A histórica praia do Furadouro em Ovar Praia do Furadouro
sábado, 14 julho 2018 20:40

A histórica praia do Furadouro em Ovar Destaque

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A Praia do Furadouro fica localizada no concelho de Ovar, distrito de Aveiro. É uma das praias mais conhecidas e frequentadas a região. O seu acesso mais importante é feito pela Rotunda do Carregal, onde está ancorado um barco moliceiro e dá acesso à majestosa Avenida do Emigrante, com as suas bonitas palmeiras.

História da praia do Furadouro

Chalé da Família Matos - Furadouro

Em termos históricos, esta sempre foi uma terra de pescadores, mercanteis e companhas de pesca. Os homens do mar construíram palheiros improvisados de madeira e que subsistiam com o que o mar lhe oferecia, mas que também muito lhe roubava, por vezes até a vida, deixando muitas mulheres de negro no traje e no coração. As companhas de pesca eram às dezenas, mas a sua má administração foi conduzindo à sua ruína, como já referia Raul Brandão no seu livro “Os Pescadores”.

O progresso foi desenhando as ruas a regra e esquadro, tendo como principal a Avenida dos Bombeiros Voluntários do Porto em homenagem a estes soldados da paz que em tempos acorreram e apagaram um grande incêndio que deflagrou nos palheiros de madeira.

Junto ao mar fica situada a Avenida do Infante Dom Henrique. Recentemente reordenada, possui um calçadão para todas as estações do ano. Nos topos da mesma foram construídos passadiços para protegerem as dunas e darem acesso às praias. No lado sul o paredão cria uma pequena baía que faz as delicias dos banhistas pelas ondas que cria, embora esta parte da praia não seja vigiada.

Uma história curiosa é a construção a sul desta terra na primeira metade do século XIX por Manuel Maria Matos e António Valente de Almeida, do mais bonito palheiro do Furadouro, conhecido por "Chalé do Matos", (de OLIVEIRA NEVES, José. A Pesca no Furadouro (1800-1955). 1. ed. Ovar: João Semana, 2009. 31 p. v. 1.).

O extenso areal que tem desaparecido

O areal destas praias já foi muito extenso, mas o avanço do mar, a extração de areia tem reduzido o seu espaço, levando a que por vezes seja necessário aos serviços públicos reporem a mesma para a época balnear.    

Esta praia tem bons restaurantes de peixe, bares de apoio à praia e estacionamento gratuito. A limpeza impera nos areais e nas ruas do Furadouro. Nas praias já se começa a sentir as influencias dos Algarves e agora também pode comer e ouvir o famoso pregão “BOLINHAS”.

O mar não se apresenta sempre calmo, a bandeira verde é uma exceção e muitas vezes sopra um vento frio que se acentua com o avançar do verão e as águas são frias. No Inverno o Furadouro é por vezes noticia pelos ataques do mar que galga as suas fronteiras e investe sobre as casas provocando muitos danos.

O que fazer no Furadouro

Quem está de férias no Furadouro pode aproveitar a Avenida do Emigrante, para fazer uma caminhada até à cidade de Ovar e conhecer a bonita Avenida da Régua, com as suas vias reservadas para ciclistas e peões. Deve o seu nome aos pescadores que aproveitando o advento do comboio no século passado, iam vender peixe para aquela cidade e ainda hoje se diz que “metade da Régua é vareira”.

Perto do Furadouro fica localizada a estrada da mata com a sua ciclovia e que faz ligação na Rotunda do Carregal para São Jacinto, Torreira ou Murtosa.

O Furadouro também possui um parque de campismo para os amantes da natureza e que é sempre muito concorrido.

A praia tem chuveiros, casas de banho de apoio e vigilância por parte de nadadores salvadores. Esta praia tem correntes traiçoeiras por isso os banhistas não devem arriscar porque já tem acontecido acidentes graves.

A arte xávega prestes a desaparecer

Ainda subsiste por aqui uma campanha de pesca da arte Xávega, descansando da faina o barco “Jovem”, a norte da Avenida Central. Com sorte e bom tempo ainda pode vê-los ir ao mar e comprar algum peixe. Antigamente as redes eram puxadas por bois, mas agora deram lugar aos tratores. 

O Furadouro possui um mercado que nunca se afirmou, as peixeiras com os seus pregões circulam pelas ruas e param tempo demais para desnorte dos outros comerciantes. A policia e a comunidade de etnia cigana travam uma batalhar secular pela venda ambulante ilegal e sua proibição.

Ainda subsistem como ecos do passados as barracas coloridas que já não são às riscas, mas que ainda atraem o povo daqueles tempos como é o caso da Odete Pinho, de Válega, emigrada há muitos anos no Canadá. Todos os anos regressa à sua terra e não dispensa estas barraquinhas que remetem para a sua infância, quando o irmão a trouxe pela primeira vez tinha apenas doze anos. Recorda que na altura o areal era imenso, mas agora apesar de ser menor o Furadouro ganhou outros atrativos. Por isso nem tudo foi mau.

Sugestão de leitura: DE OLIVEIRA NEVES, José. A Pesca no Furadouro (1800-1955). 1. ed. Ovar: João Semana, 2009. 31 p. v. 1.

 

 

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Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social periódico, distribuído electronicamente, que visa através da inserção de notícias, promover a identidade regional, o turismo, e a divulgação/defesa do património natural, arquitectónico, pessoas, animais e tradições, dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, nomeadamente: Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca e do forma mais geral dos restantes municípios do distrito.

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