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As pessoas estão de regresso à natureza, procurando trilhos para fazer a caminhar ou de bicicleta. Por esta razão ao longo dos anos temos vindo a explorar as melhores Ciclovias, Ecopistas e Ecovias do Norte de Portugal. Esta demanda das pessoas levou à criação de belos percursos, que atravessam locais magníficos, junto de rios, rasgando serradas montanhas, tocando o céu ou beijando o mar. Em alguns casos por onde resfolegava comboios a vapor, agora gritam crianças caminhando ao lado dos pais ou pedalando forçosos grupos de ciclistas, trazendo vida a terras que já estavam esquecidas pelo tempo. Neste artigo mostramos-lhe algumas das nossas aventuras por estes trilhos e como fomos felizes a percorrer algumas das mais icónicas e premiadas.

No ano da graça de 2021, partimos numa epopeia de bicicleta na demanda duma nau, que começou em Vila Nova de Gaia, navegando junto à costa atlântica do litoral norte do Porto, Matosinhos e Vila do Conde. Fomos à descoberta destas terras desconhecidas e ficamos maravilhados com o seu encanto histórico, patrimonial, ambiental e religioso, que vamos partilhar com o nosso reino.

O Ondas da Serra foi até Amarante percorrer a ecopista do Tâmega que liga esta cidade a Arco de Baúlhe, numa extensão de 40 quilómetros, marcada pelo rio, vinhas e Alto da Senhora da Graça.

O Ondas da Serra, ou melhor, o Sílvio, o Rui e eu, percorreu Ovar a Aveiro em bicicleta. A aventura começou no primeiro dia em que se ponderou fazer o caminho desde a cidade vareira à cidade dos canais, sempre com a Ria como apoio. Foram mais de 10 horas de percurso e cerca de 90 quilómetros de caminho. Mais do que pedalar, ficar espalmado ou mergulhar os pés na lama, ficou a importância do tempo.

Fomos à descoberta de três aldeias rurais de Vale de Cambra, Fuste, Função e Paço de Mato. Deixamos o carro junto do Centro Cívico de Rogê e partimos de bicicleta, para desbravar terrenos e procurar aventuras. Não fomos de caravela, nem navegamos numa nau, fomos com pedalada, não levamos varapau. Por estes caminhos que ladeiam a estrada M550, embrenhamo-nos progressivamente numa atmosfera rural, ladeada de campos agrícolas e caminhos que por vezes percorremos à descoberta. Nesta aventura fomo-nos cruzando com os seus habitantes, nas suas atividades diárias, conduzindo vacas, tratores ou com enxadas ao ombro para cavar. Vimos antigos caminhos rurais, pontes romanas, igrejas e cruzeiros religiosos, muita riqueza ambiental, belas paisagens, grandes montanhas e agrestes penedos.

O PR 4, Percurso de Trebilhadouro, Aldeia de Portugal, em Vale de Cambra, está integrado na Rota da Água e das Montanhas Mágicas. Os seus caminhos exploram as encostas da Serra da Freita, por entre a paisagem ribeirinha, junto à Barragem Engº Duarte Pacheco, no rio Caima. Do passado longínquo chegam-nos as gravuras rupestres de Trebilhadouro e os pastores que por ali ainda conduzem rebanhos. A freguesia de Rôge apresenta um rico património arquitetónico, como na sua igreja matriz. Este trilho passa por muitos terrenos agrícolas, com intensa ruralidade e valor natural. 

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