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Ponte suspensa de Arouca para enfrentar o caminho do abismo Turistas Japonenes: Kimura Haruki, Soda Junya e Kondo Takaya, visitando a Maior Ponte Pedonal Suspensa do Mundo em Arouca Ondas da Serra
sexta, 04 março 2022 00:36

Ponte suspensa de Arouca para enfrentar o caminho do abismo Destaque

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Arouca entrou a caminhar por este milénio decidida aproximar as pessoas do seu território, distante passado geológico e magníficas criações da sua natureza. O Criador num dia de inspiração e bons humores, com magnificência criou o Vale do Paiva, deu-lhe apaziguamento, mas deixou-lhe o carácter do maior rio de águas bravas de Portugal. Arouca com a criação dos Passadiços do Paiva em 2005 oferece aos seus hóspedes a capacidade de deslumbramento e contemplação destas obras de arte divinas. Para os mais afoitos em 2021, subiu aos céus sem limites criando a “Maior Ponte Pedonal Suspensa do Mundo”. Todos os que a visitam concordam que voar como Ícaro por entre nuvens, contemplando o abrupto abismo é façanha de meter medo e fora do alcance de comuns mortais. É esta aventura de arrojadas pessoas que lhe vamos contar, oriundas de diversos continentes, línguas e culturas. Estes homens, mulheres e crianças, algumas com medo, outros com ousadia, usaram um dia se enfrentarem e escrever seu nome nos anais das suas epopeias, porque o que é fraco para uns é forte para outros.   

Maior Ponte Pedonal Suspensa do Mundo em Arouca

Maior Ponte Pedonal Suspensa do Mundo em Arouca

Depois da criação dos Passadiços do Paiva, quando soubemos dos planos do município de Arouca para a construção da maior ponte pedonal suspensa do mundo, ficamos convictos que iria ser outro sucesso retumbante e não nos enganamos. Esta ponte denominada “ 516 Arouca Ponte Suspensa”, fica localizada na freguesia da Canela – Arouca, perto da Praia Fluvial do Areinho.

“A 516 Arouca é a obra mais icónica do Município de Arouca, constituída por gradis e cabos de aço, com 516 metros de vão, 1,20 metros de largura e 175 metros de altura acima do rio Paiva” 1

A visita à Maior Ponte Pedonal Suspensa do Mundo em Arouca

Maior Ponte Pedonal Suspensa do Mundo em Arouca

No dia 20 de fevereiro 2022, deslocamo-nos bem cedo para Arouca, onde tínhamos à nossa espera a técnica de turismo Daniela Oliveira, que nos ajudou na coordenação da visita. A mesma conduziu-nos até à ponte, acompanhou o nosso trabalho pela manhã e fez-nos uma apresentação dos projetos mais emblemáticos desta autarquia.

A nossa visita realizou-se das 09h30 às 10h30, tendo o nosso grupo sido composto por 35 pessoas. Antes de entrarmos junto de pórtico foram-se aglomerando os guerreiros das várias tribos, palrando em diferentes línguas, português, francês, inglês e japonês. Por vezes ouviam-se uns “Obrigados”, com entonação asiática, cantados por três japoneses, com sotaque nipónico, que seguindo a tradição competiam connosco pelo matraquejar das fotógrafas máquinas. Encaramos esta luta com acérrimo ânimo, tendo o duelo sido uma competição feroz que empatamos com dificuldade, mas no fim confraternizamos com o adversário.  

Locais para estacionar perto da Praia Fluvial do Areinho

Praia Fluvial do Areinho - Arouca

Para os visitantes que queiram visitar a ponte e os passadiços aconselhamos o seguinte: Dependendo da hora da visita à ponte, vá mais cedo pelo menos uma hora, estacione o seu automóvel, num dos três parques a seguir referidos:

  • Parque da Praia fluvial do Areinho (cerca de 30 lugares). Se o mesmo estiver cheio um vigilante colocado no acesso superior irá informá-lo desse facto ou até impedir o acesso. Este parque fica situada a 1200 metros da ponte.
  • Pequeno parque de terra batida na Estrada Municipal R326-1, em frente à descida da Estrada do Areinho, que dá acesso à praia com o mesmo nome;
  • Grande parque de estacionamento do Areinho, em terra batida, acesso pela Estrada Municipal R326-1.

Depois de estacionar pode fazer o percurso até à Ponte Suspensa, já pelos passadiços do Paiva, direção Areinho – Vau – Espiunca. Neste percurso irá acompanhar o Rio Paiva, passando pela Ponte de Alvarenga e apreciar a Garganta do Paiva. Aqui começam as tormentas ao ter que enfrentar uma subida difícil de 500 degraus. Este esforço supremo vai levá-lo em direção aos céus, deixá-lo arrebatado, estonteado e assoberbado com a paisagem envolvente.

No final da subida estará junto do Pórtico do Areinho, onde vigilantes fazem simultaneamente o controle de acessos à ponte e passadiços. Aqui aguarde pela visita à ponte, quando ela terminar basta seguir caminho em direção à Praia Fluvial do Vau.  Neste ponto, já esqueceu os grossos mares que enfrentou e satisfeito pela prova de fogo superada, pensado “Quero ir outra vez!”. Deve também percorrer os passadiços de forma descansada porque os dois quilómetros mais difíceis dos passadiços já foram vencidos.   

As cabras da Ponte Suspensa e Passadiços do Paiva

Cabra junto à Maior Ponte Pedonal Suspensa do Mundo em Arouca

Enquanto espera pela visita à ponte esteja atento às encostas em redor, porque podem andar por ali magotes de cabras a ruminar, ou como a dá nossa imagem, refastelada a descansar. Estes descarados "bichos", já pouco respeito têm pelos homens e só se desviam vagarosamente para lhe dar passagem se isso for absolutamente necessário, as jeitosas.

Qual a melhor entrada para a Ponte Suspensa de Arouca?

Qual a melhor entrada para a Ponte Suspensa de Arouca?

Para as pessoas que queiram conhecer a ponte suspensa nós vamos dar-lhes três opções para escolherem o melhor pórtico de entrada, consoante os objetivos da visita e capacidade física.

  • O visitante que só pretenda conhecer a Ponte Suspensa, deverá entrar pelo Pórtico do Areinho. Neste caso poderá estacionar num dos parques de estacionamento do Areinho acima referidos;
  • O visitante que pretende conhecer a Ponte Suspensa e fazer o percurso dos Passadiços do Paiva, deve entrar pelo Pórtico do Areinho. No entanto é aconselhável ir mais cedo, cerca de 1h – 1h30, em relação à hora da visita agendada à ponte. Deve estacionar num dos parques de estacionamento do Areinho acima referidos. De seguida deve dirigir-se para a Praia Fluvial do Areinho, acompanhar o rio Paiva para jusante, onde existe um percurso gratuito dos Passadiços, passar pela Ponte de Alvarenga, subir 500 degraus e aproveitar para apreciar a Garganta do Paiva. No final da subida já vislumbra ao fundo a ponte e o pórtico de entrada. Neste local deverá aguardar pela hora da visita, para depois entrar e validar o bilhete junto dos vigilantes. No final pode continuar a visita aos passadiços sem voltar para trás.
  • Para os casos das pessoas que tenham mobilidade reduzida, podem optar pelo pórtico de Alvarenga, na margem direita do Rio Paiva. Este local é normalmente mais tranquilo e há mais estacionamento. Desta forma evitam o percurso de dificuldade alta, pelo percurso dos passadiços, subindo as difíceis escadarias.

História dos Passadiços do Paiva e Ponte Suspensa

Daniela Oliveira, técnica de turismo da Câmara Municipal de Arouca

Daniela Oliveira, é técnica de turismo da Câmara Municipal de Arouca, num quadro composto por três pessoas, estando o seu trabalhado atualmente mais direcionado para logística da Ponte Suspensa e Passadiços do Paiva, em virtude do aumento exponencial da sua procura. Foi ela que nos contou a história dos passadiços, da ponte suspensa e da equipa por detrás destes grandiosos projetos.

Maior Ponte Pedonal Suspensa do Mundo em Arouca

Os passadiços foram inaugurados em 2015, no começo sem controle de entradas, mas devido à grande afluência foi necessário criar um sistema de controle através da compra de um bilhete online, pelo preço simbólico de um euro. Esta mudança foi também precipitada pelo grande incêndio que devastou estas montanhas em 2016. Esta catástrofe veio chamar atenção dos responsáveis para a limitação de acessos, de forma a que os visitantes possam ser retirados em segurança em casos semelhantes.

De forma a diminuírem estes riscos e impacto no ecossistema foi criado um limite de 1300 visitantes por dia. No entanto as pessoas que visitem a ponte suspensa não contam para esta limitação podendo fazer também os passadiços com o mesmo bilhete. O número máximo de visitantes acumulados prevendo estas dois situações pode chegar às 2 mil pessoas. 

No fim de semana de 19 e 20 de fevereiro 2022, com ajuda do bom tempo, os bilhetes para a ponte suspensa esgotaram. Em relação ao limite de visitantes na ponte em cada horário, cada visita é constituída por 35 pessoas, que partem de ambas as extremidades, lado do Areinho e Alvarenga. Este total perfaz 70 pessoas por hora, sendo que no inverno há quatro horários, 09h30, 11h00, 14h00 e 15h30, no total de 280 pessoas. 

Os passadiços são maioritariamente visitados por Portugueses e Europeus, encabeçados pelos nossos vizinhos Espanhóis, Franceses e do continente Americano, pelos Norte-Americanos e Brasileiros.

A ponte está sempre aberta, com exceção do dia de natal ou por condições meteorológicas adversas, como muito vento, chuvas torrenciais ou trovoadas. Em casos de cancelamentos por estas situações os visitantes que tenham bilhete podem remarcar gratuitamente ou solicitar o reembolso. 

Visitantes da Ponte Suspensa já ultrapassaram 100 mil pessoas

Maior Ponte Pedonal Suspensa do Mundo em Arouca

Esta ponte suspensa foi inaugurada no dia 02 de maio 2021, sendo o sucesso medido pelo facto das visitas já terem ultrapassado as 100 mil pessoas. Os números astronómicos podem também ser encontrados no milhão de pessoas já caminharam pelos Passadiços do Paiva. A nível da percentagem de distribuição de pessoas, os estrangeiros concentram-se tendencialmente na ponte e os portugueses nos passadiços.

A Equipa da Maior Ponte Pedonal Suspensa do Mundo em Arouca

Daniela Oliveira explicou-nos que equipa deste projeto é constituída na época alta por cerca de 24/25 pessoas. O município no inverno faz tudo ao seu alcance para manter estes postos de trabalho, reduzindo até os horários se for necessário.

A nível da distribuição de tarefas, há controladores para os parques de estacionamento, para ajudarem na organização do transito, esclarecer dúvidas ou prestar quaisquer esclarecimentos. Um dos pontos por nós verificados onde esta gestão é feita de forma eficiente é no pequeno parque junto à Praia Fluvial do Areinho. Neste local começa uma das extremidades dos Passadiços do Paiva, tendo o parque uma limitação para apenas cerca de 30 automóveis, sendo necessário alguém para impedir acessos quando estiver cheio. Há controladores com as mesmas funções nos parques de estacionamento da Espiunca e Alvarenga.

Há também outros elementos da equipa que validam os bilhetes, nos pórticos da Espiunca e Areinho. Neste último pórtico o funcionário tem a dupla função de validar as entradas para a ponte suspensa e passadiços.

Em termos de segurança, um funcionário diariamente percorre os passadiços para verificar a integridade da estrutura, se há danos ou a madeira está estragada.

Esta equipa possui também um conjunto de guias da ponte, que fazem uma introdução sobre o território, geologia, biologia, arqueologia, mas é quando discursam sobre a construção da ponte, que cativam a curiosidade e atenção dos visitantes.

Os guias da Maior Ponte Pedonal Suspensa do Mundo em Arouca

Guias da Maior Ponte Pedonal Suspensa do Mundo em Arouca, Pedro Silva e Emanuel Tavares

No dia da nossa visita o acompanhamento do batismo da ponte estava a cargo dos guias, Emanuel Tavares, lado do Areinho, e do Pedro Silva, de Alvarenga. Ambos iniciaram este trabalho em abril de 2021, um pouco antes da inauguração deste “aparato”. Neste espaço de tempo tiveram formação genérica sobre o trabalho e gestão de pânico, que os ajuda a lidar com as pessoas que têm mais dificuldade na travessia e em lidar com alturas.

Emanuel Tavares realçou que tem gostado desta experiência, pela riqueza do território e reação positiva dos visitantes por esta passagem única, muitas vezes feita apenas uma vez na vida, como muitos dizem. O mais engraçado é aquelas pessoas que sentem um bocadinho o pânico ao atravessar a estrutura, “Algumas parecem que vão a rezar a Deus para que consigam chegar ao outro lado sem qualquer problema”.

Ele ainda não teve que lidar com nenhuma pessoa que tivesse bloqueado na ponte com medo. No entanto explicou que quando constatam que alguém está com dificuldades acompanham-lha para que se sintam mais segura, conversando sobre assuntos triviais, de forma a que ocupem a cabeça com outros assuntos, esqueçam o problema e vençam as suas dificuldades.

Pedro Silva realçou as experiências únicas que a ponte propicia e aconselha a sua visita, pelo facto de ser portuguesa e maior do mundo. As pessoas durante a travessia sentem um misto de emoções positivas e negativas, encontrando-se desde os mais descontraídos aqueles que se apresentam notoriamente nervosos e são alvo de vigilância discreta. 

Apresentação da ponte aos visitantes pelo guia Emanuel Tavares

Guia da Maior Ponte Pedonal Suspensa do Mundo em Arouca, Emanuel Tavares

Depois de passar o pórtico do Areinho o grupo de visitantes disparou para a ponte ansiosos pela visita, procurando as agruras da vertiginosa passagem, mas ao verem os profundos abismo alguns esmoreceram e ficaram brancos de coragem. Uma veterana senhora disse firmemente que apesar de ter pago não fazia aquela loucura, não se deixando levar pela persuasão do guia e visitantes. A desconfiada mulher ia estendendo um pouco o pescoço, para olhar melhor o profundo vale, que para ela não devia ser proeza menor, mas afastando os pés da estrutura metálica.

Emanuel Tavares, explicou ao grupo, as regras, como se iria decorrer a visita e que iria dar informações adicionais sobre a estrutura em de ambos os lados da ponte.

Este guia começou por explicar que esta ponte suspensa tem 516 metros de cumprimento, ostentando o titulo de maior ponte pedonal suspensa do mundo, tendo sido construída a 175 metros de altura em relação ao Rio Paiva, sendo o equivalente aos visitantes estarem ao nível de um prédio de 50 andares de altura. O tamanho das rochas do rio, que parecem pequenas à distância retira alguma da noção da grande altitude a que se encontram.

Estas visitas são feitas no máximo por 70, partindo dois grupos de 35 do lado do Areinho e Alvarenga, cruzando-se no meio da estrutura.  Destas formas as pessoas podem usufruírem do “passeio” com mais liberdade, tirar fotos e ver a bonita paisagem envolvente.

Emanuel Tavares realçou que podem estar no máximo na ponte ao mesmo tempo, em segurança, cerca de 1800 pessoas, acrescentando “A saltar ou quietinhos, a caminhar vá”, provocando risos qua ajudaram os mais nervosos a descontrair.

A estrutura técnica dos cabos da ponte suspensa

Maior Ponte Pedonal Suspensa do Mundo em Arouca - Maciços de ancorarem

O guia forneceu também explicações sobre a engenharia desta estrutura, começando por um dos lados apontou para duas pequenas casas cinzentas, construídas nas encostas, que são chamados de “maciços de ancorarem”. Em cada um deles basicamente existe uma âncora que está embutida a 56 metros de profundidade na rocha, estando envolvida por várias toneladas de betão, que servem de suporte ao peso de todo este tabuleiro, que só ele pesa 98 toneladas, construído em aço galvanizado, mas que aguenta com muito peso.

Maior Ponte Pedonal Suspensa do Mundo em Arouca - Catenárias

Ligados aos maciços de ancoragem estão presos os cabos principais, mais escuros, chamados de “catenárias”, que são constituídos por sete cabos de 40 milímetros de diâmetro de cada lado, que acompanham todo o comprimento e curvatura da ponte, passando acima dos dois pilares, a 36,5 metros de altura.

Maior Ponte Pedonal Suspensa do Mundo em Arouca - Pendurais

Um segundo tipo de cabos, denominados de “pendurais”, são facilmente identificados, por serem os mais fininhos e estarem ligados lateralmente ao tabuleiro.

No projeto inicial os engenheiros tinham pensado apenas colocar os dois laterais, contudo os testes demonstraram que ponte não era tão convidativa, porque as pessoas só podiam caminhar pelo centro do tabuleiro, caso o grupo se deslocasse em simultâneo para um dos lados, a ponte fazia um movimento de oscilação, com amplitude de 20 a 40 centímetros para cada lado, o que iria provavelmente assustar os visitantes.

O sistema de cabos acima referido foi reforçado, com a colocação de pendurais acima do tabuleiro em cruz. Desta forma a estabilidade da estrutura aumentou e o este movimento brutal deixou de acontecer, mas ainda subsistindo uma pequena oscilação.

Como nunca se pode agradar a gregos e troianos, os mais temerosos agradecem a estabilidade, mas os audaciosos queriam mais “loucura”, dizendo o Emanuel “O que são boas noticias para alguns é um corte brutal de adrenalina para outros”. As pessoas podem agora caminhar livremente e em segurança pela estrutura, “E já não temos a sensação do Indiana Jones”, disse um visitante assumido radical.

Nas extremidades da ponte, na parte inferior e superior, foram também colocados “amortecedores e contrapesos.”

Regras básicas para a visita da Ponte Suspensa

O guia enumerou as regras básicas para visitar a ponte: Sendo proibido correr, sentar ou deitar no tabuleiro, de forma para quem está no pilar ou a visionar as câmaras de segurança não interpretar isso como um sinal de pânico ou stress.

Também não é autorizado “Saltar tanto na ponte como para fora dela, não convém de todo”. Nos cruzamentos dos grupos que partem em sentidos opostos, as pessoas devem deslocar-se para a sua direita para facilitar a passagem. Antes de começar o suplicio, um visitante disse como se fosse despedir, “Só quero mandar um beijinho à minha mãe”.

A travessia da Maior Ponte Pedonal Suspensa do Mundo – 516 Arouca

Maior Ponte Pedonal Suspensa do Mundo em Arouca

A travessia desta ponte pedonal foi feita pelas pessoas de variadas formas consoante a sua disposição emocional e força mental. A maioria adorou, poucos desistiram e “alguns foram a rezar”. Uns quantos passeavam como se estivessem na passerelle, outros avançaram timidamente para o cadafalso, vitimas duma pena capital, agarrados aos cabos como se estivessem a bordo do Titanic e o barco tivesse acabado de bater no maléfico icebergue. Engraçado era uns poucos, que vestidos desportivamente pareciam estar num trail, acelerando o passo para um e outro lado. Alguns pareceriam despromovidos de emoção, fosse para esconder o medo ou retiraram-se de si para não vislumbrarem o perigo. Nós olhando para a Cascata das Aguieiras lembramo-nos como seria bom se fosse possível virmos por ali abaixo a escorregar, saltando no final loucamente para o Rio Paiva.    

Porque razão vencer a maior ponte pedonal suspensa do mundo o pode ajudar?

Maior Ponte Pedonal Suspensa do Mundo em Arouca

Em relação à filosofia pessoal que nos deve orientar, no Ondas da Serra perfilhamos a demande que ao longo da vida temos que nos superar, pondo-nos à prova pontualmente, ir mais além para vencer os nossos medos. Como praticamos Yoga, vamos desenvolvendo por indicação do Mestre, um dos seus “Yamas”, denominado “Tapas”, que representa o esforço sobre si próprio.

O nosso fotógrafo durante grande parte da sua vida temeu as alturas, desenvolvendo um método que lhe permitiu ir vencendo essa dificuldade, ao ponto de agora ser um fanático dos saltos de cascatas e ter feito a ponte sem nenhuma dificuldade. Agora até já diz que tem saudades do tempo em que tinha algum medo e estas experiências lhe dava um pouco de “pica”. Quem se consegue ultrapassar, mais facilmente vence os obstáculos físicos, emocionais e mentais, aumentando o respeito próprio, dos amigos e provocando temor nos adversários.  

Projeto da Ponte Suspensa totalmente português     

Depois da ponte ter sido percorrida para o lado de Alvarenga, o guia voltou a dar-nos mais uma palestra, desta feita com pormenores sobre a sua construção.

Esta ponte é um projeto totalmente português, tendo o desenho estado a cargo duma empresa associada à Universidade de Coimbra, denominada ITeCons - Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico em Ciências de Construção. A sua construção foi feita da Conduril Engenharias, com sede na zona de Ermesinde, que subcontratou a Oliveira, Cordoaria Oliveira e Sá, Outside Works, de Rio Tinto.

Uma ponte a unir continentes – Viagem pela Ásia até ao coração do samurai

Turistas Japonenes: Kimura Haruki, Soda Junya e Kondo Takaya, visitando a Maior Ponte Pedonal Suspensa do Mundo em Arouca

Deste grupo de visitantes destacamos três turistas japoneses, pela forma efusiva, energética e extasiante como receberam a ponte. O seu gosto pela fotografia é reconhecido, mas também gostam de serem o motivo, pousado para nós de formas contorcionistas que até a ponte ficou perplexa.

Estes três apresentaram-se como Kondo Takaya, Soda Junya, e Kimura Haruki, com 47, 38 e 37 anos de idade respetivamente, sendo oriundos das províncias de Tóquio e Suhizuoka. Quando lhe perguntamos o que sentiram na ponte disseram numa mistura de português e inglês “Fantástic”, “Muito bom”, “I live It, scary for me, the great”.

Vamos novamente falar na superação que nos deve orientar na vida e dar a conhecer aquele que foi considerado o maior e último samurai japonês, “Miyamoto Musashi”. Este guerreiro dedicou a sua vida à busca pelo propósito de vida, sabedoria, ética e aperfeiçoamento pessoal, que buscava através da prática das artes marciais, criando uma mortífera técnica com duas espadas.

Nos seus ensinamentos são conhecidas a sua defesa pela honra quando dizia, “Podes abdicar da tua vida, mas não abdiques da tua honra”, quantas pessoas durante a vida por falta de coragem deixam-se humilhar e espezinhar por aqueles que dizem ser os “mais fortes”. Ainda em rapaz Musashi derrotou adversários que teoricamente lhe eram superiores, continuando pela vida fora a enfrentar combates impossíveis, com adversários poderosos, que acabava contra todas as probabilidades por ganhar. Por estas razões, aqueles que mais temem as alturas, são os que devem ir vencer a ponte, porque como Musahi dizia a “A morte premeia a vida”.

Se admitirmos que somos finitos e que um dia vamos morrer, passamos a dar maior valor à vida e aproveitar todos os momentos fugazes desta breve existência. Talvez com este pensamento numa próxima oportunidade irá passar nesta ponte e passadiços de forma diferente.

Este samurai no final da sua vida escreveu o “Livro dos Cinco Anéis”, onde ensina as suas técnicas e filosofia de vida. É através dos elementos do vento, terra, foto, água e o vazio, que as pessoas se podem aperfeiçoar. Todos estes elementos estão presentes no Vale do Paiva, por isso a importância de não fazer esta jornada como se fosse andar de metro.

Faça a caminhada com contemplação, calma e vagar, aprenda o que a natureza lhe quer ensinar, não passe pela vida em vão. Quer um exemplo, do alto da ponte, vemos montanhas, nuvens, árvores, rios e cascatas, são aquilo que aparentam ao contrario da natureza humana que muda consoante as circunstancias, ganhos e perdas.    

Os nipónicos têm uma relação especial e respeitosa com a natureza, apoiada na sua filosofia do Xintoísmo, que os ocidentais consideram uma religião. É este caminho da pureza espiritual, que pode ser trilhado em projetos deste género, que podem ajudar as pessoas a serem mais felizes e a perceberam a linguagem da natureza, fauna e flora. O tempo urge e a terra enfrenta perigos vários, estas riquezas devem ser preservadas, como forma de salvação pessoal e da própria humanidade.

Para aqueles que tiveram paciência de ler todos estes pensamentos, podem constatar como tudo é mais profundo do aparenta e como olhar para três enérgicos japoneses nos pode levar por caminhos mais profundos.

Gente do Minho na ponte suspensa

Maior Ponte Pedonal Suspensa do Mundo em Arouca, Helena Martins com o sobrinho Pedro Martins, de Barcelos

Helena Martins passava a ponte protegendo o seu sobrinho Pedro Martins, com 13 anos, ambos de Barcelos. A senhora apesar dos medos que tentava esconder, mas que um olhar atento revelava, teve que se encher de coragem para ajudar a criança, dizendo-nos “Para quem como eu que tem um bocado de vertigens, mete respeito, mas faz-se, com ajuda do guia que nos incentivou porque o balançar destabiliza um bocadinho”.

O Pedro Martins, respondeu-nos depois de ter inspirado profundamente, como quem padece de grandes trabalhos, dizendo que alguns dos seus amigos já aqui tinham vindo, “Achei bom e mau ao mesmo tempo, porque tenho medo, isto abana muito, para andar com muita gente!”.

Uma ponte para enamorados abraçarem

Passadiços do Paiva, Filipe Leal e Vanessa Monteiro

Foi já nos passadiços a caminho do Vau que encontramos um casal que tínhamos visto enamorados pela ponte suspensa, Vanessa Monteiro, de Valongo e Filipe Leal, da Rebordosa, com 25 e 26 anos de idade respetivamente.

O rapaz estava a conhecer os passadiços pela primeira vez, mas a rapariga já aqui tinha estado, achando incrível todo o seu caminho.

Conversamos com o casal sobre a festa do biscoito de Valongo, que vamos sempre que podemos e nos contaram uma historia curiosa protagonizada pelo Toy antes dum conserto, que pela simpatia por este artista não divulgamos, mas que também envolvia um conhecido bar daquela terra.

Quando perguntamos à Vanessa, o que sentiu ao visitar a ponte disse-nos com riso nervoso, “Senti medo, achava que ia morrer, eu tenho muito medo de alturas e fui porque fui desafiada, mas aquilo é incrível”.

O namorado respondeu, para não fazer má figura junto da sua rapariga, “Senti um bocadinho de medo o que é normal, por causa da altura em si, um bocadinho de adrenalina, mas não senti tanto medo como ela, é uma sensação única.”

O Filipe Leal gostaria que os passadiços tivesses mais mapas ou outdoors para as pessoas se localizarem melhor, com informações sobre o ponto dos passadiços onde se encontram, na sua falta eles orientar-se pelo relógio.  

Família do centro de Portugal na ponte

Maior Ponte Pedonal Suspensa do Mundo em Arouca, Inácio Castro e Alice Castro

Encontramos Inácio Castro e a filha Alice Castro, com 58 e 22 anos, de Leiria, a descer as escadarias dos passadiços, junto à Garganta do Paiva.  Depois desta caminhada também iriam visitar a ponte.

Inácio Castro é a segunda vez que vem visitar os passadiços, achando sempre a paisagem extraordinária. Os dois fizeram referência que gostariam que a sinalização de trânsito fosse melhorada de forma a ser mais intuitiva. Inácio Castro acha que o site está muito bom, mas para quem chega de carro, esquece aquilo que leu e tem dificuldades em localizar-se.

Alice Castro, estudante de Gestão, estava a visitar estes locais pela primeira vez, tendo revelado que os passadiços e cascatas estavam a superar as suas espectativas, não pensando que houvesse tanta fauna e flora e que as cabras lhe dão uma dinâmica engraçada.

Conheça aspetos técnicos e da construção da ponte suspensa1

Porquê os pilares tão altos?

Maior Ponte Pedonal Suspensa do Mundo em Arouca

"Numa infraestrutura desta dimensão é necessário reduzir, tanto quanto possível, as forças exercidas nos cabos e nos maciços de amarração.

É possível obter esta redução das forças com a inclinação das catenárias (cabos principais), relativamente aos pilares. Essa inclinação pode ser obtida de duas formas: subindo os apoios (pilares) ou descendo o nível do vão.

Como a descida do vão era limitada, procedeu-se à subida dos apoios, resultando em pilares com cerca de 35 metros de altura." 1

Porque têm os pilares a forma de um A invertido?

Maior Ponte Pedonal Suspensa do Mundo em Arouca

"Em termos de cargas exercidas na ponte, há que ter em consideração as cargas verticais, correspondentes ao peso da ponte e dos seus utilizadores, e cargas horizontais, essencialmente resultantes do vento.

No caso da 516 Arouca seria difícil e inestético aplicar um sistema de contraventamento horizontal através de catenárias (cabos principais) e pendurais (cabos secundários) na direção horizontal.

Assim, optou-se por inclinar os planos das catenárias de forma a suas componentes vertical e horizontal pudessem cumprir ambas as funções. Essa inclinação também obrigou à inclinação dos pilares que lhe dão suporte, conferindo-lhes mais esforços. A viga superior que transforma o formato “V” em formato “A invertido”, serviu para reduzir os esforços dos pilares." 1

Porquê os pórticos transversais superiores e a duplicação dos pendurais?

Maior Ponte Pedonal Suspensa do Mundo em Arouca

"Quando a 516 Arouca foi idealizada, os elementos eram suspensos por conjuntos de apenas dois pendurais (cabos secundários).

Posteriormente, analisando a largura da ponte (1,2m) verificou-se que, no caso de os utilizadores circulassem, tendencialmente, no mesmo lado, existiria uma inclinação considerável do tabuleiro. Embora esta inclinação fosse limitada, e as guardas laterais garantissem a segurança dos utilizadores, poderiam gerar-se situações de pânico.

Para minimizar esse efeito, foi colocado um novo sistema de pendurais, que ligam a catenária (cabo principal) ao lado oposto do tabuleiro. Adicionalmente, para evitar que estes novos cabos interferissem com a passagem dos utilizadores, foram colocados pórticos superiores, em arco, para os desviar." 1

Porquê os maciços de ancoragem?

Maior Ponte Pedonal Suspensa do Mundo em Arouca, , maciços de ancoragem

"O motivo que levou à construção de maciços amarrados ao subsolo (cabos de aço que penetram no maciço rochoso e são fixos na extremidade por um bolbo de cimento) foi a necessidade de suportar as forças exercidas nas catenárias (cabos principais).

Estas ancoragens, que não são mais que a continuação das catenárias, aplicam igual carga, mas no sentido oposto e são pré-esforçadas, para garantir a pressão constante no maciço de amarração, contra a encosta." 1

O que ver da Ponte Suspensa 516 Arouca

Quando estiver em cima da ponte, ou numa das suas extremidades poderá apreciar algumas das atrações do Vale do Paiva. No final da visita se tiver tempo poderá visitar uma das suas icónicas aldeias.

 

Rio Paiva - Passadiços do Paiva - Arouca

"Desníveis vários entre apertadas gargantas e rochedos fazem do Paiva uns dos melhores rios para a prática, nos meses de Inverno, de atividades de águas bravas, tais como, rafting, kayaking, hidrospeeding e canoagem. É considerado pelos especialistas como uma das melhores pistas de águas bravas a nível nacional e uma referência a nível internacional. Aqui que decorrem o Paiva Fest e o FIAB - Festival Internacional de Águas Bravas.

No Verão, as suas águas cristalinas convidam a momentos de pura descontração nas zonas balneares do Areinho, Paradinha, Vau, Espiunca, Janarde e Meitriz. Ao longo do seu trilho é possível encontrar alguns geossítios de significativa relevância como a cascata das Aguieiras - queda de água da ribeira homónima que, após percorrer Alvarenga, cai vertiginosamente sobre as escarpas graníticas que ladeiam o rio Paiva - a Gola do Salto, local no leito do rio Paiva marcado por um desnível com cerca de quatro metros muito apreciado pelos praticantes de rafting, sendo a sua passagem classificada por estes últimos como de máxima dificuldade e a Garganta do Paiva, localizada junto à ponte de Alvarenga, que se encontra em sítio estratégico, de acordo com a geologia do rio, pois aqui o Paiva corre mais apertado devido à existência de uma rocha de elevada dureza.” 2

 

Cascata das Aguieiras, G35- Arouca

"A cascata das Aguieiras é observável a partir de miradouro integrado nos Passadiços do Paiva encontrando-se inserida numa área designada pelos praticantes de desportos de águas bravas no rio Paiva por «Garganta do Paiva» (G36), que geologicamente define o troço em que o rio se encaixa em canhão no granito de Alvarenga. Esta cascata é formada pela queda de água da ribeira das Aguieiras, resultando da confluência de diversos tributários que atravessam a freguesia de Alvarenga. Após percorrerem parte considerável desta freguesia, as águas desta ribeira caem vertiginosamente pelas escarpas graníticas que ladeiam a margem direita do rio Paiva através de um conjunto de desníveis que totalizam cerca de 160 metros.

A origem desta queda de água é condicionada pela rede de fraturação ortogonal deste maciço granítico, desconhecendo-se a existência de outros elementos estruturais que condicionem a mesma. Neste sentido, a ribeira das Aguieiras terá aproveitado uma fratura no granito de Alvarenga, uma linha de fragilidade que permitiu o seu encaixe.

Sobre este miradouro é, também, possível observar o cabeço rochoso onde se encontra implantado o «Castelo de Carvalhais», um castelo roqueiro da época da Reconquista (Séc. IX-XII), reduto defensivo e estrategicamente posicionado, provavelmente destinado a controlar a travessia do rio Paiva, uma importante barreira morfológica entre as margens do Douro e o vale de Arouca.” 2

Garganta do Paiva - Arouca

“A Garganta do Paiva corresponde a um segmento do rio Paiva onde o leito se torna mais estreito e se prolonga desde a ponte de Alvarenga até ao Vau (G30). Esta ponte, datada do século XVIII, foi mandava construir por alvará de D.Maria I, no ano de 1971. É composta por dois arcos de volta inteira, possui 42 metros de comprimento e é em cantaria.

Sobre a ponte é possível observar, para jusante, o vale do Paiva encaixado sobre paredes graníticas abruptas, que curiosamente, contrasta com o vale bem mais aberto, a montante desta ponte. este estrangulamento deve-se à maior resistência do granito de Alvarenga à meteorização e erosão quando comparada com as rochas metassedimentares a montante da ponte, num fenómeno de erosão diferencial. Integrado neste troço destaca-se ainda a ocorrência de marmitas de gigante e da Cascata das Aguieiras (G35).

A área correspondente a este geossítio é, também, um clássico das águas bravas em Portugal, constituído por desafiantes rápidos de classe IV+ e V, numa escala de I e VI. Merece particular relevo o <<Rápido Grande>>, um rápido longo e técnico, sendo o palco da espetacular da prova anual de Kayak Extremo do Paiva Fest. As íngremes paredes rochosas deste geossítio são, ainda, ricas em biodiversidade saltando à vista manchas coloridas de verde-limão que correspondem ao líquen Acospora hilaris (indicador de clima mediterrâneo). As fissuras naturais na rocha granítica são, ainda, refúgio para inúmeras aves de rapina que sobrevoam o vale do Paiva.” 2

 

  • Espiunca - Uma das entradas dos passadiços
  • Canelas – Museu das trilobites - Centro de Interpretação Geológica de Canelas (CIGC)
  • Paradinha – Aldeia de Portugal – Próximo
  • Janarde – início do PR5 – Livraria do Paiva
  • Meitriz – Aldeia de Portugal - Praia Fluvial de Meitriz

Cascata das Aguieira “iluminada” à noite

Estávamos nós a caminhar pela ponte no final da visita, aproveitando para tirar fotos à Cascata das Aguieira, que ainda se encontrava encoberta pela difusa neblina e sombras matinais, quando o guia Emanuel nos disse que se viéssemos mais tarde, ela já estaria “ILUMINADA”. Com base no que ele informou e sem pensar tivemos uma tirada de génio questionando, “Porquê à noite ela está iluminada?”, respondeu o guia, “Não, mais tarde pela manhã já bate o sol diretamente na encosta”.

Não há problemas, estamos bem e quem não conseguir rir-se de si próprio, não pode levar a vida de forma descontraída. A brincar pedimos-lhes para não contar a ninguém aquela burrice. Rimo-nos todos da parvoíce, achamos que ele não fica zangado connosco por partilharmos que também nos contou que no dia anterior, no final da visita à ponte em lugar de desejar às pessoas “Boa visita”, desejou-lhes “Boa SORTE”, pedindo logo desculpa e acalmando as pessoas mais suscetíveis.

Os projetos só fazem sentido quando celebrados por pessoas

A nossa vida, missão, trabalho, projetos, só fazem sentido quando estiverem ao serviço de outros seres humanos, sejam por eles compreendidos e celebrados. Neste artigo procuramos conhecer um pouco das experiências humanas e emoções potenciadas pela ponte. 

O ditado popular que diz que o homem deve construir pontes e deitar abaixo muros, faz hoje mais sentido do que nunca. Não adianta esconder o facto que estamos a falar da agressão Russa ao estado soberano da Ucrânia. Nem de propósito tínhamos acabado de ler a trilogia do século, composta por três volumes do brilhante escritor britânico Ken Follett. Por esta razão temos bem presente, como sem ninguém querer por vezes as guerras mundiais acontecem, como foi o caso da primeira e que depois veio a provocar a segunda. Há historiadores que defendem até que só aconteceu efetivamente apenas uma.

Nestas histórias que se cruzam pela I e II guerras mundiais, ficamos a perceber como os estados e o mundo se viram envolvidos nestas batalhas mortais. As suas consequências perduraram por décadas e culminaram com a guerra fria e cortina de ferro, que a “URSS” parece agora querer ressuscitar. Afinal Winston Churchill teve sempre razão e perdeu umas eleições por aquilo que defendia, mas isso são outras histórias.     

Já tivemos experiências no passado onde um líder sem sabedoria e desequilibrado pode levar o mundo ao precipício. Vladimir Putin está a seguir um caminho perigoso, a destruir pontes e a erguer muros. O mundo livre está em perigo, tendo respondido em conformidade, mas atrasado. Nós não podemos deixar pessoas deste género prevalecer, é o nosso futuro e dos nossos filhos que está em jogo e quem sabe da terra.

Conselhos para a visita à Ponte Suspensa e Passadiços do Paiva

  • No Verão proteja-se do sol, use chapéu e coloque protetor. Leve água e se for fazer os passadiços lembre-se que não é permitido fazer piqueniques;
  • Leve uns binóculos ou monóculos, que são mais fáceis de transportar. Este material vai tornar a sua visita mais interessante e por vezes permitir-lhe ver espécies da fauna ou flora, que de outro modo era impossível;
  • De modo a planear a sua visita, saber o que pode ver e decidir aquilo onde quer focar a sua atenção, aconselha-se que adquira na “Loja Interativa de Turismo em Arouca”, o “Guia da Natureza Passadiços do Paiva”.
    • Morada - Rua Abel Botelho, nº 4 - 4540-114 Arouca
    • Horário: Segunda a Sexta -9h00 – 12h30 e 14h00 – 17h30 | Sábado, Domingo e Feriados - 9h30 – 13h00 e 14h00 – 17h30
    • Telefone: 256 940 258

A nossa equipa do Ondas da Serra na Maior Ponte Pedonal Suspensa do Mundo em Arouca

Ondas da Serra na Maior Ponte Pedonal Suspensa do Mundo em Arouca, Rosa Maria e Sílvio Dias

Agradecimentos

O Ondas da Serra agradece à Daniela Oliveira, técnica de turismo da Camara Municipal de Arouca, pela ajuda prestada na organização da reportagem e aos guias da ponte suspensa Emanuel Tavares e Pedro Silva, pela disponibilidade demostrada.

Créditos e Fontes pesquisada:

Texto: Ondas da Serra com exceção do que está em itálico e devidamente referenciado.

Fotos: Ondas da Serra. 

Créditos:

1 - 516arouca.pt
2 - aroucageopark.pt

Galeria de fotos da Maior Ponte Suspensa Pedonal do Mundo em Arouca

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Autor

Ondas da Serra

Ondas da Serra® é um Orgão de Comunicação Social periódico, distribuído electronicamente, que visa através da inserção de notícias, promover a identidade regional, o turismo, e a divulgação/defesa do património natural, arquitectónico, pessoas, animais e tradições, dos concelhos da região norte do distrito de Aveiro, nomeadamente: Ovar, Santa Maria da Feira, Espinho, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca e do forma mais geral dos restantes municípios do distrito.

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