Foz do Rio Cáster e a harmonia por restaurar Foz do rio Cáster
sábado, 03 março 2018 17:57

Foz do Rio Cáster e a harmonia por restaurar Destaque

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As três pontes de madeira suspiram. As aves prometem. A torre de vigia aguarda. A área circundante da foz do rio Cáster separa o dinamismo urbano do paraíso faunístico e florístico. As debilidades multiplicam-se, apenas mitigadas pela dedicação de Manuel Faneco. A intervenção ficou incompleta.

Manuel Faneco no Rio CasterSanta Maria da Feira é o berço do rio Cáster. Corre para sul, atravessa Ovar, e desagua diretamente na ria de Aveiro. O movimento é silencioso, quase ligeiro. Transporta a riqueza da ria, o esquecimento das cidades e o património da história.

Do Cais da Ribeira, no concelho de Ovar, à foz do rio Cáster são cerca de dois quilómetros e meio em terra batida, salpicados por mantos verdes, terrenos agrícolas, construções devolutas e sinfonias orquestradas pela Natureza. Entre voos de garças-reais, andorinhas e cegonhas, é possível percorrer o caminho a pé ou de bicicleta.

O rio divide a terra e cria uma paisagem única. As potencialidades continuam por aproveitar. A manutenção é exclusiva de Manuel Faneco. As melhorias ainda não se concretizaram.

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Um passeio ao longo do Canal de Ovar permite observar diversas espécies, desde a Garça-vermelha, Garça-branca-pequena, Garça-real, Águia-pesqueira, Tartaranhão-azulado, Pica-pau-malhado, Guarda-rios, Pernilongo, Colhereiro, Felosa-unicolor, Guarda-rios, Lampreia, Enguia, Lagarto-de-Água, Lontra, Texugo, Raposa, Salicórnia, Pilriteiro, Caniço, Junco e Salgueiro, entre outros.

O destino é a Ria de Aveiro. O recuo do mar concretizou-se na sua formação no século XVI. Surgiram cordões litorais e que originaram uma laguna. É um dos mais relevantes acidentes geográficos da costa portuguesa. Um património que ainda não tem o reconhecimento devido.

Os caixotes do lixo, a torre de vigia, as pontes de madeira, os ninhos para as cegonhas, a limpeza e a vigia são tarefas concentradas em Manuel Faneco. Apaixonado pela natureza, defende este lugar com toda a tenacidade. No entanto, não é oficialmente trabalhador da Câmara ou de outro organismo responsável pela preservação ambiental do local. É o seu amor à cidade que o faz estar presente.

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A Ria estende-se ao longo de 45 quilómetros e a sua largura, de aproximadamente 11 quilómetros, no sentido este-oeste, tem uma foz que envolve 11 mil hectares. Tal como a Ria de Aveiro, o Canal de Ovar e esta área em particular podia desempenhar um papel essencial na relação entre a população e o território. Porém, falta trabalho.

A harmonia entre pessoas e ambiente ainda não está salvaguardada. A biodiversidade permanece, mas precisa de ser preservada com efeitos nefastos caso o seu património continue negligenciado. As eco-intervenções não chegam para proteger a fauna e a flora do local.

 

 

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Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social periódico, distribuído electronicamente, que visa através da inserção de notícias, promover a identidade regional, o turismo, e a divulgação/defesa do património natural, arquitectónico, pessoas, animais e tradições, dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, nomeadamente: Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca e do forma mais geral dos restantes municípios do distrito.

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