Ondas da Serra regressou ao local onde nasceu, percorrendo o PR1 - Caminhos de Montemuro em Alvarenga. Não nos cansamos de trilhar os seus caminhos, respirar os seus ares e escutar os seus silêncios, por vezes distraídos pelos chocalhos das vacas, cabras e ovelhas que já vão rareando. No sopé destas montanhas brotou a Aldeia de Noninha, muito bonita, rural, com um vale por onde corre um ribeiro que nos prende o olhar, com caminhos milenares e gentes calorosas que nos fazem regressar.   

O Ondas da Serra, ou melhor, o Sílvio, o Rui e eu, percorreu Ovar a Aveiro em bicicleta. A aventura começou no primeiro dia em que se ponderou fazer o caminho desde a cidade vareira à cidade dos canais, sempre com a Ria como apoio. Foram mais de 10 horas de percurso e cerca de 90 quilómetros de caminho. Mais do que pedalar, ficar espalmado ou mergulhar os pés na lama, ficou a importância do tempo.

Fomos à descoberta de três aldeias rurais de Vale de Cambra, Fuste, Função e Paço de Mato. Deixamos o carro junto do Centro Cívico de Rogê e partimos de bicicleta, para desbravar terrenos e procurar aventuras. Não fomos de caravela, nem navegamos numa nau, fomos com pedalada, não levamos varapau. Por estes caminhos que ladeiam a estrada M550, embrenhamo-nos progressivamente numa atmosfera rural, ladeada de campos agrícolas e caminhos que por vezes percorremos à descoberta. Nesta aventura fomo-nos cruzando com os seus habitantes, nas suas atividades diárias, conduzindo vacas, tratores ou com enxadas ao ombro para cavar. Vimos antigos caminhos rurais, pontes romanas, igrejas e cruzeiros religiosos, muita riqueza ambiental, belas paisagens, grandes montanhas e agrestes penedos.

O percurso pedestre, PR6 – Rota dos Moinhos, fica localizado em Paraduça – Vale de Cambra. O seu trajeto é caracterizado pela passagem por esta aldeia, marcadamente rural, por cinco moinhos de rodízio recuperados. A maior parte deles ainda trabalha moendo o milho para a laboração da sua conhecida broa, dinamizado pela Associação de Desenvolvimento Turístico e Promoção Cultural de Paraduça. Esta terra é rodeada de altas montanhas, rios e ribeiras naturais que lhe conferem grande beleza.

O caminhante ao percorrer o Percurso das Ribeiras de Pardilhó, compreende que o Criador deveria estar de bom humor, quando fez tão bonita obra. As terras são baixas e de altitude quase constante, conhecidas por Marinhoas. Estes lugares perto do mar e da ria, formados por terrenos arenosos e aluviões, conferiram uma acentuada identidade regional a Pardilhó, Bunheiro, Murtosa, Monte, Veiros, Torreira e pedaços de Estarreja e Ovar. Neste trilho vamos percorrer sete ribeiras, junto da Ria de Aveiro, que tão bem representam a riqueza lagunar, tradições e caráter deste povo.

O PR 4, Percurso de Trebilhadouro, Aldeia de Portugal, em Vale de Cambra, está integrado na Rota da Água e das Montanhas Mágicas. Os seus caminhos exploram as encostas da Serra da Freita, por entre a paisagem ribeirinha, junto à Barragem Engº Duarte Pacheco, no rio Caima. Do passado longínquo chegam-nos as gravuras rupestres de Trebilhadouro e os pastores que por ali ainda conduzem rebanhos. A freguesia de Rôge apresenta um rico património arquitetónico, como na sua igreja matriz. Este trilho passa por muitos terrenos agrícolas, com intensa ruralidade e valor natural.