O Criador quando chegou a Pardilhó, deveria estar de bom humor, por ter feito tão bonita obra. As terras são baixas e de altitude quase constante, conhecidas por Marinhoas. Estes lugares perto do mar e da ria, formados por terrenos arenosos e aluvião, conferiram uma acentuada identidade regional a Pardilhó, Bunheiro, Murtosa, Monte, Veiros, Torreira e pedaços de Estarreja e Ovar.

Vamos relembrar novamente um dos nossos lemas “Olhar e Ver, Escutar e Ouvir”. Andávamos nós na foz do Rio Cáster perto da Ribeira de Ovar, como habitualmente para observar aves, quando vimos duas pessoas a colher algo nas margens da Ria de Aveiro, no canal de Ovar, o que seria? Como temos uma curiosidade natural e estamos sempre dispostas apreender, com educação perguntamos o que estavam a fazer. Estavam a colher salicórnia, que são também conhecidos como “sal verde” ou “espargos do mar”.

A Ribeira de Pardelhas, na Murtosa, volta a acolher, no fim-de-semana de 24 e 25 de junho, o Festival “Sabores da Ria”, organizado, em parceria, pela Confraria Gastronómica “O Moliceiro” e pelo Município da Murtosa, que tem a pretensão de divulgar o enorme potencial gastronómico de um conjunto de espécies da Ria de Aveiro, como o choco, os bivalves ou o linguado, que normalmente não têm a projeção das especialidades mais conhecidas, como a enguia, a lampreia e o sável.

Numa viagem de bicicleta que fizemos por terra da Murtosa na tarde do dia 27 de abril, fomos encontrar junto às margens da Ria de Aveiro no Bunheiro, uma família a trabalhar à volta do seu barco de pesca “António Manuel”. Como somos curiosos fomos ver o que estavam a fazer e se nos queriam responder algumas perguntas. Aceitaram-nos muito bem e depressa se estabeleceu um dialogo caloroso, com fotografias pelo meio. O local onde trabalhavam no interior da embarcação, a posição dos barcos, as cordas entrecruzadas e a luz não eram os melhores, mas nem sempre é possível trabalhar com as condições ideais, mas achamos que o fundamental foi conseguido.