segunda, 20 fevereiro 2017 09:55

Oliveira de Azeméis | Parque Temático Molinológico Destaque

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O visitante que se desloque à aldeia de Ul em Oliveira de Azeméis, encontra perto da Igreja ao fundo do vale o Parque Temático Molinológico. Ondas da Serra esteve à conversa com o seu coordenador Hugo Pereira que não quis ser fotografado porque coloca a sua equipa em primeiro lugar.

Parque Molinologico de UL, museuPode contar-nos um pouco do seu percurso neste parque?

Eu iniciei estes trabalhos em 2012 como Presidente da Associação do Parque que nessa altura eu acumulava com o cargo de Presidente da Junta de Freguesia de Ul. Os estatutos do parque acabavam de certa forma por envolver os Presidentes das três juntas de freguesia compostas por Ul, Loureiro e Travanca, que correspondem à área geográfica que o parque ocupa.

Em 2013 com agregação de freguesias foi criada a união de freguesias já referida presidida por outro Presidente. Nessa altura vieram falar comigo para ocupar o lugar de coordenador do parque. Eu propus-me durante quatro anos fazer um determinado trabalho e objetivos. Esse projeto faz agora em abril três anos, alguns dos objetivos já foram atingidos e esperamos chegar a 2018 com todos alcançados.

Quais foram então os objetivos atingidos e aqueles que faltam cumprir?

Melhorar e dinamizar o parque, torna-lo o mais sustentável possível, criar uma equipa de trabalho que hoje comigo já conta sete pessoas. A equipa é composta por dois padeiros em rotatividade que asseguram a produção dos produtos artesanais e regionais da nossa freguesia, pão de Ul, regueifa, canolo e o pão com chouriço. Temos duas pessoas a trabalhar no bar de segunda a domingo e duas na receção e visitas.

Uma desta pessoas é um moleiro de profissão que faz a visita guiada desde a zona da receção, passando pelos moinhos, onde explica e demostra a moagem dos diferentes cereais, de seguida desloca-se para o museu onde estão expostos todos os artefactos antigos que equipavam os moinhos e que eram usados antigamente para a moagem dos cereais. Por fim passa para a zona da padaria onde o padeiro faz a demostração da cosedura do pão.

Pode contar-nos um pouco da história deste parque?

Eu cheguei aqui em 2009 e sei que este projeto partiu de alguma boa vontade de pessoas de Ul, nomeadamente duma pessoa natural desta freguesia e que esteve ligada à Câmara Municipal, Pinto Moreira, penso que na altura era vereador e tinha um gosto bastante acentuado pelas tradições da sua terra.

Penso que foi assim que na altura Pinto Moreira propôs ao executivo fazerem um trabalho relacionado com as tradições de Ul envolvendo os moinhos do pão.

No segundo ou no último mandato de AP Assunção, era vereador da cultura o Dr. António Rosa, eu estive um pouco mais próximo dessa área e percebi que ouve uma candidatura ao AGRIS onde foram feitos os primeiros investimentos no núcleo de moinhos principal.

O visitante no vosso parque poderá visitar os moinhos, caminhar pelo vosso percurso pedestre, mas poderá explicar-nos mais pormenorizadamente todas as vossas atividades?

Além das visitas que referir anteriormente, poderá fazer a caminhada “Rota do Moleiro”, com oito quilómetros de extensão. Quatro deles localizam-se a sul do núcleo principal na ponta da Igreja e já estão minimamente restaurados, porque foram alvo duma candidatura do anterior quadro comunitário de apoio o PRODER.

Agora temos em colaboração com a Câmara Municipal um projeto para uma terceira candidatura para concluir os outos 4 quilómetros a norte deste núcleo principal.

Temos outras ofertas que é a visita ao “Castro de UL”, um dos mais antigos do nosso concelho, onde é possível ver escavações. Neste local começa também um percurso pedestre denominado “Rota do Castro”.

 Vamos também fazendo algumas atividades dirigidas ao parque temático, nomeadamente o “Há Festa na Aldeia”, porque UL faz parte das “Aldeias de Portugal”, que é uma festa que se realiza sempre no mês de setembro e que envolve todas as associações das 3 freguesias.

Temos depois muitas parcerias com entidades e associações para desenvolver várias atividades como o Yoga, Pilatos Clinico, várias atividades desportivas relacionadas com a natureza como o BTT. No dia 25 de março irá realizar-se aqui penso que a “4 edição da Rota do Moleiro”, uma prova nacional de BTT de resistência.

Temos também a vertente de lazer, há um parque onde existem mesas e as pessoas normalmente veem fazer os seus piqueniques principalmente durante os fins-de-semana com a família, desfrutando da paisagem que é bastante bonita. Não deixa, contudo, de ter alguns inconvenientes, o nosso rio Ul e mesmo o Antuã têm alguma poluição e aguardamos que as entidades responsáveis façam alguma coisa.

O que têm sido feito em concreto para resolverem este problema?

O Sr. Presidente da União de Freguesias há duas semanas atrás fez chegar as entidades responsáveis o resultado dum acontecimento que ouve cá há dois anos, durante o “Há Festa na Aldeia”, que foi uma descarga poluente durante os festejos, o que foi uma vergonha para o concelho e município.

Nesse seguimento ouve uma serie de diligência que foram feitas junto das ETARs, empresas, a própria Assembleia de união de freguesias andou a tentar perceber junto das entidades o que é que estava a funcionar bem e quais os motivos.

Há duas semanas atrás foi enviado para várias entidades, mesmo o Ministério do Ambiente, um documento redigido para ver se conseguimos melhorias e resolver este problema que já tem muitos anos.

Quais são os produtos regionais que têm para o visitante ver, saborear e levar consigo para recordar a sua visita?

Temos o pão de Ul, regueifa tradicional, o canoco que é feito com a farinha mais pura, menos peneirada e no seu estado mais bruto, o pão co chouriço que é feito usando a mesma massa acrescida do chouriço para o tornar mais apetecível.

Quantos moinhos que recuperaram até ao momento?

Pela Câmara Municipal foram recuperados os dois moinhos que existem no núcleo principal, englobando um moinho funcional e respetivas casas de apoio, no núcleo da Azevinheira foram recuperados três e no núcleo do Castro foi recuperado um. Depois há aqui também alguns projetos de particulares, um no núcleo principal, dois na Azevinheira, dois nos nossos rios e um no Castro.  

Tem ideia de quantas pessoas visitaram o parque no ano passado?

Creio que ultrapassaram as 25 mil visitas, de vários países, mas a grande maioria são Portugueses. Temos visitas de muitas escolas principalmente alunos do primeiro ciclo e visitas de seniores. Hoje percebesse que há instituições de solidariedade social (IPSS) que organizam passeios para estas pessoas e procuram este tipo de espaços para eles também reviverem um bocadinho do seu passado e das suas memórias.

Quais são os vossos problemas mais prementes atualmente?

Aquele que nós queremos mesmo resolver é como foi já dito é a poluição das águas dos rios, quer do Ul quer do Antuã.

Que projetos têm para o futuro?

Os projetos do parque é melhorar sempre a sua qualidade a nível natural, fazer o controle de plantas invasoras, como o eucalipto, todo o que são árvores infestantes e fazermos do mesmo um bosque com árvores autóctones.

A nossa próxima pergunta era mesmo essa, em que medida o parque protege e promove a defesa da nossa floresta autóctone?

Nos fazemos todos os meses de janeiro a dezembro uma ação de voluntariado quando não são duas, dependendo da altura do ano e da sua necessidade. Fazemos nestas ações o corte e controle das plantas invasoras e reflorestação.

Ondas da Serra agradece atenção e tempo despendido e desejamos que o parque continue a ter sucesso e a dar a sua contribuição na manutenção das tradições e defesa do património natural e arquitetónico.

Obrigada.

 

 

Leia também o artigo que fizemos sobre a "Rota do Moleiro": Ler artigo.

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Autor

Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social periódico, distribuído electronicamente, que visa através da inserção de notícias, promover a identidade regional, o turismo, e a divulgação/defesa do património natural, arquitectónico, pessoas, animais e tradições, dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, nomeadamente: Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca e do forma mais geral dos restantes municípios do distrito.

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