Ria de Aveiro: Conheça belo trilho escondido para BTT Ria de Aveiro - Bioria - Trilho em Bicicleta ou BTT Ondas da Serra
terça, 14 junho 2022 01:28

Ria de Aveiro: Conheça belo trilho escondido para BTT Destaque

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As margens da extensa laguna da Ria de Aveiro, oferecem aos amantes da natureza, birdwatching, caminhadas e BTT, inúmeros locais paradisíacos para explorar. Alguns destes percursos estão já devidamente referenciados, mas há outros menos conhecidos que permitem viajar na companhia da ria, pelo lado lunar, por trilhos em terra batida, taludes ou passadiços. O Ondas da Serra ao longo do tempo foi explorando estes recônditos caminhos, catalogando e unindo alguns percursos menos conhecidos. Neste artigo vamos dar-lhe a conhecer um trilho entre Ovar e Aveiro, com mais de 80 quilómetros, pelo lado nascente da ria, assinalar cais, ribeiras e esteiros, pontos de interesse, fauna e flora. Vamos também disponibilizar os arquivos de tracking para os seus aplicativos de desporto, de forma a poderem também seguir a nossa exploração.

Ria de Aveiro percursos de bicicleta e BTT

Ria de Aveiro percursos de bicicleta e BTT

A história deste percurso começou há alguns anos, quando nós andávamos de bicicleta pelas margens da ria, por trilhos que nem sempre eram conhecidos. Nestas andanças começamos a pensar na melhor forma de unir Ovar – Aveiro, através dos caminhos ou passadiços da ria. Por vezes partíamos de Ovar e regressávamos de comboio, de uma das estações de Avanca, Estarreja, Salreu, Canelas, Cacia ou Aveiro.

Esteiro de Canelas - Estarreja - Ria de Aveiro

Quando em 2018 foram inaugurados os passadiços de Aveiro, que começam no Cais de Esgueira e terminam em Vilarinho, começamos a fazer o percurso inverso, para descobrir as ligações. A dada altura foi construída em Estarreja uma pequena ponte pedonal sobre o Rio Antuã, integrada na Grande Rota da Ria de Aveiro e conseguimos assim terminar a ligação. Dito isto vamos então explicar como você também pode fazer este percurso e o que pode conhecer.   

Alguns dados sobre este percurso: 

Este percurso sugerido pode ser feito em várias etapas conforme o seu tempo e disponibilidade física. Nós tentamos dividir os quilómetros de forma equitativa e alguma lógica, de forma a poder ser trilhado com maior facilidade e conhecimento. 

        • Mapa

          Mapa do trilho de bicicleta/BTT na Ria de Aveiro

      • Etapas: 07;

        Bioria - Estarreja - Ria de Aveiro

        • 1 Etapa | Ovar - Avanca;
        • 2 Etapa | Avanca - Pardilhó;
        • 3 Etapa | Pardilhó - Murtosa;
        • 4 Etapa | Murtosa - Estarreja;
        • 5 Etapa | Estarreja - BioRia;
        • 6 Etapa | BioRia - Cacia;
        • 7 Etapa | Cacia - Passadiços de Aveiro;
      • Regresso: Estação da CP de Aveiro - comboio para Ovar;
      • Início/Fim: Parque Urbano de Ovar (perto da estação da CP) | Aveiro - Estação da CP;
      • Grau de dificuldade: Baixo;
      • Concelhos: 05;
        • Ovar;
        • Murtosa;
        • Estarreja;
        • Albergaria-a-Velha;
        • Aveiro;
      • Cais, ribeiras e esteiros: >26;

Esteiro de Canelas - Estarreja - Ria de Aveiro

  • Rios: 03;
    • Rio Antuã - Estarreja;
    • Rio Vouga - Cacia;
    • Rio Novo do Príncipe - Cacia;
  • Torres de observação: 03;
    • Ribeira das Teixugueiras;
    • Veiros;
    • BioRia - Estarreja
  • Comportas: 03;
    • Rio Antuã - Estarreja;
    • Esteiro de Canelas - Estarreja;
    • Do Barbosa - Albergaria-a-Velha;
  • Percursos Pedestres: 04;

    Percursos pedestres da Bioria - Estarreja - Ria de Aveiro

    • PR1 - Percurso de Salreu - BioRia - Estarreja;
    • PR5 - Percurso do Rio Antuã - BioRia - Estarreja;
    • PR8 – Percurso da Fermelã - BioRia - Estarreja;
    • PR3 - Trilho das Cegonhas - Albergaria-a-Velha;
  • Passadiços: 04;
    • Passadiços do Rio Cáster - Ovar;
    • Passadiços do Bunheiro - Pardilhó - Estarreja;
    • Passadiços da Ribeira Nova - Murtosa;
    • Passadiços de Esgueira/Vilarinho - Aveiro;
  • Quilómetros: 80 km;
  • Tempo: 06 a 08 horas;
  • APP: Garmin Edge Explore (Modo de poupança da bateria);

A formação da Ria de Aveiro remonta ao século XVI

“A Ria de Aveiro formou-se no século XVI, como resultado de um recuo do mar e, posteriormente, uma formação de cordões litorais e que originaram uma laguna.” 1

Extensão da Ria de Aveiro

Moliceiro na Ria de Aveiro

“A ria  tem uma extensão de 45 quilómetros e aproximadamente 11 quilómetros de largura, no sentido este-oeste, tem uma foz que envolve 11 mil hectares, dos quais, mais de seis mil estão permanentemente cobertos de água. A Ria, que ao afastar terras as junta, ao mesmo tempo, numa grande e forte união entre as gentes, tem um papel fundamental na agregação do território e do seu desenvolvimento.” 1

A Ria de Aveiro, tem na sua zona mais larga entre as margens da Torreira e o Cais do Bico na Murtosa, uma extensão de 1500 metros.

Ria de Aveiro localização

A Ria de Aveiro, também conhecida como Foz do Vouga, é uma laguna que existe na região de Aveiro, entre os concelhos de Ovar e Mira.

  • Área: 75 km²;
  • Localidades: Aveiro, Estarreja, Ílhavo, Mira, Murtosa, Ovar e Vagos;
  • Afluentes principais: Rio Vouga, Rio Antuã, Rio Boco e Rio Cáster;
  • Comprimento: 45 km;
  • Distritos: Distrito de Aveiro; Distrito de Coimbra;
  • Canais: A ria divide-se em três canais/zonas: o Canal de Ovar, o Canal de Ílhavo e o Canal de Mira;
  • Canais Urbanos de Aveiro: 1 A Ria de Aveiro forma cinco canais urbanos na cidade de Aveiro, que são sobretudo utilizados para fins turísticos, onde se realizam passeios em embarcações tradicionais, onde se destacam o moliceiro e o mercantel:
    • Canal Central;
    • Canal do Côjo;
    • Canal das Pirâmides;
    • Canal de São Roque;
    • Canal dos Santos Mártires (também conhecido por Canal do Paraíso). 

Breve história dos cais da ria de Aveiro e atividades

Bateira na Boca da Marinha - Ria de Aveiro - Murtosa

Durante séculos a economia da região lagunar da Ria de Aveiro esteve exclusivamente baseada na exploração dos seus recursos locais (Sarmento, 2005, p.207). As populações dos concelhos que rodeiam a Ria de Aveiro sempre mantiveram uma forte afinidade com este ecossistema, vivendo em função do que a Ria lhes concedia, a pesca, a recolha do moliço, bivalves e crustáceos, o sal, o tráfego lagunar e a agricultura. Ao longo dos séculos estas populações desenvolveram atividades agro marinhas, em que a conjugação entre a pesca marítima e a lagunar associada à agricultura assegurava a base da economia doméstica. 2

Segundo Sarmento (2005, p.208) “nos séculos XII e XIII, a pesca marítima e a pesca fluvial estavam claramente diferenciadas”, sendo no entanto exercidas em simultâneo com o trabalho agrícola. Segundo o mesmo autor, a evolução da morfologia costeira, sobretudo a partir do século XVI, provocou a decadência da pesca lagunar, levando a que muitos pescadores se dedicassem a esta faina no mar. Já no século XIX, após a abertura e fixação da barra (1808), as atividades lagunares registam um forte incremento, suscitando a necessidade de medidas de proteção dos recursos, como a instituição de um período de defeso (1868) e a regulação dos usos. 2

Ao longo dos séculos e até meados do século XX a Ria de Aveiro, funcionou como o mais importante eixo de comunicação entre as populações ribeirinhas, na ausência de grandes eixos rodoviários (a estrada que liga Ovar a São Jacinto foi construída em 1952, EN327). O vento e “os canais lagunares foram aproveitados para o transporte e deslocação entre as margens” (Sarmento, 2005, p.219), sendo rotineiras as travessias e comuns a associação entre habitações e bateiras nas margens da Ria. Este contexto dá lugar à criação de uma grande diversidade de embarcações e de cais e locais de acostagem. 3 

1 etapa de bicicleta - BTT na Ria de Aveiro | Ovar – Avanca

Descrição da 1 etapa entre Ovar e Avanca, na Ria de Aveiro em BTT

Ciclovia Ovar - Pardilhó

Para os visitantes de Ovar que pretendam fazer este percurso tem duas alternativas, podem vir de carro e estacionar nas imediações do Parque Urbano, zona sul, ou virem de comboio, já que o parque é muito perto. Depois atravessam a cidade em direção a sul, tendo o Rio Cáster por companhia, em direção ao Parque Senhora da Graça, onde foi construída a biblioteca de Ovar. Aqui continue a acompanhar o rio, pelos passadiços do Cáster, em direção à Escola de Artes e Ofícios. Depois siga em frente até encontrar a Rua Dr. José Eduardo Sousa Lamy e circule pela ciclovia até ao Cais da Ribeira do Mourão, sempre ladeado de floresta.

Cais, esteiros e ribeiras:

Pontos de Interesse:

Dicas para o caminho:

Irá circular para sul, até Aveiro, ficando a Ria sempre do seu lado direito. A linha de comboio do norte da CP, Porto – Aveiro, fica localizada à sua esquerda. Se for sempre em frente terá que atravessar a dada altura os Rios Antuã e Vouga. Outro bom ponto de referência, pouco ambiental é a torre fumarenta da fábrica de celulose de Cacia, perto das Pontes de Sarrazola, que pode usar como referência para atravessar o Rio Vouga.

Estas referências ajudam porque mesmo que se engane, para a direita encontra sempre a ria, para a esquerda a linha de comboio e em frente a barreira do Rio Vouga. Depois de passar a ponte de Sarrazola e subir para montante, a margem esquerda do Rio Vouga, irá encontrar a estação de Cacia, se for pela margem direita, a de Canelas ou Salreu.   

Cais do Puchadouro - Válega - Ovar

Cais do Puchadouro - Válega - Ovar

"O Cais do Puchadouro (ou Puxadouro) teve uma grande importância para a freguesia de Válega, onde se situa, pois era a partir deste cais que saíam os principais produtos desta povoação. Além de variados bens agrícolas e pecuários, a telha e o caulino (um mineral fino, com múltiplos usos, e que é o componente principal da porcelana) eram importantes produtos económicos. Prova disso mesmo é o antigo armazém de caulino aqui situado que servia a famosa fábrica da Vista Alegre. O cais foi restaurado em 2017, principalmente com a consolidação das suas margens." 1

Esteiro da Ribeira do Mourão - Ria de Aveiro - Avanca - Estarreja

Esteiro da Ribeira do Mourão - Avanca - Estarreja

"É o único esteiro da freguesia de Avanca e parte do seu canal forma a fronteira com o concelho vizinho de Ovar. O Esteiro da Ribeira de Mourão foi recentemente convertido num amplo espaço de lazer, com áreas relvadas e arborizadas e mesas para merendar e conviver. Esteja atento à presença de bandos de Pardal-montês (Passer montanus), um primo do Pardal-comum. Um denso caniçal circunda a margem oposta, com uma forte presença de Rouxinol-pequeno-dos-caniços (Acrocephalus scirpaceus), cujos cantos são facilmente audíveis.

Aves aquáticas como a Galinha-de-água (Gallinula chrolopus) e o menos comum Frango-de-água (Rallus aquaticus) também encontram abrigo nesta vegetação. Na ponta sudeste do parque situa-se a pequena fonte de São Paio dos Augados, decorada com um painel de azulejos. O seu nome invoca aqueles que não conseguiam ir à grande festa de São Paio na Torreira e, como tal, faziam a sua própria festa neste local. Ao lado, uma linha de belos exemplares de Carvalho-alvarinho (Quercus robur) protege os campos agrícolas adjacentes." 1

2 etapa de bicicleta - BTT na Ria de Aveiro | Avanca - Pardilhó

Descrição da 2 etapa entre Avanca e Pardilhó, na Ria de Aveiro em BTT 

A partir do Esteiro Cais do Mourão e durante a maior parte deste trilho, nunca irá perder a ria de vista e ser surpreendido por águias, cegonhas, garças, corvos marinhos, ou grandes grupos de flamingos. Se for amante da fotografia não vão faltar motivos para pintar e uns binóculos vão ajudá-lo a observar a vida selvagem. Pela manhã e se a maré for favorável irá ver a partida/chegada de pescadores ou moliceiros em datas especiais a bailar nas águas.

Pardilhó uma terra de encantos e belezas desconhecidas

Mulher de Bicicleta em Pardilhó

Pardilhó é uma terra de encantos e belezas desconhecidas e que esperemos assim continue. Esta terra encravada entre a caótica EN 109 e Ria de Aveiro, conseguiu manter o sossego e pedalar pelas suas ruas, becos e caminhos é sempre uma aventura que nos aquieta o espírito. Por aqui não há construção desmensurada, o ambiente é calmo e quem sabe o grande espelho de água da ria apazigua o espírito do povo. Este são as conhecidas terras marinhoas, muito rurais e onde vai encontrar a ruminar vacas, cavalos, burros e muitas cegonhas.

Por vezes passam tratores rebocando um moliceiro ou mercantel, ou com uma carga de fertilizantes naturais, das pocilgas ou vacarias, desagradáveis ao olfato para os lingrinhas citadinos. Como por estas bandas o terreno é plano, os veículos de duas rodas são muito populares. As pasteleiras guiadas por novos e muito velhos, como abelhas zumbindo passam a fervilhar, olhando para o forasteiro com olhos de desafiar.

Cais, esteiros e ribeiras:

  • Ribeira do Telhadouro (É necessário fazer um pequeno desvio linear);
  • Ribeira do Nacinho;
  • Ribeira da Tabuada;
  • Ribeira das Bulhas;
  • Ribeira da Aldeia;

Pontos de Interesse:

  • Percurso das Ribeiras de Pardilhó, composto por sete locais, contudo o Esteiro da Ribeira do Mourão pertence Avanca;
  • Ribeira do Nacinho;
  • Ribeira da Aldeia;
  • Igreja São Pedro;
  • Fonte da Samaritana (Painel de azulejo na Estação de Avanca);

Ribeira do Nacinho - Ria de Aveiro - A mais bonita de Pardilhó

Ribeira do Nacinho - Pardilhó

A Ribeira do Nacinho é uma das mais bonitas desta etapa e onde se podem encontrar por vezes moliceiros ou mercantéis ancorados nas águas ou descansar em terra, por vezes virados de cangalhas.

Ribeira do Nacinho - Onde trabalha o Mestre Felisberto Amador

Mestre Felisberto Amador - Ribeira do Nacinho - Pardilhó

Este estaleiro a céu aberto é utilizado pelo Mestre Felisberto Amador, para construir, reparar ou pintar moliceiros e mercantéis da Ria de Aveiro, sendo dos poucos que ainda resta duma antiga tradição que está a desaparecer. Atualmente a maioria do seu trabalho consiste em construir ou reparar mercantéis para navegar com alegres turistas pelos canais urbanos da Ria em Aveiro.   

Cais da Ribeira da Aldeia - Ria de Aveiro - Pardilhó - Marco antigo na construção de embarcações da ria em madeira

Cais da Ribeira da Aldeia - Pardilhó

“O cais do Esteiro da Ribeira da Aldeia é longo, com várias embarcações de pesca atracadas, cada uma presa ao seu mourão – a estaca alta e forte de madeira, bem fundeada no lodo. A maioria dos barcos é ainda tradicional, de madeira e com cores fortes. Durante muitos anos funcionou aqui um estaleiro de construção de embarcações, como os tradicionais moliceiros e as bateiras de fundo chato, utilizadas para o transporte de pescado para as praças onde era vendido.

Uma velha grua manual ainda subsiste na boca do cais de embarque, usada para carga e descarga dos bens que aqui eram transacionados. Em redor predomina o sapal, um dos biótopos mais produtivos do planeta, muito rico em nutrientes e matéria orgânica, fonte primária de toda a biodiversidade aqui existente.” 1

Cais da Ribeira da Aldeia - Onde se contratavam Pardilhós

Pardilhó nasceu junto à Ria, que naturalmente a influenciou e em tempos foi uma potencia na construção naval, sendo os seus “Mestres do Machado”, reconhecidos e requisitados por empresários de todo o país, “TENHO QUE CONTRARAR ALGUNS PARDILHÓS..." Muitos Mestres apenas guiados pelas estrelas e com a costa à vista levavam embarcações para Lisboa, “Entre 1900, 1930 ou trinta e tal, a nossa ribeira da aldeia regurgitava de febril construção naval… Quase todas as semanas especialmente aos sábados, se fazia a festa do “BOTA-ABAIXO”, com todo o ritual da praxe. Primeiro: preparar!!! Segundo: tirar formões!!! Terceiro: BOTA-ABAIXO!!! E entrava na água no nosso cais da Ribeira da Aldeia mais uma unidade embarcacional que iria prestar serviços na nossa capital…”, SALEIRO, Mário de Oliveira. 2

Fonte da Samaritana - Pardilhó - Relembrando o significado da tolerância

Fonte da Samaritana - Pardilhó

Na Fonte da Samaritana, em Pardilhó, encontra-se um painel de azulejos pintado por Carlos Mendes, no ano de 1910, que retrata a história duma mulher samaritana descrita no Evangelho de João, capítulo 4. Esta mulher desconhecida ao ir buscar água à Fonte de Jacó, encontrou Jesus Cristo que lhe pediu um pouco, quebrando uma regra enraizada dos judeus não poderem falar com samaritanos, relembrado o homem que somos todos humanos, irmãos e partilhamos as mesmas origens e habitantes da casa do Senhor. 

Este painel foi elaborado na antiga Fábrica “Santos Mártires”, em Aveiro, sendo dos poucos painéis figurativos que ainda restam daquela centenária fábrica aveirense e que deu origem à Fábrica Aleluia. Em 1905, um grupo de operários e pintores que até então trabalhava na Fábrica da Fonte Nova, em Aveiro, entre os quais os irmãos João Aleluia e Feliciano Aleluia, João Bernardo Júnior, António de Lima e João Gonçalves, fundou a Fábrica dos Santos Mártires, então situada no atual Bairro do Alboi. No ano seguinte, a sociedade foi dissolvida, ficando João Aleluia com Fábrica dos Santos Mártires até que em 1917 - 1918, a produção foi transferida para uma nova unidade, nas proximidades do Canal do Cojo, que passou a ser conhecida por Fábrica Aleluia.

O pintor ceramista Carlos Mendes também trabalhou na Fábrica da Fonte Nova, como refere Patrícia Sarrico na sua tese de mestrado, juntamente com artistas como Licínio Pinto e Francisco Pereira, entre outros. No entanto, e conforme a assinatura datada que se encontra neste painel, no ano de 1910, Carlos Mendes trabalhava na Fábrica Santos Mártires. 4

3 etapa de bicicleta - BTT na Ria de Aveiro | Pardilhó - Murtosa

Descrição da 3 etapa entre Pardilhó – Murtosa, na Ria de Aveiro em BTT

Percursos Pedestres na Ria de Aveiro - Murtosa

A profusão de cais, ribeiros e esteiros sucedem-se a cada pedalada. Os caminhos e passadiços vão surgindo entrelaçados na ria, deixando-o feliz por conhecer toda esta riqueza. Em locais mais propícios poderá sentar-se nos miradouros para apreciar a paisagem, ver as aves, subir às torres de observação ou apenas relaxar.

Cais, ribeiras e esteiros:

Um facto curioso é que alguns dos nomes destas Ribeiras aludem as deficiências físicas do homem, engrandecem o manco que não pode caminhar ou gago falar, fosse hoje e lá vinham a nova censura dos politicamente correto, fosse o Eça vivo e não poderia escrever. Razão tinha o Variações quando cantava, "Se me apetece fico onde estou se me impedem de partir eu vou."

    • Ribeira das Teixugueiras;
    • Boca da Marinha;
    • Ribeira do Martinho;
    • Cais da Ribeira do Gago;
    • Ribeira do Mancão;
    • Cais da Béstida;
    • Cais da Mamaparda;
    • Ribeira de Pardelhas;
    • Cais do Bico;
  • Cais da Cova do Chegado;
  • Cais da Cambeia dos Cardosos;

Pontos de Interesse:

Torre de observação da Ribeira das Teixugueiras - Murtosa - Ria de Aveiro

  • Murtosa ciclável;
  • Aves limícolas;
  • Torre de observação da Ribeira das Teixugueiras;
  • Bunheiro - Murtosa;
  • Igreja do Bunheiro;
  • Ponte da Varela - Ria de Aveiro - Murtosa (bom local para observar flamingos);

Ponte da Varela - Ria de Aveiro - Murtosa

Aves limícolas da Ria de Aveiro

Flamingos - Ria de Aveiro - Murtosa

“Estas são algumas das aves selvagens que se ligam aos habitats limícolas. Esta palavra vem de limo ou lodo. Há uma plêiade de invertebrados que são dos patamares mais básicos da cadeia alimentar e da maior importância para espécies de maior porte. A convivência pacífica de várias espécies na vaza deve-se ao facto de não concorrerem pelo mesmo tipo de alimento. O bico de cada uma fala disso, como um talher especializado num certo tipo de alimento. Evita-se assim concorrência desnecessária.” 5

  • Garça-vermelha;
    • Presente só na época estival. Corpo cinzento rosado com mancha púrpura debaixo das asas que lhe dá nome;
  • Garça-real;
    • Abundante no inverno embora seja observada todo o ano. Maior garça que ocorre em Portugal;
  • Garça-branca-pequena;
    • Presente todo o ano na ria. Mais abundante no Inverno. Bico e patas pretas com dedos amarelos;
  • Flamingo;
    • Ocasionalmente presente na ria no inverno. De inconfundível elegância e beleza nos seus tons rosados e porte altivo, por cá fica na estação fria ou nas migrações para recompor forças;
  • Cegonha-branca;

    Cegonha-branca - Cais do Bico - Murtosa

    • Presente todo o ano na ria. Embora a maioria continue a migar para África, chegam outras do Norte da Europa que lhes tomam o lugar. Escolhe estruturas humanas altas para fazer o seu ninho;
  • Milherango ou Maçarico-de-bico-direito;
    • Presente sobretudo no inverno e migradora de passagem. Possui um bico comprido com base laranja e ponta preta. Em voo identifica-se pela barra alar branca na asa e barra preta na cauda;
  • Pilrito-de-peito-preto;
    • Migrador de passagem e invernante na ria. Muito comum é observada, quer nas salinas, quer nas zonas de vasa e lodo onde se alimenta, ou até na praia junto à rebentação. Possui quando em plumagem nupcial uma característica mancha reta na barriga. No inverno a sua plumagem é monótona: cinzenta no dorso e branca no ventre sem marcas distintivas;
  • Maçarico-das-rochas;
    • Estival embora possa ocorrer todo o ano. Apresenta um característico voo pulsante junto da água e quando pousada balança a parte traseira. Possui marca mancha branca no peito junto à asa;
  • Borrelho-de-coleira-interrompida;
    • Presente todo o ano na ria. Quando tem ninho, mal sente perigo faz-se de ferida arrastando a asa atraindo o predador para si e afastando-o do ninho.

Murtosa Ciclável

Murtosa Ciclável

No concelho da Murtosa, seja junto à Ria de Aveiro, na área rural ou urbana, existem sempre trilhos, passadiços ou ciclovias para andar de bicicleta, que aliados ao facto de ser uma zona plana, em harmonia com a natureza e os tons azuis do céu e da ria, concorrem para o seu sucesso.

"No concelho com a mais alta taxa de utilização da bicicleta em Portugal, o projeto “Murtosa Ciclável” assenta na aposta da mobilidade ciclável enquanto elemento estratégico de desenvolvimento, assentando a promoção da bicicleta em dois pilares fundamentais e simples: por um lado, como meio de transporte suave, amigo do ambiente, da saúde e da economia, e, por outro lado, com meio privilegiado de promoção e descoberta do património natural e cultural do concelho, situado em pleno coração da Ria de Aveiro." 5

Ribeira do Gago - Ria de Aveiro - Murtosa

Ribeira do Gago - Ria de Aveiro - Murtosa

“Localizada na faixa ribeirinha envolvente ao centro do Bunheiro, a Ribeira do Gago foi, seguramente, o mais relevante cais mercantil desta freguesia. Para além de moliço, junco e sal, aqui se descarregavam e comercializavam, com maior expressão, vários tipos de materiais de construção, como adobes, areia, telhas e cal e, mais tarde, tijolos.

Os materiais eram descarregados nas imediações da ribeira e os compradores vinham adquiri-los diretamente ao comerciante. Na Ribeira do Gago estava estabelecido Artur Tavares Matos, que, para além de infraestruturas de armazenamento, possuía uma frota própria de embarcações, que usava para o transporte dos materiais de construção desde a sua origem, nomeadamente de Esgueira e Sarrazola. O comerciante possui aqui, igualmente, um estaleiro de construção de embarcações, onde mestres como Manuel Raimundo ou Israel Raimundo construíram moliceiros, mercantéis e bateiras.

Para poente, a envolvente da ribeira é uma linda e ampla paisagem de sapal, cujos tons variam consoante a luz do dia e a estação do ano e se reflectem nas águas. Durante a maré-baixa, bandos de Pilrito-comum (Calidris alpina) calcorreiam o solo enlameado à procura de pequenos invertebrados para se alimentarem.” 1

Ribeira do Mancão - Ria de Aveiro - Murtosa

Ribeira do Mancão - Ria de Aveiro - Murtosa

“A partir da zona do “cabeço” de um braço de ria conhecido localmente por “rio largo”, desenvolve-se a Ribeira do Mancão, que culmina num cais que se abre, em dois braços, junto à Rua Arcebispo de Cangranor.

Como a generalidade dos cais e ancoradouros que encontramos um pouco por todo o território do concelho da Murtosa, também a Ribeira do Mancão possuía uma grande importância como local de descarga e comercialização de junco, moliço, materiais de construção e sal. A Cegonha-branca (Ciconia ciconia) nidifica na área em redor, e durante o verão é habitual ver-se a Andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica) a caçar insetos com voos rasantes ao solo.” 1

Cais da Béstida - Ria de Aveiro - Murtosa

Cais da Béstida - Ria de Aveiro - Murtosa

“A poente, do outro lado do espelho de água, vislumbramos a silhueta harmoniosa do núcleo urbano da Torreira. Era do Cais da Béstida que partiam, rumo à Torreira e vice-versa, as embarcações que transportavam as pessoas e as mercadorias, antes da Ponte da Varela vir estabelecer, em 1964, a ligação física entre as margens nascente e poente da Ria.

Curioso como na laguna a relação entre territórios se multiplica e replica. Podemos afirmar, com propriedade, que a Béstida está para a Torreira como o “cais da Bruxa”, na Gafanha da Encarnação, está para a Costa Nova. Existe aqui, atualmente, um porto de abrigo para pescadores, construído em 1999, atestando a importância logística deste local referencial da laguna.”  1

Cais da Béstida terra da Maria Barbuda companheira do Marques Sardinha

Este Cais da Béstida - No Bunheiro - Murtosa, foi terra da Maria Barbuda, companheira das desgarradas do Marques Sardinha de Avanca. Aqui há uma conhecida tasca para comer enguias e outros sabores da ria, ver os pescadores a chegar e até comprar algum peixe.   

Cais da Mamaparda - Ria de Aveiro - Murtosa

Cais da Mamaparda - Ria de Aveiro - Murtosa

Ao chegar ao Cais da Mamaparda, no Bunheiro - Estarreja, os mourões plantados na ria para amarrar as embarcações, mudaram de propósito e servem agora de pouso de veneráveis corvos marinhos, que depois de mergulharem para pescar, necessitam de abrir as asas para secar ao sol. Ainda olhamos em redor na esperança de ver o pescador António Silva ou o seu barco António Manuel, que em tempos já nos concedeu uma entrevista, devia ter ido para a faina, já que a maré estava de feição.

Canal para o Cais da Ribeira de Pardelhas - Ria de Aveiro - Portugal

Canal para o Cais da Ribeira de Pardelhas - Ria de Aveiro - Portugal

Ao aproximar-se da Ribeira de Pardelhas, observe o novo canal construído, num dos troços mais bonitos desta etapa. 

Ribeira de Pardelhas - Ria de Aveiro - Murtosa

Ribeira de Pardelhas - Ria de Aveiro - Murtosa

O cais da Ribeira de Pardelhas na maré cheia fervilha de atividade, com pescadores a chegarem ou partirem, tristes ou contentes, de acordo com a sorte da faina, num emaranhado de redes, bateiras, cordas, cores, fragrâncias e matraquejar da corte dos bicos das sempre presentes cegonhas. Agora se lá passar vai ver uma parte do muro do cais caída no canal da ria, resultante segundo eles na exagerada desassoriação durante os trabalhos de dragagem.

“No final de um extenso esteiro que serpenteia terra adentro, desde o canal da Murtosa da Ria, a planura da paisagem, encontramos o Cais da Ribeira de Pardelhas. Este foi um dos mais importantes cais mercantis da Murtosa, remetendo-nos para um tempo em que a Ria de Aveiro era a principal via de comunicação, por onde tudo chegava e partia, e o território murtoseiro, pela sua localização geográfica – no coração da laguna –, era uma das mais importantes plataformas comerciais da região.

 Todo o edificado que ladeia o cais é constituído por antigos armazéns de mercadorias, pois era comum os comerciantes e distribuidores possuírem infraestruturas próprias junto às zonas de atracação e descarga. Na atualidade, este cais continua a ser muito movimentado, graças à atividade da pesca e aos muitos visitantes que, a pé e de bicicleta, desfrutam da tranquilidade e da beleza dos trilhos ribeirinhos.

Aqui está localizado o Centro de Educação Ambiental da Ribeira de Pardelhas, o mais importante centro logístico dos projetos “Murtosa Ciclável” e “NaturRia”, que disponibiliza bicicletas, gratuitamente, para a descoberta da extraordinária biodiversidade local, através de visitas guiadas pelos percursos visitáveis da natureza. A envolvente possui, igualmente, um parque de merendas, com mesas e bancos, que convida a desfrutar da sombra das emblemáticas “pinheiras”.” 1

Associação dos Amigos da Ria e do Barco Moliceiro - Ribeira de Pardelhas - Murtosa

Associação dos Amigos da Ria e do Barco Moliceiro - Ribeira de Pardelhas - Murtosa

A Associação dos Amigos da Ria e do Barco Moliceiro, com sede na Ribeira de Pardelhas – Murtosa, foi fundada em 1990 e nasceu da paixão dum grupo de amigos pela ria e barco moliceiro. Estes homens meteram mãos à obra com vontade de fazerem algo para a sua defesa e conservação. Por esta razão acharam que deveriam ter um estaleiro para recuperarem estas embarcações e criaram esta associação para a sua defesa e conservação.

Dunas do Bico - Ria de Aveiro - Murtosa

Dunas do Bico - Ria de Aveiro - Murtosa

“As dunas são a primeira linha de defesa litoral. Nestes sistemas, há diversos habitats naturais que estão protegidos por lei. Temos, todos nós, um determinado papel na sua conservação: não as destruímos andando sobre elas, seja a pé, de bicicleta ou, acima de tudo, com veículos motorizados como jipes, motos ou moto-4. Deveremos ainda usar os passadiços para chegarmos às praias. A diversidade biológica das dunas é significativa, incluindo dezenas de espécies de planta e animais. Sem elas o mar todos os anos vai comendo uma fatia da nossa costa” 5

Flora e flora das Dunas do Bico – Murtosa

  • Caniços;

    Caniços

    • Trata-se de uma das plantas capazes de florir com mais ampla distribuição no planeta. Tolera alguma salinidade e serve como filtro para a água retirando contaminantes que acumula. Gregário, chegam-se os pés desta planta uns aos outros e o seu cale frágil resiste assim ao vento mesmo quando sopra forte. O caniçal cria condições para a nidificação de muitas espécies de aves quer pelo refugio e circunstâncias atmosféricas que possibilita, quer como material de construção;
  • Goivo-da-praia;
    • Em maio, o goivo-da-praia abre a sua flor e é então que a duna sorri. Ao talento desta flor das dunas não ficam indiferentes numerosos insetos, que lhe aceitam a mensagem e tratam de a polonizar e de consumir o seu saboroso néctar. Só assim se toma possível o advento das sementes;
  • Borboleta Maravilha;
    • É uma borboleta diurna migradora, que é possível ver ao longo de quase todo o ano. Na primavera e no verão sobe para Norte. Passa a voar, ligeira, e quando pousa fica de asas fechadas. Só os comportamentos de acasalamento lhes escancaram as asas, altura em que perdem a compostura e evidenciam o seu esplendor de um amarelo-torrado inesquecível.
  • Acácias;
    • Estas espécies, importadas da Austrália, são hoje um dos importantes fatores de perda de diversidade biológica. Onde elas se instalam, tomam conta de tudo, excluindo o espaço vital de muitas outras espécies. Crescem muito rápido, principalmente após os incêndios que são frequentes na sua terra natal. Por isso, desenvolveram essa capacidade e as suas sementes germinam após o final do fogo ganhando a competição com as restantes espécies autóctones.

Cais do Bico - Ria de Aveiro - Murtosa

Cais do Bico - Ria de Aveiro - Murtosa

“O Bico apresenta o maior complexo de cais do concelho da Murtosa. Foi outrora um dos mais importantes locais de descarga de moliço, de sal e de materiais de construção, servindo, no início do século XX, como local de ancoragem e descarga a mais de 250 barcos moliceiros. Atualmente, continua a ser a base de um grande número de pescadores murtoseiros.

Até meados do século XX funcionou aqui um estaleiro de construção naval, onde foram construídos os lugres “Ligeiro” (1920), “Maria da Conceição” (1922) e “Maria das Flores” (1946), que guarneceram a numerosa frota nacional da pesca longínqua de bacalhau. Frequentemente, é possível observar bandos de Flamingos (Phoenicopterus roseus) durante a maré-baixa, a descansar ou a alimentarem-se. A poente fica a bela e tranquila Praia do Bico.” 1

Praia do Bico - Ria de Aveiro - Murtosa

Praia do Bico - Ria de Aveiro - Murtosa

“A poente do Cais do Bico, uma pequena língua de areia forma a Praia do Bico, na Murtosa, com grandes vistas para as águas serenas da Ria de Aveiro. Em frente, do outro lado do canal da Murtosa, vislumbramos a silhueta urbana da cidade de Aveiro. Esta praia estuarina – uma das duas praias “de ria” do concelho da Murtosa, juntamente com o Monte Branco – tem sido cada vez mais procurada por quem aprecia a calma e a beleza da envolvente. 1

Monumento ao Moliceiro - Cais do Bico - Murtosa - Ria de Aveiro

Cais do Bico - Monumento ao Moliceiro - Murtosa - Ria de Aveiro

"Entre a praia e o cais, o belo Monumento ao Moliceiro evoca a embarcação e ícone maior das terras marinhoas. Ao fim do dia, pequenos bandos de pilritos-comuns (Calidris alpina) ou de borrelhos (Charadrius spp.) percorrem a areia da praia à procura de alimento. Durante a Primavera, o magnifico coro crepuscular e noturno dos Rouxinóis-comuns (Luscinia megarhynchos) pode ser escutado desde as linhas de vegetação em redor à praia.” 1

Moliceiros no Cais do Bico - Ria de Aveiro - Murtosa

Moliceiros no Cais do Bico - Ria de Aveiro - Murtosa

É no Bico da Murtosa que muitos moliceiros desfraldam as suas velas e navegam na ria e onde o nosso amigo, Mestre Joaquim Rebelo, um dia nos demonstrou como se aparelhavam as velas no seu pequeno moliceiro Sermar e nos levou a navegar na Ria de Aveiro.

Cegonhas no Cais do Bico - Murtosa

Cegonhas no Cais do Bico - Murtosa

Perto do Cais do Bico, para nascente, foram instaladas várias estruturas verticais, com diversos patamares para a venerável cegonha construir os seus ninhos. É um regalo ver este aeroporto congestionado de aviões, todas à espera de ordem da torre de controle para aterrarem, sobrevoando o espaço as centenas e sempre prontas para matraquejar com os pontiagudos bicos.

Cais da Cova do Chegado - Ria de Aveiro - Murtosa

Cais da Cova do Chegado - Ria de Aveiro - Murtosa

É neste cais que se faz o embarque para os passeios de moliceiro na Ria de Aveiro, na zona da Murtosa.

“No pequeno recorte natural desenhado na margem norte do canal da Murtosa, junto ao aglomerado habitacional do Outeiro da Maceda, conhecido popularmente por Gafanha Baixa, foi construído o Porto de Abrigo da Cova do Chegado, que veio qualificar as condições de atracação das embarcações tradicionais dos muitos pescadores desta zona que, antes, se distribuíam, no Cais do Chegado, por estruturas palafíticas, construídas de forma artesanal.” 1

Cais da Cambeia dos Cardosos - Ria de Aveiro - Murtosa

“A dimensão e a estrutura peculiar, com dois cais paralelos, atestam bem a importância que o Cais da Cambeia dos Cardosos teve no passado. A requalificação recente devolveu o brilho a este local emblemático, donde se avista a ponta nascente do canal da Murtosa da Ria de Aveiro, às portas do Baixo Vouga Lagunar, conhecida popularmente por “Laranjo”. Rodeado por sapal (a leste) e por campos agrícolas (a oeste), coabitam aqui espécies características destes dois habitats.

Durante a primavera e verão não é preciso muita sorte para vermos a Andorinha-do-mar-anã (Sternula albifrons) à “pesca” com os seus mergulhos acrobáticos. O intrincado sistema de esteiros que convergem para o cais torna este local numa apetecível base para os praticantes de SUP.” 1

Baloiço da Cambeia - Murtosa - Ria de Aveiro

Baloiço da Cambeia - Murtosa - Ria de Aveiro

O Baloiço do Cais da Cambeia dos Cardosos é uma grande estrutura de madeira montado na península dum braço da Ria de Aveiro e com uma vista soberba sobre o espelho de água.

Miradouro na Ria de Aveiro - Murtosa

Miradouro na Ria de Aveiro - Murtosa

Nos vários percursos da Murtosa Ciclável, junto da ria, foram construídos miradouros, em locais estratégicos e com uma grande ligação à ria e onde pode descansar ou simplesmente desfrutar da paisagem e dos aromas que a brisa trás.

Passadiços da Ribeira Nova - Ria de Aveiro - Murtosa

Passadiços da Ribeira Nova - Ria de Aveiro - Murtosa

Os passadiços da Ribeira Nova na Murtosa, fazem a ligação com o esteiro de Veiros e atravessam a ria duma forma audaz e muito agradável. Este é um sítio ideal para o florescimento da salicórnia, que pode apanhar se souber onde procurar, mas sem exagerar nem danificar a fauna.  

4 etapa de bicicleta - BTT na Ria de Aveiro | Murtosa - Estarreja    

Descrição da 4 etapa entre Murtosa e Estarreja, na Ria de Aveiro em BTT

Esteiro de Estarreja - Ria de Aveiro

Este percurso que acompanha os esteiros de Veiros e Estarreja transporta consigo muita beleza e quando por lá passamos sentamo-nos por vezes no cimo duma das comportas para retemperar forças e aproveitar o tempo para abarcar toda aquela beleza.

Percursos pedestres em Estarreja, caminho em Veiros

Por estas terras rurais irá encontrar por vezes animais bovinos ou equestres, no meio do caminho, não se assuste que estão amarrados por cordas e já nos aconteceu ter que desmontar não fosse o animal se assustar e ao passar por cima delas ficarem enrolas na corrente. Geralmente corre tudo bem, passamos junto dos animais devagarinho, que nos olham curiosos, dizemos bom dia e continuamos viajem.

Cais, ribeiras e esteiros:

  • Cais da Ribeira Nova - Murtosa;
  • Cais do Esteiro de Veiros;
  • Esteiro de Veiros;
  • Ribeira de Veiros;
  • Ribeira da Moita;
  • Esteiro de Estarreja;

Pontos de Interesse:

Dicas para o caminho

Quando chegar ao Cais da Ribeira Nova, junto da Capela do Senhora da Ribeira – Veiros – Estarreja, pode dar um salto ao centro desta terra que fica muito próximo, para retemperar forças num dos estabelecimentos. Se ainda estiver confortável e continuar viagem o próximo local para o fazer é nas imediações para nascente, junto à estação de Estarreja. Depois deste último ponto irá pedalar bastante sem nenhum ponto de apoio, só em Cacia. 

Ribeira de Veiros – Estarreja - Ria de Aveiro

Ribeira de Veiros – Ria de Aveiro - Murtosa

“Muito próximo deste esteiro fica a localidade de Veiros, cuja história se encontra ligada à da Ria de Aveiro, como acontece com tantas outras desta região. Além do moliço, do linho e do mercado do peixe, Veiros ficou popular pelas suas esteiras de bunho. Ao lado do final do esteiro fica também a Capela do Senhor da Ribeira, construída no século XVIII.

Na sua envolvente, o sapal perde-se de vista no horizonte, um habitat de água salobra, influenciado pela subida e descida das marés, e que por isso possui uma comunidade florística específica, adaptada a estas condições particulares.

Um aspeto muito interessante de observar, na transição do caminho calcetado para a terra batida, é o das antigas paliçadas de madeira com entrançados de ramos, que serviam de sustentação às margens do esteiro.” 1

Cais da Ribeira Nova - Veiros - Estarreja - Ria de Aveiro

Cais da Ribeira Nova – Murtosa - Ria de Aveiro

“A elevada densidade de cais e ancoradouros que encontramos no Concelho na Murtosa e em toda a Terra Marinhoa, evidencia a importância deste território como grande plataforma comercial da Ria de Aveiro, remetendo-nos para um tempo em que a laguna era a verdadeira autoestrada da região, por onde tudo partia e chegava: moliço, sal, junco, materiais de construção, madeira, produtos alimentares, peixe e, naturalmente, pessoas.

A nossa rota pelos cais e ancoradouros Murtoseiros começa na Ribeira Nova, que, à semelhança do que acontece, a norte, com a Ribeira das Teixugueiras, marca o limite administrativo entre os Concelhos da Murtosa e de Estarreja, cuja linha passa, precisamente, no meio da ribeira.” 5

Capela do Senhor da Ribeira - Veiros - Estarreja

Capela do Senhor da Ribeira – Veiros - Estarreja

“Junto ao cais da Ribeira de Veiros, um dos canais da laguna da Ria de Aveiro, é possível encontrar a Capela do Senhor da Ribeira. Afastada do centro da povoação, o local da capela está relacionado com a descoberta de uma imagem em metal de um Nosso Senhor Jesus Cristo, sem cruz, por “Isabel, solteira, sachando num campo de milho”, em 1742, então com 12 anos. Isabel guardou a imagem durante quatro anos, tendo começado a surgir rumores de que essa imagem estaria relacionada com a ocorrência de alguns milagres, nomeadamente a cura de enfermos.

Com a afluência de devotos, a imagem foi transladada para uma capela provisória de madeira, 10 anos após o achado. A afluência da população ditou a construção da capela atual, em 1753, à qual foi adicionada a devoção a Santo António, que apenas se deve ao carinho que a população tem pelo santo. Desempenhando a missão de ermitoa até ao final da vida, aos 24 anos Isabel já vestia o hábito de religiosa, servindo a capela existente. Esta, de traça simples, apresenta um frontão triangular, ladeado por fogaréus que encimam os cunhais, e uma cruz ao centro. O seu portal, apresentando um óculo no seu topo, tem um frontão em quartela.

O retábulo da capela-mor guarda o Senhor da Ribeira encontrado, incorporado numa cruz que o sustenta num nicho do altar-mor em talha policromada. A capela-mor encontra-se ainda ladeada por dois outros retábulos do mesmo estilo, em que os dourados assentam sobre uma matriz branca, substituída por azul celeste nas colunas coríntias laterais. A este culto foram dedicados vários ex-votos, estando parte destes exemplares de arte popular atualmente em exposição no Museu da Igreja de São Bartolomeu, em Veiros.” 1

Ribeira da Moita - Estarreja - Ria de Aveiro

Ribeira da Moita  – Ria de Aveiro – Estarreja

A Ribeira da Moita, fica próximo de Veiros e pertence ao concelho de Estarreja, fazendo parte da Ria de Aveiro. Na mare da baixa-mar fica sem água e as bateiras assentam desgostosas o traseiro no lodo. Quem como nós anda na ria de caiaque tem que ter imenso cuidado e controlar estas correntes, já nos aconteceu uma situação um pouco preocupante, no canal de Ovar.  

Outrora na Ribeira da Moita usavam rabos de bacalhau para capturar caranguejo

Na Moita e noutros canais similares, crescem os alevins dos peixes que aqui se estabelecem, devido às condições favoráveis que encontram nestas águas, onde encontram alimento e menos corrente. Nesta ribeira, a juventude capturava grandes quantidades de caranguejo-verde (Carcinus maenas), utilizando como isco a parte final do peixe de bacalhau atada a uma pedra. De imediato, os caranguejos agarravam-se a ele com as pinças, e eram extraídos 5 a 6 indivíduos de cada vez que era puxado o cordel para fora da água." 1

Outrora na Ribeira da Moita faziam “Escoar a rigueira” para capturar peixe

"Os mais velhos juntavam os seus familiares, delimitavam um canal com madeiras e lama, protegiam-no com redes e escoavam a água existente com vista a capturar todos os peixes que se encontrassem na água, principalmente a enguia. “Escoar a rigueira”, era um trabalho que se prolongava durante um dia inteiro." 1

Fauna da Ribeira da Moita

O estado de conservação, segundo o IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), de todos os animais a seguir referidos é pouco preocupante, com exceção da enguia-europeia, que está criticamente em perigo. 1

  • Cobra-rateira;
  • Doninha;
  • Pisco-de-peito-ruivo;
  • Alvéola-amarela;
  • Alvéola-branca;
  • Enguia-europeia;

Esteiro de Estarreja – Ria de Aveiro – Estarreja

Esteiro de Estarreja – Ria de Aveiro – Estarreja

“Estando encostado à cidade de Estarreja, este esteiro teve durante muitos anos uma grande importância comercial, desde que foi aberto durante o século XIX. Nele se transacionaram e transportaram sobre a água todos os produtos e bens endógenos da Ria de Aveiro: o valioso sal, o moliço extraído dos canais e usado para fertilizar os campos agrícolas, o pescado (principalmente a enguia) e até o junco usado para as esteiras e camas de gado.

De facto, chegou a ser o segundo maior porto de sal de toda a Ria de Aveiro. Atualmente, alguma indústria ainda está aqui instalada. Apesar da proximidade ao centro da cidade e das atividades que aqui decorrem, este esteiro é ocasionalmente frequentado por Lontras (Lutra lutra). Apure os seus sentidos de deteção de pistas e procure as pegadas deste simpático mamífero nas margens enlameadas.” 1

Percurso da Ribeiras de Veiros – Estarreja

Percurso da Ribeiras de Veiros – Estarreja

“Com o seu início na Ribeira Nova este percurso passa pelas várias Ribeiras de Veiros (Nova, Veiros, Moitela, Tralhinha e Moita), terminando no histórico Esteiro de Estarreja que foi no século passado o segundo maior porto de Sal da Ria de Aveiro. Ao longo dos cerca de 7 km atravessa canais, valas e esteiros, sapais, juncais e caniçais, campos agrícolas, áreas com pequenos bosques que brotam na proximidade das marinhas, pertencentes a um ecossistema que alberga espécies únicas de fauna e flora.” 6

5 etapa de bicicleta - BTT na Ria de Aveiro | Estarreja - BioRia

Descrição da 5 etapa entre Ovar e Avanca, na Ria de Aveiro em BTT

Bioria - Estarreja - Ria de Aveiro

Esta etapa percorre caminhos e percursos da BioRia, em Estarreja, uma das zonas mais bonitas e bem preservadas da Ria de Aveiro. Nós ainda não conhecemos todos os seus caminhos, nem temos pressa em o fazer. Este local apresenta-se diferente a cada passagem, no inverno o seu grosso caudal apenas deixa disponível os trilhos e na primavera as cores, aromas, exuberante fauna e flora, são de tal modo eloquentes que chega a ser inebriante.  

 Cais, ribeiras e esteiros:

  • Esteiro de Salreu;
  • Esteiro de Canelas;
  • Esteiro do Barbosa;

Pontos de Interesse:

  • Estação de Estarreja;
  • Ria Antuã;
  • PR4 – Percurso do Rio Antuã - Estarreja;

PR4 – Percurso do Rio Antuã - Estarreja

  • PR1 – Percurso de Salreu - Estarreja;
  • Ribeiro de Canelas;

Ribeiro de Canelas - Estarreja

  • Comportas de Canelas;
  • Comportas do Barbosa;
  • PR8 – Percurso da Fermelã - Estarreja;
  • PR3 – Pateira de Frossos - Albergaria-a-Velha;

BioRia – Estarreja - Ria de Aveiro

Bioria – Estarreja - Ria de Aveiro

“O projeto da BioRia de Estarreja teve como objetivo aproveitar a sua privilegiada localização geográfica, nem sempre reconhecida pela sua riqueza e biodiversidade. Teve como desafio reavivar a sua identidade perdida no tempo, valorizando este ecossistema natural, projeto pioneiro de conservação da natureza e biodiversidade da Câmara Municipal de Estarreja, que neste milénio ousou “Virar o Concelho para a Ria.” 1

Nesta área pode encontrar vários percursos para caminhar ou andar de bicicleta, observar aves, conhecer a fauna e flora ou visitar o Centro de Interpretação Ambiental.

Rio Antuã – Estarreja

Rio Antuã – Estarreja

Nasce em Santa Maria da Feira, no Monte Alto, localidade de Romariz. Daí, vai seguindo o seu curso para sul, sendo alimentado por diversos afluentes (como o Rio Ínsua, por exemplo), e depois para sudoeste, atravessando o concelho de Estarreja.

A partir desta localidade, onde dá nome a um parque urbano, continua suavemente até desaguar na Ria de Aveiro, no Largo do Laranjo a mais de 39 km da sua nascente. A foz do Rio Antuã é facilmente visitável tanto a pé como de bicicleta, seguindo o Percurso de Salreu (percurso circular de 7,7km), com início no Centro de Interpretação Ambiental do BioRia.

Durante o caminho devemos aproveitar para reparar em algumas das muitas espécies de aves limícolas e aquáticas que aqui ocorrem. Além destas, durante o verão, é uma das melhores zonas para observarmos a Garça-vermelha (Ardea purpurea) e a Águia-sapeira (Circus aeruginosus). Durante o inverno, destaca-se a presença da Águia-pesqueira (Padion haliaetus).1

PR4 – Percurso do Rio Antuã

Ponte do Rio Antuã - Estarreja

O percurso do Rio Antuã tem início junto ao Esteiro de Estarreja e acompanha ao longo dos seus 6 km as margens deste Rio, que desagua na Ria de Aveiro. O visitante poderá desfrutar de belas paisagens e habitats pertencentes a esta rica zona húmida lagunar, onde é possível observar algumas actividades tradicionais características desta região.6

Comportas do Rio Antuã - Estarreja

Comportas do Rio Antuã - Estarreja

Depois de percorrer de bicicleta a margem direita do Rio Antuã, irá passar para a margem esquerda, passando por cima duma pequena ponte com umas comportas. 

Nas Margens do Rio Antuã – Estarreja

“A água doce deste rio, além de ser responsável nesta área, pela diminuição da salinidade do solo, é usada na rega das culturas (arroz, milho e forragens). Como forma de encaminhar a água do rio para as inúmeras valas de rega sem utilizar energia, o homem recorreu à construção de açudes, que se destinam a elevar o nível da água para que esta escoe, por gravidade, para valas e destas pars os terrenos.

Um dos aspetos determinantes para a qualidade ecológica dos rios é a manutenção da vegetação que se desenvolve ao longo das suas margens, a chamada vegetação ripícola.

Tipicamente, esta vegetação é formada por plantas adaptadas a viverem em locais muito húmidos, quer sejam árvores como o salgueiro (Salix atrocinera) e o amieiro (Alnus glutinosa), arbustos como o sabugueiro (Sambucus nigra) e o pilriteiro (Crataegus monogyna), ou plantas herbáceas, nomeadamente as silvas (Rubus ulmufolius) e as madressilvas (Lonícera sp).

Estas plantas além de desempenharem um papel determinante na manutenção e fixação das margens, uma vez que as suas raízes seguram o solo das margens e atenuam a velocidade das correntes, são uma importante fonte de alimento para os animais aquáticos e ótimas reguladoras da temperatura da água, devido à sombra que a frondosas árvores e alguns arbustos garantem.

Por outro lado, proporcionam um ambiente ótimo para a vida selvagem, ao contribuírem para a formação de vários microhabitats que suportam uma grande diversidade de organismos. A enguia (Anguilla anguilla), a lontra (Lutra lutra), a rã-de-focinho-pontiagudo (Discoglassus galganoi) e o rouxinol-bravo (Cettia cetti), são apenas alguns dos animais que beneficiam do refugio, do alimento e do clima ameno que áreas como esta proporcionam.

A inegável riqueza destas locais, bem como a frescura que nos oferecem, fazem com que valha a pena efetuar uma paragem mais demorada e, com calma, apreciar os mais pequenos pormenores da sua beleza.” 6

Fauna do Rio Antuã 6

  • Toirão (Mustela putorius);
  • Coruja-das-torres (Tyto alba);
  • Rato-de-água (Arvicola sapidus);
  • Rouxinol-bravo (Cettia cetti);
  • Cobra-de-água-viperina (Natrix maura);
  • Rã-de-focinho-ponteagudo (Discoglossus galganoi);

Os canais, as marés e as vasas

Esteiro de Canelas - Ria de Aveiro - Estarreja

“A partir da laguna de Aveiro, situada a oeste, divergem canais de água salobra, de diferentes formas e dimensões, em direção às zonas interiores. Alguns destes canais, conhecidos como esteiros, ramificam-se aqui, entre as águas doces dos rios Antuã e Jardim. O nome pelo qual são conhecidos foi-lhes atribuído de acordo com as distintas localidades que percorrem, denominam-se esteiros de Canelas, Salreu e Estarreja.

É a salinidade típica dos esteiros que permite manter as características de sapal, um dos efeitos mais visíveis da influência desta salinidade é a ocorrência de apenas alguns tipos de plantas, que crescem em elevadas densidades. A vegetação que se estabelece é típica de ambientes húmidos e tem um papel ecológico muito importante.” 1

Os canais, esteiros e laguna são autênticos viveiros de peixe

“Mas os diferentes canais e esteiros, tal como a própria laguna, são também importantes por um outro motivo.: eles são essenciais para diversas espécies de peixes, comportando-se como autênticos viveiros. Nos períodos de reprodução, larvas e juvenis de espécies marinhas como o robalo (Dicentrarchus Labrax), a tainha (Liza aurata) ou a solha-das-pedras (Platichthtuys flesus), são atraídas pela abundância de alimento existente no estuário: pequenos peixes, plantas ou invertebrados. O estuário representa então, um local importante para o crescimento e desenvolvimento de diversos peixes costeiros, alguns bastante explorados comercialmente, pelo que é fundamental a sua conservação.

A proteção e conservação estendem-se também a espécies que habitam o próprio estuário. São os chamados peixes residentes, que dependem das mesmas condições estuarinas para a sua sobrevivência. Ao contrário do que se possa pensar, são animais com grande capacidade de adaptação, uma vez que suportam uma grande inconstância em fatores vitais como temperaturas, salinidade ou níveis de maré.

Os estuários são também locais de passagem para espécies piscícolas que realizam movimentos reprodutores migradoras. O fim destas deslocações pode ser a desova no mar – nos denominados migradores catádromos, de que é exemplo a enguia (Anguilla anguilla) – ou à cabeceiras dos rios – migradores anádromos, como o sável (Alosa alosa) ou o salmão (Salmo solar). Nestas deslocações, a região estuarina não é apenas um ponto de passagem obrigatório, mas uma área importante, de grande apoio ao sucesso da reprodução.

Diversas espécies, quer animais, quer vegetais, encontram-se geralmente associados a cursos de água salobra, a estuários e lagoas costeiros e, de um modo mais abrangente, à própria Ria de Aveiro.” 6

Os peixes da Ria de Aveiro

  • Robalo (Dicentrarchus labrax);
  • Caboz-da-areia (Pomatoschistus minuts);
  • Tainha-garrento (Liza aurata);
  • Solha-das-pedras (Platichthtuys flesus);
  • Enguia (Anguilla anguilla);

Aves comuns na Ria de Aveiro

  • Gaivota-argêntea (Larus cachinas);
  • Guincho-comum (Larus ridibundus);

O Moliço fez nascer os ícones Moliceiros da Ria de Aveiro

O moliço é, na realidade, uma associação vegetal entre várias espécies de plantas aquáticas e de algas que crescem submersas nas águas.1

No leito dos canais e esteiros desenvolvem-se algas e plantas aquáticas, algumas das quais foram em tempos, colhidas periodicamente e utilizadas como adubo nos campos agrícolas. A apanhas era feita utilizando como adubo nos campos agrícolas. A apanha era feita utilizando ancinhos, que eram arrastados pelos fundos, a bordo de barcos de grande capacidade e estabilidade: os conhecidos moliceiros da Ria de Aveiro. O moliceiro é atualmente uma imagem emblemática da Ria, já que possui uma rara beleza, aprimorada por coloridos painéis pintados à mão na ré e na proa, com motivos religiosos ou brejeiros.6

Ambientes anfíbios da Ria de Aveiro

Esteiro de Salreu - Estarreja - Ria de Aveiro

“Marcados por uma forte interação entre o cíclico movimento das marés e o constante fluxo dos rios, os sapais, são áreas formadas por areais e aluviões sujeitas a alagamento periódico e a um considerável teor salino. Por estes motivos a vegetação que aí se desenvolve viu-se obrigada a adquirir características que lhe permitissem sobreviver a essas condições adversas. A diminuição das folhas, a presença de uma camada protetora no caule e nas folhas e o aumento de volume das raízes são apenas algumas dessas adaptações.

Esta vegetação, além de consumir nutrientes que, muitas vezes existem em excesso na água apresenta a curiosa capacidade de fixar matérias tóxicos, especialmente metais pesados. Por estas características, desempenha uma importante ação de despoluição das águas do estuário, funcionando como um filtro natural.

Geralmente, o sapal não apresenta uma grande diversidade de plantas sendo comum encontrar extensas áreas com um número reduzido de espécies associadas, e onde apenas uma delas predomina. Dois exemplos deste tipo são as conhecidas praias de juncos, constituídas essencialmente por junco-das-esteiras (Juncus maritimus) e os caniçais.

Precisamente à sua volta pode encontrar uma dessas área, o caniçal. Se reparar, a planta que aqui mais abunda é o caniço (Phragmites australis). Este ao dispersar-se, multiplica-se em elevadas densidades formando uma estrutura compacta, que encerra algumas surpresas aos observadores mais atentos. Uma grande variedade de seres vivos e algumas lagoas de água livres são apenas alguns exemplos.

Na realidade, diversos animais, e em especial as aves, encontram aí alimento em abundância e locais propícios para se refugiarem e nidificarem. Os ninhos construídos no interior desta vegetação, ficam protegidos da predação de mamíferos terrestres e do vento, além de usufruírem do micoclima aí existente. Estas condições fazem com que algumas aves, como o caso da Garça-vermelha (Ardea purpurea), da águia-sapeira (Circus aeruginosus) e do rouxinol-grande-dos-caniços (Acrocephalus arudinaceus) dependam exclusivamente destas áreas para se reproduzirem.” 6

Fauna de flora dos ambientes anfíbios da Ria de Aveiro

    • Caniço (Phragmites australis);
    • Junco-das-esteiras (Juncus maritimus);
    • Tábua-larga (Typha latifolia);

      Planta tábua-larga (Typha latifolia) na Ria de Aveiro

  • Garça-vermelha (Ardea purpurea);
  • Pato-real (Anas platyrhynchos);
  • Milhafre-preto (Milvus migrans);
  • Águia-sapeira (Circus aeruginosus);
  • Rouxinol-grande-dos-caniços (Acrocephalus arudinaceus)
  • Galinha-de-água (Gallinula chloropus);
  • Pisco-de-peito-azul (Luscinia svecica);

Os segredos dos esteiros da Ria de Aveiro

“Inspiradores de inúmeros artistas, dando mesmo título a obras literárias, estes Esteiros são canais de água ligados a braços da Ria que terminam em portos de carga e descarga, hoje já sem uso.” 6

Esteiro de Salreu – Ria de Aveiro

"Eram, como no caso deste de Salreu, utilizados como meio de ligação fluvial à própria Ria e também o local de produção do característico moliço que deu nome aos afamados barcos típicos desta zona, os Moliceiros, já referidos. Estes canais sustentam ainda nos dias de hoje uma rica e importante biodiversidade que importa conhecer e conservar.

São habitats influenciados pelo próprio curso da água, repleto de peixes, em particular crias (alevis) em desenvolvimento. Possuem também larvas de insetos, bem como bivaldes enterrados nos lodos do seu fundo que ficam a descoberto na maré vaza. Estas praias de lama temporária rapidamente são povoadas por múltiplas espécies de aves em particular limícolas (família de aves pernaltas), nas suas passagens migratórias que se alimentam dos pequenos invertebrados enterrados no lodo.

Além disso a vegetação marginal ao longo destes canais, constitui um corredor ripícola, onde se destacam entre outros os salgueiros (Saliz atrocinerea), os amieiros (Alnus glutinosa)e a tamargueira (Tamariz canariensis), assim como o caniço (Phragmites australis) e tifa (Typha latifolia). Nesta vegetação vivem numerosas espécies de insetos, anfíbios, répteis e aves, bem como alguns mamíferos.

Esteja, portanto, muito atento, pois poderá ver o tímido guarda-rios (Alcdeo athis) em voo, vislumbrar ao cair da noite a esquiva lontra (Lutra lutra) a nadar ou a atravessa a correr de um canal para outro. E, se não tiver sorte na primeira visita, esperamos que não desista e volta mais vezes.” 6

Fauna e Flora do Esteiro de Salreu na Ria de Aveiro

  • Amieiro (Alnus glutinosa);
  • Salgueiro-negro (Salix atrocinerea);
  • Águia-de-asa-redonda (Buteo buteo);
  • Verdilhão-comum (Carduelis chloris);
  • Guarda-rios (Alcedo athis);
  • Maçarico-das-rochas (Actitis hypoleucos);
  • Alvéola-amarela (Motacilla flava);
  • Alvéola-cinzenta (Motacilla cinera);

Esteiro de Salreu na Ria de Aveiro

Esteiro de Salreu - Estarreja - Ria de Aveiro

“O coaxar das rãs e o canto das aves preenchem a atmosfera das imediações do Esteiro de Salreu. Aproveitando as longas extensões de caniçais e tabuais densos, inúmeras aves fazem aqui os seus ninhos, procuram alimento e encontram proteção durante todo o ano. A Garça-vermelha (Ardea purpurea) tem aqui a maior colónia reprodutora do País, proporcionando por isso boas possibilidades de observação desta elegante ave.

O Rouxinol-pequeno-dos-caniços (Acrocephalus scirpaceus), o Rouxinol-grande-dos-caniços (Acrocephalus arundinaceus) e a Felosa-unicolor (Locustella luscinioides) são três pequenas aves insetívoras, mais facilmente identificadas pelos seus cantos e chamamentos elaborados e apenas presentes durante a época estival." 6

Centro de Interpretação Ambiental do BioRia - Estarreja - Ria de Aveiro

Centro de Interpretação Ambiental do BioRia - Estarreja - Ria de Aveiro

"Aqui fica sediado o Centro de Interpretação Ambiental do BioRia, um polo de dinamização de inúmeras atividades de sensibilização ambiental e de conservação da natureza e um ótimo ponto de partida para a descoberta desta extensão da Ria de Aveiro e do Baixo Vouga Lagunar, explorando os diferentes percursos pedestres autonomamente ou numa visita guiada.” 6

PR1 – Percurso de Salreu - Bioria - Esterraja - Ria de Aveiro

PR1 – Percurso de Salreu - Bioria - Esterraja - Ria de Aveiro

“O percurso de Salreu é de natureza circular, tendo o seu início e término junto ao Centro de Interpretação Ambiental do BioRia. É um percurso de 8 km, que atravessa áreas de enorme beleza paisagística, como campos de arroz, sapais, juncais e caniçais.

A presença do Rio Antuã e do Esteiro de Salreu, ligados por uma rede de valas, permite a comunicação entre todos os habitats, justificando os elevados índices de biodiversidade existentes.” 6

Comportas de Canelas – Estarreja - Ria de Aveiro

Comportas de Canelas – Estarreja - Ria de Aveiro

Quando chegar às comportas de Canelas irá ter uma visão esplêndida sobre o esteiro, luxuriante floresta ou descansar nos bancos de madeira aqui colocados. Aqui é uma encruzilhada de caminhos, que poderá explorar em próximas visitas.

Esteiro de Canelas - Estarreja - Ria de Aveiro

Fauna e Flora no Esteiro de Canelas - Estarreja - Ria de Aveiro

Esteiro de Canelas - Estarreja - Ria de Aveiro

“As árvores e arbustos de espécies nativas como o salgueiro-negro (Salix atrocinerea), o amieiro (Alnus Glutinosa) e o carvalho-alvarinho (Quercus robur) são fundamentais para a fixação de valas, e fornecimento de abrigo e alimento aos muitos animais que aqui ocorrem.

Neste habitat que pulsa de vida, de dia facilmente consegue ouvir os cantos de muitas espécies de aves, como o rouxinol-bravo (Cettia cetti) e o chapim-real (Parus majos) e até, com um pouco de sorte, vislumbrar um gavião (Accipiter nisus) por entre a folhagem.

De noite entram em cena os silenciosos morcegos, que deixam os seus abrigos nas árvores para procurar insetos dos quais se alimentam. No crepúsculo vagueiam pelos terrenos e caminhos esquivos, mas belos toirões (Mustela putorius), ginetas (Genetta genetta) e texugos (Meles meles), aproveitando a vegetação para não serem detetados pelas presas que perseguem.” 6

Espécies mais comuns no Esteiro de Canelas - Ria de Aveiro

  • Guarda-rios (Alcedo Atthis);
  • Lontra (Lutra Lutra);
  • Morcego Arborícola (Nyctalus Noctula);
  • Amieiro (Alnus Glutinosa);
  • Salgueiro (Salix Atrocinerea);

Importância das valas de água doce na Ria de Aveiro

“As valas de água doce, que ajudam a escoar e controlar os níveis de água, recortam campos e conferem a esta paisagem algumas das suas particularidades. Providenciam um nicho que é ocupado por vários animais, contribuindo assim para os elevados índices de biodiversidade deste habitat.

Nestes canais, por fugazes instantes pode observar o voo rápido do guarda-rios (Alcedo atthis), ou uma tímida e inofensiva cobra-de-água-viperina.

As valas são também zona de caça de eleição para a lontra (Lutra lutra), que aqui procura peixe, anfíbios e crustáceos durante a noite.” 6

Comportas do Barbosa – Albergaria-a-Velha - Ria de Aveiro

Comportas do Barbosa – Albergaria-a-Velha - Ria de Aveiro

Depois das comportas de Canelas, seguindo para poente, acompanhando o Esteiro de Canelas, irá encontrar uma grande comporta, com uma vista soberba sobre o encontro do Esteiro de Canelas com o do Barbosa, na fronteira entre os concelhos de Estarreja e Albergaria-a-Velha.

Esteiro do Barbosa - Albergaria-a-Velha - Ria de Aveiro

Esteiro do Barbosa - Albergaria-a-Velha - Ria de Aveiro

Se estiver no cimo da Comporta do Barbosa, para nascente fica situado o Esteiro do Barbosa. Esta comporta segundo apuramos foi construída para impedir a invasão da água salobra e aqueles terrenos serem usados para o cultivo do arroz, mas ainda nenhuma cultura foi feita e a estrutura está a degradar-se.

Neste ponto tem que subir e descer os degraus metálicos com a bicicleta carregada, se for o caso. O amplo terreno em frente ao talude da ria é usado para a criação de animais, neste momento encontramos cavalos a pastar, mas já ali encontramos gado bovino da raça marinhoa. No final há uma pequena cancela, feita de forma grosseira, que abrir e depois fechar para os animais não fugirem.

Zona do esteiro e Campos do Bocage

“Estruturas rasgadas pelo Homem com a água como meio unificador, os Esteiros são, para além, de título de livro de lusitano escritor, canais espaçosos semelhantes a autoestradas de água, sulcadas no passado por múltiplos moliceiros, baterias e mercantéis na constante labuta do comércio transportando as riquezas da Ria: o precioso sal e o fértil moliço, pilares de desenvolvimento passado da região.

Ou ainda possibilitando a comunicação entre as populações. O Esteiro de Canelas é apenas mais um dos muitos que cobrem a região lagunar e a dotam de múltiplos espelhos de água contribuindo para a rica biodiversidade existente. A suas margens cobertas de vegetação dão-lhe um aspeto nostálgico e romântico e convidam a conhecer melhor o seu património natural que por aqui se abriga.” 6

Raça Marinhoa nos Campos do Bocage – Ria de Aveiro

“Uma das raças de gado autóctone Portuguesas, oriunda do Baixo Vouga e distribuída pelos concelhos da Murtosa, Estarreja, Aveiro, Albergaria-a-Velha, Vagos, Ílhavo, Oliveira do Bairro, Águeda, Anadia, Mealhada, Sever do Vouga e Ovar e ainda algumas freguesias de Oliveira de Azeméis, Mira e Cantanhede.

Os machos adultos, mais escuros, pesam cerca de 950 kg e as fêmeas cerca de 600 kg. É utilizado na produção de carne e antigamente também pelo trabalho nos arrozais e terrenos alagados da região da Ria. Dotados de membros fortes e musculados é reconhecida como uma raça de elevada robustez e resistência. Possui pelagem castanho-clara, pendendo para a cor de palha, ou, por vezes, para o acerejado.” 6

“As referências mais antigas à Raça remontam ao final do século XIX, e foram utilizadas por Silvestre Bernardo Lima que descreveu a derivação da palavra Marinhoa, relacionando-a com marinhas da região costeira da Beira Litoral, terras banhadas pelos estuários do Vouga, Cértima e Antuã, uma das mais férteis de Portugal.” 7

Fauna e flora dos Campos do Bocage – Ria de Aveiro 6

  • Pintassilgo (Carduelis carduelis);
  • Gavião (Accipiter nisus);
  • Mocho-galego (Athene noctua);
  • Texugo (Meles meles);
  • Funcho ou Erva-doce (foeniculum vulgare);

6 etapa de bicicleta - BTT na Ria de Aveiro | BioRia - Cacia

Descrição da 6 etapa entre BioRia e Cacia, na Ria de Aveiro em BTT Cais.

Esta etapa é marcada pela luxuriante vegetação do Bocage, campos onde ruminam animais da raça bovina e aproximação ao Rio Vouga e Rio Novo do Príncipe, sua continuação. Numa primeira fase subimos para montante, pela margem direita do Rio Novo do Príncipe e depois de passarmos a Ponte de Sarrazola, para jusante, margem esquerda, até encontrarmos a Ponte Caída de Vilarinho, onde existe uma das extremidades dos novos passadiços de Aveiro.  

Pontos de Interesse:

  • Rio Vouga;
  • Rio Novo do Príncipe;
  • Pontes de Sarrazola;
  • Ponte Caída de Vilarinho;
  • Estação da CP de Cacia;

Paisagem do Bocage na Ria de Aveiro

Paisagem do Bocage na Ria de Aveiro

“A paisagem do Bocage, é um habitat típico do Baixo Vouga lagunar, muito raro em Portugal, de origem antropogénica. Além do seu aspeto reticulado em mosaico de inegável valor paisagístico, este agro-sistema possui uma elevada biodiversidade associada.” 6

Aves comuns no Bocage na Ria de Aveiro

  • Águia de asa redonda (Buteo buteo);
  • Cartaxo comum (Saxiola Torquata);
  • Garça Vermelha (Ardea Purpurea);
  • Milhafre Preto (Milvus Milvus);

Rio Novo do Príncipe - Cacia – Aveiro

Rio Novo do Príncipe - Cacia – Aveiro

“O leito largo do rio, as suas margens bem vegetadas e a ausência de atividades humanas intensivas fazem desta extensão um local tranquilo. Estas margens são, de facto, um bom local para nos demorarmos a ver e ouvir a grande diversidade de animais que aqui habitam: Galeirões (Fulica atra) dentro de água, Guarda-rios (Alcedo atthis) voando velozmente rente às margens, Toutinegras-de-barrete-preto (Sylvia atricapilla) e Chapins-carvoeiros (Periparus ater) nas árvores que bordejam o rio. Com sorte, até uma Lontra (Lutra lutra) a caçar dentro de água.

De facto, é difícil apercebermo-nos que este rio é, na verdade, um canal artificial, construído no início do século XIX para melhorar a utilização agrícola dos terrenos envolventes. Estes eram frequentemente alagados, pelo que surgiu a necessidade de construir um novo e largo canal que escoasse rapidamente as águas do Rio Vouga em alturas de maior caudal. Assim, surgiu o “Rio Novo”, que desvia o troço final do Vouga do seu curso original.

Tem quase cinco quilómetros de extensão, desde Sarrazola (Cacia) até a sua nova foz, na Cale do Espinheiro, na Ria de Aveiro. O curso original do Rio Vouga – agora chamado de “Rio Velho” – corria para norte, desde Sarrazola, até perto do lugar do Bico, na Murtosa, onde desaguava na Ria. Inaugurado em 1815 pelo então Príncipe D. João (posteriormente Rei D. João IV), foi esse ato que deu o nome ao “Rio Novo do Príncipe”. 6

Pontes de Sarrazola - Cacia - Aveiro

Ponte de Sarrazola - Rio Novo do Príncipe - Cacia - Aveiro

Ao chegar a Sarrazola irá encontrar duas pontes, uma fechada à circulação, em virtude da sua degradação, que tem tanta ondulação como as ondas do mar, mas que mesmo assim passamos por nossa conta e risco. Os nossos leitores devem ter mais juízo que nós e ir pela ponte nova mesmo ao lado.

Ponte Caída de Vilarinho – Cacia - Aveiro

Ponte Caída de Vilarinho – Cacia - Aveiro

A ponte caída de Vilarinho, originalmente tinha cerca de 80 metros de cumprimento, tendo sido inaugurada em 23-02-1992. A sua construção foi feita em conjunto pelo Governador Civil de Aveiro, Gilberto Madail, Câmara Municipal de Aveiro e Junta de Freguesia de Cacia. Esta obra veio responder a várias queixas dos agricultores da zona, para poderem aceder aos seus terrenos de cultivo do outro lado do rio, “atendendo a várias exposições feitas por agricultores da zona para facilitar o acesso a campos de que eram proprietários na outra margem do Rio Novo do Príncipe, um canal artificial aberto no século XIX para encurtar a distância do Rio Vouga em direção ao mar. Durante a noite de 4 de janeiro de 2014, uma enxurrada levou esta ponte que dava acesso aos campos em Vilarinho, Aveiro.” 8

Atualmente resta no local os fragmentos que lhe deram fama e uma placa da sua efémera construção, relembrando ao homem que se dominou e construiu este canal, as águas, contudo continuam a ser livres, fossem assim as pessoas.  

7 etapa de bicicleta - BTT na Ria de Aveiro | Cacia – Passadiços de Aveiro

Descrição da 7 etapa entre Cacia e as Passadiços de Aveiro, na Ria de Aveiro em BTT Cais.

Entrámos na última parte do percurso, também cheio de beleza e que atinge a sua plenitude bem cedo pela manhã, quando o sossego das águas e a fome das aves o tornam mais interessante ou à noitinha quando o saudoso sol foge para novas amadas e deixa a ria embevecida.

Ribeiros e Esteiros

  • Cais da Ribeira de Esgueira – Aveiro;
  • Canal de São Roque;

Pontos de Interesse

Passadiços de Aveiro

  • Pontes do Canal de São Roque;
  • Antigas Salinas da Ria de Aveiro;

Distância dos Passadiços da Ria de Aveiro

Passadiços de Aveiro

A distância completa dos Passadiços da Ria de Aveiro é de 7,5 km (15 km ida e volta), podendo ser percorridos de forma linear, em ambos os sentidos, entre o Cais da Ribeira de Esgueira e a localidade de Vilarinho, perto da conhecida Ponte Caída, por onde passa o Rio Novo do Príncipe, continuação do Rio Vouga. Se desejar pode também começar o percurso junto do Canal de São Roque em Aveiro.

Flamingo - Uma ave que fez da Ria de Aveiro a sua casa

Flamingos na Murtosa - Ria de Aveiro

Os passadiços de Aveiro são um local excelente para observar flamingos que pode ser potencializado se levar uns binóculos.

“Esta ave cada vez mais presente na Ria de Aveiro alimenta-se de pequenos invertebrados aquáticos como moluscos, crustáceos, anelídeos e insetos. Em adulto tem plumagem rosa, mas enquanto é jovem tem uma plumagem acinzentada e depois branca. O bico, curto e grosso, apresenta a ponta virada para baixo, tem porte majestoso podendo atingir 150 cm de altura.” 3

Cais da Ribeira de Esgueira - Ria de Aveiro

Cais da Ribeira de Esgueira - Ria de Aveiro

Os Passadiços da Ria de Aveiro começam junto do Cais da Ribeira de Esgueira - Aveiro ou Ponte Caída de Vilarinho - Cacia, onde pode estacionar o seu automóvel se pretender viajar desta forma para este local.

"Localizado no esteiro de Esgueira, sector da Ria de Aveiro que estabelece continuidade à Ribeira de Esgueira, sendo este um dos canais que se estendem a partir da zona norte da cidade de Aveiro. Este canal teria uma importância fundamental para o antigo concelho de Esgueira que, recebendo o seu primeiro foral em 1110, reforçado por um manuelino em 1515, deteve o estatuto de município até à sua anexação a Aveiro em 1836.” 1

Canal de São Roque - Ria de Aveiro

Canal de São Roque - Ria de Aveiro

Depois de terminar os passadiços de Aveiro,  no Cais da Ribeira de Esgueira, siga em frente até encontrar a A25, vire à direita, para poente e siga pelo caminho até encontrar um túnel à esquerda, sob a autoestrada e deparar-se com a extremidade do Canal de São Roque, já em Aveiro. Ao percorrer a pista ciclável junto deste canal, pode apreciar icónicas pontes pedonais com antigos e modernos estilos arquitetónicos e ver passar antigos mercantéis em animados passeios turísticos.

"Ao longo do Canal de S. Roque pode desfrutar-se de um ambiente verdejante junto a um local emblemático da cidade, de um lado a Ria e do outro, o apelidado bairro à Beira Mar onde se situavam armazéns de sal. Esta zona, reabilitada recentemente, apresenta equipamentos que possibilitam desfrutar com qualidade de uma zona pedonal e ciclável junto a uma das imagens mais típicas de Aveiro." 1

Final do Percurso

Este é um percurso longo, mas duma grande riqueza geográfica, paisagística da fauna e flora. Os seus caminhos de terra batida, passadiços, taludes, pela sua configuração sem grandes desníveis são os ideais para descobrir a Ria de Aveiro de bicicleta/BTT. Esta é apenas uma sugestão de percurso, porque existem ainda muitos quilómetros por descobrir, mas nós somos pacientes e adoramos aventura.

No final dirigimo-nos até à estação da CP de Aveiro e regressamos de comboio à nossa terra de Ovar.

Download do tracking em vários formatos e mapa percurso

No link de cima poderá fazer o download do tracking do percurso nos formatos GPX, KML e TCX e uma foto com o mapa do percurso. Poderá depois descarregá-lo para o seu Garmin, Wikiloc ou a APP que você usar. Em relação a estes ficheiros, só não tivemos bateria para gravar um pouco da parte final, perto do Cais da Ribeira de Esgueira. 

Bom passeio 

Créditos e Fontes pesquisadas

Texto: Ondas da Serra com exceção do que está em itálico e devidamente referenciado.

Fotos: Ondas da Serra. 

1 - riadeaveiro.pt
2 - Esboço da História Contemporânea de Pardilhó: O Almocreve da Ti Rendeira. 1. ed. Rio de Janeiro: CBAG EDITORA, 1982. 70 p. v. 1
3 - Robaina, M. and Martins, F. and Figueiredo, E. and Albuquerque, H., Nunca mais voltas ao Cais? Percepções sociais e políticas sobre os Cais da Ria de Aveiro. RIA, Aveiro, 1981
4 - ECCLESIA. Fonte da Samaritana.: Painel da Fábrica dos Santos Mártires em Pardilhó. 2014. Disponível em: http://sites.ecclesia.pt/cv/fonte-da-samaritana-painel-da-fabrica-dos-santos-martires-em-pardilho. Acesso em: 21 nov. 2018.
5 - Câmara Municipal da Murtosa
6 - bioria.com
7 - carnemarinhoa.pt
8 -  rtp.pt
9 - Câmara Municipal de Aveiro
10 - rotadabairrada.pt

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Autor

Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social periódico, distribuído electronicamente, que visa através da inserção de notícias, promover a identidade regional, o turismo, e a divulgação/defesa do património natural, arquitectónico, pessoas, animais e tradições, dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, nomeadamente: Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca e do forma mais geral dos restantes municípios do distrito.

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