissional?

Eu estou ligado à área do desporto onde tenho uma licenciatura e estou quase acabar um mestrado, faltando-me algumas cadeiras. Na minha área profissional trabalho em desporto, ginásios, praias, no Centro de Marcha de Corrida e Piscinas Municipais de Vale de Cambra. A minha licenciatura foi tirada no Politécnico de Viseu e andei em mestrado na FADEUP no Porto (Faculdade de Desporto da Universidade do Porto), que estou agora a completar. Na parte desportiva estou ligado ao treino de jovens que basicamente é a minha paixão. Também estou ligado ao treino propriamente dito e não tanto ligado à educação, a minha área profissional abrange propriamente o treino.

O que é necessário para se exercer a atividade de nadador-salvador.

É necessário tirar um curso que dura cerca de um mês (Instituto de Socorros a Náufragos), eu tirei o meu em 2011 em Aveiro e já o renovei há dois anos atrás. Depois da aprovação na prova final ficamos credenciados para exercer esta profissão de nadador-salvador.

O que é que o atrair neste tipo de serviço?

Gosto acima de tudo de trabalhar para as pessoas para tentar dar-lhes o sentido de segurança que elas merecem e no fundo é isso que me motiva para estar aqui. Claro que o dinheiro neste caso está em segundo plano porque acho que temos mesmo que gostar para trabalhar nesta profissão.

Que dificuldades encontra nesta tarefa de zelar pela segurança das pessoas?

As maiores dificuldades são as condições adversas e passarmos muito tempo no exterior ao frio, chuva e vento, porque nem sempre está calor. Como pode compreender depende dos sítios onde nós trabalhamos e as maiores dificuldades são as pessoas não levarem a sério os perigos que possam encontrar, tal como na praia ou mesmo aqui não seguirem as placas indicativas de perigos como agueiros ou exposição ao sol nas horas de maior calor. As pessoas têm essa tendência de muitas vezes não seguirem as regras de quem as tenta aconselhar e zelar pelo seu bem-estar. Por vezes fazem-nos isso para testar, outra vezes é por pura ignorância e inconsciência. É nosso dever atuar para que estas situações não aconteçam.

As pessoas respeitam a sua autoridade e obedecem às suas ordens?

Comigo de um modo geral isso sempre aconteceu, claro que existe sempre aquele banhista que não respeita e que nós obviamente temos que impor alguma autoridade, porque se não faz o que quiser e leva a que outras pessoas façam o mesmo. Nos casos mais graves podemos chamar quem é competente para identificar a pessoa.

Existe algum motivo para ter escolhido esta praia para trabalhar?

Eu resido aqui pertinho, a cerca de cinco minutos na aldeia de Cavião, motivo que me levou a vir para aqui trabalhar devido à proximidade da minha casa. Eu como sou um morador da zona desde sempre frequentei esta praia e nem sempre teve nadador-salvador nem estas condições. Quando eu era criança brincava aqui, mas as condições não eram estas, o rio tinha muito mais profundidade, era mais perigoso e estava tudo construído em terra.

Neste momento esta praia tem boas condições, temos areal, sítios com sombras para fazer piqueniques, baixa perigosidade devido à água ter um caudal muito baixinho, sítios para brincarem com uma corda em segurança devido ao rio ser mais fundo. Temos aqui também diversão para as crianças e para as famílias.  

Em que locais é que já zelou pela segurança das pessoas até agora?

Eu trabalhei na praia de Aveiro, Ílhavo, fiz a Costa Nova e a Praia da Barra durante cerca de quatro anos. A minha primeira época balnear foi na praia de Miramar, junto ao Senhor da Pedra, onde existe aquela capela icónica, é um sitio muito perigoso devido aos rochedos característicos desta região e um ou outro bruxedo que por lá havia (risos), que as pessoas locais diziam. Claro que para nós era superstição, mas as pessoas diziam que aquela capelinha estava protegida por alguns Santos Padroeiros que lá habitavam. Depois disso tive a experiencia das piscinas descobertas de Vale de Cambra durante dois anos. Este ano estou a fazer o meu primeiro ano numa praia fluvial. Já fiz também alguns parques de campismo.

Durante a sua atividade já teve aqui algum problema complicado?

Ainda não tive nenhuma situação perigosa a não ser algumas situações pontuais, mas que não decorreram na água, como um senhor que se se encontrava alcoolizado e criou algumas situações pouco engraçadas, mas temos que entender que quando estamos abertos a receber público temos que estar preparados para este tipo de situações e temos que saber lidar com elas.

Numa época em que tanto se fala que muitos jovens licenciados não conseguem trabalhar na área em que se formaram o José parece estar bem encaminhado para fazer aquilo para que estudou e como disse é a sua paixão.

Obviamente o meu percurso está em ascensão porque no meu ponto de vista temos sempre algo a aprender, mesmo quando estamos bem. Eu iniciei a minha atividade profissional em setembro de 2012, como disse inicialmente consegui adaptar-me a vários sítios onde posso trabalhar e conseguir encaixar o meu horário.

Para além disso são tudo sítios onde gosto de trabalhar e que me dão mais motivação para poder crescer. Nesse sentido a minha motivação todos os dias é tentar fazer sempre melhor que ontem e dar o melhor às pessoas, porque é essa motivação que me faz acordar de manhã.

Acha que esta praia é conhecida o suficiente de modo atrair outros visitantes dos concelhos ou distritos vizinhos e até turistas estrangeiros, ou acha que ainda poderá ser feito um trabalho para aumentar a sua divulgação?

Eu penso que esta praia tem potencial para ser ainda mais visitada já que ainda não é conhecida de todos, mas está a ser feito um trabalho para que isso aconteça, como a remodelação dos locais evolventes desta área. Penso também que quando as pessoas souberem e descobrirem esta praia vão aderir muito mais. Claro que aos fim-de-semana temos sempre mais pessoas, mas mesmo fora da época do verão as pessoas também podem vir aqui para fazer um piquenique neste sítio agradável.

Sabe se existem mais praias fluviais em Vale de Cambra que mereçam ser conhecidas pelas pessoas?

Tem outras praias fluviais em outras freguesias, eu não as conheço pessoalmente, mas penso que existe uma na Ponte do Mieiro que fica em Junqueira e alguma partes na Serra da Freita que dá para tomar banhao.

A nível ambiental o que tem a dizer sobre a qualidade destas águas?

Neste momento a qualidade da água é boa, é feita sempre um analise antes da época balnear e que é sempre controlada. Tive conhecimento que em outros anos as águas foram contaminadas, mas neste momento está tudo controlado e a esse nível as pessoas podem ficar descansadas.

Ondas da Serra deseja as melhores felicidades a nível pessoal e profissional para a sua carreira.

Ondas da Serra: Tinha a nossa conversa terminada à pouco tempo e já o José Martins ia despachado proibir um jovem de se atirar para o rio dum local alto e perigoso junto a um caminho na margem oposta. Naquele local a água não possui uma profundidade muito acentuada e o fundo tem algumas pedras. O jovem acatou a ordem e calmamente o José Martins esperou o seu regresso para ir falar com o mesmo, talvez para o elucidar dos perigos do seu comportamento.

Ondas da Serra alerta para os perigos dos saltos para a água serem feito sem conhecimento da profundidade do local ou com deficiente técnica. Por vezes a confiança e inconsciência levam as pessoas a terem estes comportamentos causando por vezes acidentes com consequências duradouras para o resto da vida, não arrisque.

 

Leia também o artigo que fizemos sobre a praia fluvial de Burgães: Ler artigo.

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Autor

Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social periódico, distribuído electronicamente, que visa através da inserção de notícias, promover a identidade regional, o turismo, e a divulgação/defesa do património natural, arquitectónico, pessoas, animais e tradições, dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, nomeadamente: Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca e do forma mais geral dos restantes municípios do distrito.

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