quarta, 31 agosto 2016 21:50

Drave | A aldeia mágica Destaque

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Drave é uma aldeia pertencente ao concelho de Arouca, plantada no meio das Serras da Freita, São Macário e Arada. Esta local é caracterizada pelas suas casas em pedra conhecida por lousinha e telhados em xisto.

O caminho para o percurso pedestre PR 14 – Aldeia Mágica

As pessoas que pretendam fazer este percurso pedestre PR 14 – Aldeia Mágica, devem ir preparadas para a partir de Arouca fazerem bastantes quilómetros serpenteando as serras até à aldeia de Regoufe. Este é um percurso linear que começa e termina nesta aldeia e tem cerca de 4,5 quilómetros em cada direção. Pelo que conhecemos não há outra forma de fazer esta caminhada, embora existe um outro acesso por São Pedro do Sul, para quem tiver um veículo todo o terreno.

Aqui também é o ponto de partida o percurso para Covêlo de Paivó (PR13 - Na senda do Paivó). Esta caminhada também é muito interessante e há locais que não são propícios para quem tenha vertigens, pela grande profundidade que o vale alcança. Por vezes o caminho parece subir em direção ao firmamento e o chão ir desaparecer a qualquer momento. Não se admire ter de ceder a passagem algum rebanho que encontre e não ver o seu pastor ou cão guardador.

Regoufe e as minas de volfrâmio

Refoufe também é bonita para ser visitada, com o seu casario em pedra, construído em cascata virada para o vale. Na pequena fértil planície entre as vertentes das serras, passa um riacho, onde laboram alguns já maduros agricultores e criados de gado da raça arouquesa, com alguma sorte poderá encontrá-los nas atividades diárias e algum praguejar consigo por estar a afugentar as ovelhas, ou receber o olhar curioso do gado ou ser recebido pelo ladrar dos cães pastores que por vezes assustam os caminhantes, já fomos incomodados, nunca mordidos, mas são sempre necessários cuidados.

Em outros tempos aqui existia uma grande exploração de volfrâmio, agora restam as minas que podem ser visitadas, mas não se aventure no interior que é perigoso.

O caminho para Drave

O caminho para Drave é mágico, assim como a aldeia, não tem muita vegetação, o céu é recortado pelas várias cordilheiras montanhosas que a cercam. Por vezes baixe o olhar para os socalcos abertos nos empedrados das rochas, fruto de centenas de anos de passagem das rodas dos carros dos bois, ou da força dos homens, com grandes esforços para retirar da terra o seu sustento e da família.

Esta aldeia não é habitada, muitas das suas casas estão em ruínas, mas tem sido feito um esforço por parte de escuteiros que ali têm uma sede, para as preservar.

Drave possuí um riacho e várias pequenas quedas de água, duas pontes, sendo uma pedra e outra em madeira e um antigo moinho em ruínas. Uma das quedas de água, forma um pequeno lago, muito paradisíaco e aproveitado durante o Verão para muitos jovens se banharem.

Recomenda-se que este percurso seja feito durante a primavera onde os vales de acesso à aldeia estão cheios de topo o tipo de flores e poderá colher-se carqueja para fazer chá, ou no verão para poder tomar banho nos seus lagos. 

História de Regoufe*

Desde o início do séc. XX que os «Manifestos de Minas» declararam numerosas áreas de interesse metalífero na região de Regoufe, e a 9 de janeiro de 1915 é concedido o alvará de exploração, para a designada «Mina de Regoufe» ou «Poça da Cadela» ao cidadão francês Gustave Thomas. O jazigo de W-Sn de Regoufe situa-se no bordo sudeste do plutonito granítico homónimo, onde a volframite é a mineralização mais frequente, apesar da ocorrência de alguma cassiterite. Ocorrem ainda alguns sulfuretos, como a arsenopirite, a esfarelite e a pirite, bem como, outros minerais de menor relevância como a bismutite, limonite, escorodite, autunite e bindheimite. Entre os minerais silicatados que suportam a mineralização destaca-se o quartzo, seguido de alguma moscovite, berilo e apatite.

No ano de 1941, foi constituída a principal empresa de exploração de W-Sn em Regoufe, a Companhia Portuguesa de Minas, que funcionou essencialmente com capitais e administração britânicos. Ficou conhecida como a «Companhia Inglesa» e a ela se deve importantes melhoramentos na região, como a abertura de estrada a partir da Ponte de Telhe, a instalação de eletricidade e telefone nas minas. Contudo, os menores investimentos efetuados pela «Companhia Inglesa» comparativamente à «Companhia Alemã» ficaram a dever-se ao facto de os ingleses explorarem o volfrâmio não por necessidade direta da matéria-prima mas para bloquearem o acesso dos alemães à mesma.

A mina da «Poça da Cadela» possui uma área de exploração de W-Sn de cerca de 57 ha e integra tanto as instalações técnicas e administrativas, como as residências e diversas entradas de galerias. Foi a concessão mais rentável da área mineira de Regoufe, que se encontra «imortalizada» por múltiplas galerias e escombreiras espalhadas por toda esta região.

Este pólo mineiro encontra-se bem demarcado espacialmente da aldeia agrícola tradicional homónima, da qual dista poucas centenas de metros. As ruínas monocromáticas de granito surpreendem pelo estado de abandono e destruição, conferindo a este local um estranho sossego, apenas entrecortado pelo vento e por um ou outro rebanho de cabras, que por vezes agitam as encostas e espantam o silêncio.

O núcleo do complexo mineiro, onde as construções curiosamente alternam com as bocas de diversas minas, encontra-se disposto em anfiteatro à volta de uma área relativamente plana por onde correm uma pequenas linhas de água que drenam as galerias. Do lado Norte e Nordeste, concentram-se as instalações técnicas e administrativas, destacando-se o edifício de dois andares onde funcionaram os escritórios, o qual dominava uma espécie de largo ou de praceta superior, envolvido por diversas construções espalhadas pela encosta e destinadas a oficinas, central elétrica, armazéns, entre outras. As instalações da lavaria, sucessão de tanques e maquinaria dispostas na encosta, são praticamente as últimas do complexo, a Sudoeste. No lado oposto, a Nascente, a maior parte das construções tinham carácter residencial, destacando-se sobretudo o «bairro» de pequenos compartimentos, alinhados em notória extensão e dispostos em dupla plataforma, que constituíam as «casas dos mineiros». Por último, é ainda possível identificar as instalações sanitárias, o «clube», a «venda» e até uma pequena cavalariça.

História de Drave*

Para os que por ela se deixaram encantar, Drave é a «Aldeia Mágica», protegida pelas montanhas. Um mistério sublime, por desvendar. Sem eletricidade, água canalizada, gás, correio, telefone e telemóvel apenas a espaços, a «Aldeia Mágica» tem, por outro lado, o encanto das casas de xisto a contrastar com o caiado da capela, o murmúrio das águas da ribeira que por ali passa, o canto dos pássaros, o voo livre dos insetos. Para aqui chegar, há que percorrer um trilho de cerca de 4 quilómetros, desde Regoufe (PR14: Aldeia Mágica). Desabitada desde 2009, tem beneficiado, desde 1992, da intervenção do Centro Escutista, na reabilitação de alguns edifícios. Drave é, assim, a Base Nacional da IV Secção do Corpo Nacional de Escutas, reconhecida, desde 2012, com o selo SCENES de excelência (Scout Centres of Excellence for Nature and Environment – Centros Escutistas de Excelência para a Natureza e o Ambiente), o único reconhecimento deste tipo na Península Ibérica, num total de apenas 13 centros escutistas mundiais.

*Fonte: Arouca Geopark

 

Vídeo do PR14 - percurso pedestre de Drave 

Vídeo do lago de Drave

Vídeo do Evento do Ondas com o projeto Espaço Yoga

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Autor

Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social periódico, distribuído electronicamente, que visa através da inserção de notícias, promover a identidade regional, o turismo, e a divulgação/defesa do património natural, arquitectónico, pessoas, animais e tradições, dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, nomeadamente: Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca e do forma mais geral dos restantes municípios do distrito.

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