História do Cais da Ribeira em Ovar e real imposto do vinho Cais da Ribeira - Ovar Ondas da Serra
quinta, 01 outubro 2020 01:38

História do Cais da Ribeira em Ovar e real imposto do vinho

Classifique este item
(3 votos)

O Cais da Ribeira de Ovar, filho da ria de Aveiro, em tempos antigos foi um fidalgo abastado, ultrapassado pela importância do vapor que ali perto fez nascer uma estação. A sua construção remonta a 1754 e durante muito tempo teve grande importância no transporte de passageiros e trocas comerciais entre Aveiro, Porto, Régua e outras terras do interior.

História do Cais da Ribeira em Ovar real imposto do vinho

A sua besta de carga era o mercantel, daqueles que agora ainda vão sendo construídos pelo Mestre Felisberto do Tabuado em Pardilhó, não para carregar sal, mas para o turista em Aveiro passear pelos canais. Estes barcos navegaram nestas águas até 1980, onde o sal chegava das marinhas de Aveiro para ser processado nas suas industriais. As poucas que hoje resistem há muito tempo que usam camiões para o seu transporte.

O "real imposto a cada quartilho de vinho", para financiar a construção.

No vídeo que apresentamos vamos contar a sua história e a forma que foi desencantada para promover a sua construção. O Rei D. João I determinou que os impostos aqui pagos e que fomentavam a construção da barra de Aveiro, fossem reafectados para a sua reconstrução, com o "real imposto a cada quartilho de vinho". O seu filho o Infante D. Miguel, reforçou a determinação do pai, com o "arrátel da carne no distrito da vila".

Naquela época rebentaram também as lutas entre liberais e Miguelistas. Ao chegar ao poder o Ministro do Reino, Passos Manuel, quis saber onde foi gasto o dinheiro e pediu contas. O município vareiro reteve os impostos, mas não fez obras com o argumento que necessitou dele para ajudar necessitados. A reafectação do imposto foi revogada e depois de várias recusas da câmara em cumprir a ordem foi dissolvida e substituída por uma mais fraca que cumpriu a determinação.

O intenso movimento e a criação da figura do “Cabo do Cais”.

O movimento neste cais era tão intenso que o município criou a figura do “Cabo do Cais”, como foi António José Sousa Pinto Bastos, que aos nove dias de dezembro de mil oitocentos e vinte e oito, entregou 305$610 de impostos, para serem depositados nos cofres públicos.

Vídeo do Cais da Ribeira em Ovar

A passagem por este cais da ilustre família real.

Este local ficou também ligado a uma viajem que a Rainha D. Maria II, fez entre Ovar e Aveiro, no dia 23 de maio de 1952, acompanhada pelo rei consorte D. Fernando II, Príncipe Real D. Pedro e o Infante D. Luís. A família real deixou os Paços do Concelho pelas 09h30, onde pernoitou, rumo ao cais da Ribeira, acompanhada por centenas de vareiros, onde embarcaram rumo à cidade de Aveiro. Esse dia foi de festa e o cortejo real foi escoltados pela ria pela Câmara e por e várias pessoas de todas as classes que se quiseram associar.

Uma bonita caminhada na zona centro.

O local é também o ponto de partida para uma boa caminhada na zona centro, requalificada pelo município, entre o Rio Cáster e a Ria de Aveiro, que termina na sua foz, num local conhecido pela boca do rio. Aqui poderá ver pontualmente lavandeiras metidas no rio, com água pelos joelhos a lavar a roupa à mão. O percurso tem cerca de três quilómetros em cada direção, sendo recomendado para caminhadas para iniciantes. Junto deste percurso foi construída uma torre de observação, onde poderão ser observar as aves na ria e as águias no ar.

Galeria de fotos

Lida 525 vezes

Autor

Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social periódico, distribuído electronicamente, que visa através da inserção de notícias, promover a identidade regional, o turismo, e a divulgação/defesa do património natural, arquitectónico, pessoas, animais e tradições, dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, nomeadamente: Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca e do forma mais geral dos restantes municípios do distrito.

Itens relacionados

Vereda do pastor percurso pedestre oculto da Serra da Freita

Pelo percurso pedestre do PR3 – Vereda do Pastor - Arões - Vale de Cambra, o Ondas da Serra foi conhecer as aldeias mais icónicas da encosta sul da Serra da Freita, Covô, Agualva e Lomba. Nesta caminhada ainda passamos por duas povoações já abandonadas de Porqueiras e Berlengas. Este trilho é muito rico em termos arquitetónicos, naturais, fauna e flora, onde podemos apreciar um núcleo composto por 15 canastros ou espigueiros, duas bonitas cascatas, luxuriantes ribeiros e belíssimas paisagens de montanha. Do alto das suas serranias pode-se observar a linha costeira que é coberta ao raiar da aurora e crepúsculo por uma envolvente neblina que é suplantada pela altitude, escondendo as riquezas dos horizontes e fundos dos vales.

Cabril Gerês o que visitar, surpreenda-se com a sua natureza

A freguesia de Cabril pertencente ao concelho de Montalegre, região de Trás-os-Montes, sendo ainda uma jóia resguardada do Parque Nacional Peneda-Gerês. Situada no interior profundo é descrita como selvagem pelos seus ilustres moradores, possuindo riquezas culturais, naturais e arquitectónicas que fascinam quem as contempla.

Para sentir Cabril falamos com um autarca, empresário e historiador locais, que demonstraram o seu empenho pelo seu desenvolvimento, defesa e promoção. Nós amantes das serranias e graníticos penedos, ficamos enamorados pela Surreira do Meio Dia e beleza desta região. Neste artigo esperamos que as pessoas despertem para a conhecer e a respeitem quando a visitarem.

Parta de bicicleta do Porto à descoberta de Vila do Conde

No ano da graça de 2021, partimos numa epopeia de bicicleta na demanda duma nau, que começou em Vila Nova de Gaia, navegando junto à costa atlântica do litoral norte do Porto, Matosinhos e Vila do Conde. Fomos à descoberta destas terras desconhecidos e ficamos maravilhados com os seu encanto histórico, patrimonial, ambiental e religioso, que vamos partilhar com o nosso reino.