Conheça os bastidores do Carnaval de Ovar João Neves da Escola de Samba Kan-Kans
segunda, 29 janeiro 2018 23:52

Conheça os bastidores do Carnaval de Ovar Destaque

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A cidade de Ovar é conhecida pelo seu Carnaval e forma apaixonada como os vareiros o vivem. Esta festa tem extravasado as fronteiras do município e de Portugal atraindo cada vez mais pessoas. Um evento com esta magnitude não se faz sem ajuda de centenas de voluntários, que colocam o seu amor, tempo e talento para o corso sair à rua. Ondas da Serra foi visitar a Aldeia do Carnaval integrado num programa de visitas guiadas promovidas pela secção de turismo do município, para dar a conhecer um pouco dos bastidores deste evento.

Grupo de Carnaval VampirosA Aldeia do Carnaval era um anseio antigo dos grupos e, apesar de inaugurada há poucos anos, depressa se tornou na sua alma. Este espaço é ocupado pelas sedes dos 24 grupos, que a utilizam para criarem os trajes ou carros alegóricos. Todas têm o seu bar, local sempre muito concorrido e onde os membros dos grupos e forasteiros convivem, comem e matam a sede.

Nós fomos à primeira visita deste ano, no dia 27 fevereiro, às 15h00, em frente à aldeia duas técnicas do turismo esperavam-nos, Tânia Guimarães e Jacinta Cunha, que puseram toda a sua simpatia e profissionalismo na apresentação.    

Antes de começar a mesma podemos aproveitar para sentir o pulsar do espaço que fervilhava de atividade, com pessoas a pintar, cortar ferro, testar som, montar ou a dançar. Os carros alegóricos apresentavam-se despidos e o seu esqueleto começava a ser coberto dos materiais que lhes vão dar vida durante três dias.

O semblante de muitos revelava que nesta altura não querem nada com a cama, mas não dispensavam a cervejita na mão. Sentia-se no ar uma energia, uma expetativa, por todo o lado se ouvia samba, as vibrações subiam pelo corpo e ajudavam o visitante a sentir o “Carnaval de Ovar”.  

Mas soubemos também, que essa intensa atividade esteve relacionada com o facto de nessa noite ter havido uma festa aberta a toda a gente, que disseram foi de arromba.

Nós tivemos a honra de ser os primeiros visitantes deste ano em conjunto com duas senhoras do Porto e uma família de Ovar. No próximo sábado contudo já estão inscritas 70 pessoas.

A Tânia Guimarães começou por explicar que esta visitas têm uma parte introdutória onde é explicada a história do Carnaval e depois uma visita a alguns grupos, onde os visitantes podem ver os trabalhos que estão a ser feitos e fazer perguntas aos seus representantes. No final podem passear livremente no recinto. 

 

Apresentação

Na apresentação do Carnaval de Ovar é explicada a sua evolução ao longo dos tempos. Os visitantes ficaram a saber por exemplo o que era o “Carnaval Sujo”, como se deu a introdução do samba no corso, como são escolhidos os reis ou o que é um “Dominó”.

Visitas aos Grupos

Kan-Kans – Escola de Samba

O primeiro grupo visitado foi a Escola de Samba Kan-Kans. Na sede fomos recebidos por João Neves, de Esmoriz, que é membro há vinte anos.  O João conduziu o grupo pelo seu interior e parecia que estávamos a entrar num mundo de fantasia. Na parte superior ao fim das escadas, por todo o lado estavam pendurados adereços e fatos carnavalescos de todas as cores e feitios. O cicerone de serviço foi-nos mostrando várias peças, como eram construídas e os seus materiais. Exibiu-nos uma peça para a cabeça denominada “Esplendor” no Brasil chamam-na de “Costados”.

Este ano a inspiração veio da Atlântida, da água e dos monstros marinhos, o tema denomina-se “O Poder da Água, o Homem e a Fé”.

Os materiais continuam a ser muito caros, deu como exemplo as penas, que chegam a custar 4/5 euros cada. Todo isto faz com que as fantasias e os carros fiquem muito caros, sendo as despesas suportadas por subsídios da autarquia e pelos mais de cem membros do grupo. Os fatos são projetados pelo seu Mestre Sala.

Em relação ao facto dos grupos e escolas estarem agora todos na aldeia afirmou que duma forma geral é positivo porque as pessoas estão todas juntas, se tornaram mais humildes e aumentaram a interajuda.

 

Joanas do Arco da Velha - Passerelle

O segundo grupo visitado foram as Jonas do Arco da Velha. No local Joana Soares e Isabel Fonseca, receberam os visitantes. Ali ao lado a sede dos Garimpeiros estava transformada numa discoteca e muito esmerados ao verem a malta a tirar fotos apressaram-se a arrumar o caixote do lixo junto da entrada para não parecer mal.

Este ano as suas fantasias vão homenagear os palhaços da Disney, com muita cor, alegria riso, o seu tema denomina-se “Sem Graça, Sorri que passa!”. Recorda-se que este grupo foi o vencedor do ano passado com tema “Ano novo vida nova”, passagem para o novo ano chinês.

 

Não Precisa - Carnavalesco

O grupo “Não Precisa”, já tem cerca de 40 anos, a sua apresentação ficou a cargo de João Mendonça, de Ovar, que ali está há 12 anos e já desfilou 13 vezes. Este jovem de aspeto jovial e alegre disse-nos que o grupo é composto por 45 homens, tendo apenas uma mulher como porta-bandeira que já ali está há 20 anos.

O ano passado foram de ciclistas e apesar dos seus esforços voltaram a não cortar à meta com a camisola amarela, como é habitual e não se chateiam. O melhor lugar obtido foi um terceiro lugar, dizem a brincar que no dia que ganharem o grupo acaba.

Um pouco triste desabafou que hoje perdeu-se um pouco da tradição do carnaval, o qual se tornou mais profissional e artístico. O que mais gosta no carnaval é a sensação de desfilar, fazer as pessoas rir e divertirem-se muito.

Acabou a visita a explicar as fotografias que tem expostas na sua sede e representam marcos na sua história.

 

Catitas – Carnavalesco

A visita terminou com os “Catitas”, sendo o nosso guia o Bruno Maia, que é membro há cerca de dois anos no grupo. Este ano o seu tema vai ser “Kereéfest”.

Quando lá chegamos o Afonso com 6 anos e o seu pai varriam a zona do bar, um elemento do grupo disparou logo que aquilo era trabalho infantil.  Este grupo começou a trabalhar com mais afinco nas suas fantasias a partir de finais de dezembro, mas adiantou que a partir de setembro os grupos começam a aquecer baterias para o carnaval que se avizinha.

E assim acabou a visita aos grupos, na rua a Escola de Samba “Charanguinha”, ensaiava o enredo e coreografia.

 

Testemunhos

Foi no centro de informações do Parque do Buçaquinho em Cortegaça, que duas senhoras do Porto, Fátima Pinto e Elisabete Cabral, souberam desta visita. No final contaram-nos o que acharam da mesma:

Gostei muito da visita, estou muito surpreendida, não imaginava sequer que isto existia, conhecia o espirito do carnaval, mas não a este nível, gostei muito, muito positivo. Foi muito útil doutra maneira não sabíamos que isto existia. Fiquei com muita vontade de vir ao Carnaval, por trás daquilo que nós vemos, há muita coisa que não se vê e tem muito valor.” Fátima Pinto

Vi coisas que não imaginava que estavam por trás disto tudo, um trabalho enorme, um grande entusiasmo das pessoas por este trabalho enorme e o entusiasmo que as pessoas mostraram. É um fascínio ver tanto pormenor, carinho, estou mortinha por vir mesmo ao carnaval porque nunca o vi.” Elisabete Cabral

 

Próximas visitas

 Informações

 
  • 2 Fevereiro – sex – 15h00 e 17h00;
  • 3 fevereiro – sáb – 15h00 e 17h00;
  • 9 fevereiro – sex – 15h00 e 17h00;
  • 10 fevereiro – sáb – 15h00 e 17h00;
  • Nota: Participação gratuita mas com inscrição prévia obrigatória;
  • Idiomas da visita: Português, Espanhol, Francês e Inglês;
  • Local do encontro: Entrada da aldeia do Carnaval (Rua da Guine Bissau, lote 20 - Ovar);
  • Mínimo: 06 pessoas por visita;
  • Informações e inscrições: Serviços de Turismos +351 256 509 153, +351 930 409 207, email: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. (no email de marcação enviem um contacto);
  • Postos de turismo: Ovar +351 256 572 215, Furadouro +351 256 387 410. 

 

Galeria de fotos

 

 

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Autor

Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social periódico, distribuído electronicamente, que visa através da inserção de notícias, promover a identidade regional, o turismo, e a divulgação/defesa do património natural, arquitectónico, pessoas, animais e tradições, dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, nomeadamente: Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca e do forma mais geral dos restantes municípios do distrito.

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